Política

GOVERNO TEMER

Com Moraes e Serra fora, abre-se um período de reorganização do governo golpista

Nesta quarta-feira, 22, abrem duas vagas importantes no governo Temer. Moraes assume a toga e deixa pasta da Justiça sem dono no mesmo dia em que Serra entrega carta de renúncia, deixando o Ministério das Relações Exteriores. A base peemedebista pressiona por espaço. Como se dará a reorganização do governo golpista?

quarta-feira 22 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Contrariado com a pressão do PMDB por cargos no governo, o presidente Michel Temer está montando uma equação política para compensar o partido. Nos bastidores, tanto peemedebistas da Câmara como do Senado reclamam do avanço do PSDB sobre cargos estratégicos, como a Secretaria de Governo, comandada por Antônio Imbassahy.

Em conversas reservadas, nos últimos dias, Temer assegurou que ou o PMDB terá o comando de mais um ministério ou a liderança do governo na Câmara, atualmente ocupada pelo deputado André Moura (PSC-SE).

A bancada do PMDB deseja o Ministério da Justiça, já que Alexandre de Moraes - até há duas semanas filiado ao PSDB -, assumiu o posto de Ministro do Supremo Tribunal Federal, ocupando a vaga de Teori Zavascki, falecido em acidente aéreo.

Temer teme que a sua base de governo, que não se restringe aos peemedebistas, mas é composta por tucanos, comece a rachar por conta dessa briga por cargos de influência. Depois da recusa do ex-ministro do STF Carlos Velloso em assumir a Justiça, Temer tem feito outras sondagens, mas ainda não decidiu quem será o sucessor de Moraes. Agora que Serra abandonou a importante pasta do Ministério das Relações exteriores, os atritos dentro da base governista podem se intensificar em torno da disputa também por essa vaga. Não obstante, pode ser uma oportunidade para que Temer busque “agradar a todos”, ainda que seja uma realização improvável.

Antes rejeitado, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) ganhou apoio na bancada e é agora o nome indicado pelo partido para a cadeira da Justiça. Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) perdeu pontos por críticas à Lava Jato. Há ainda um terceiro cotado, Gustavo Rocha, do PMDB, subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, e também ex-advogado do preso na Lava-Jato, Eduardo Cunha. Este não ganhou a simpatia dos peemedebistas, tampouco dos tucanos.

"Não estamos fazendo pressão nem colocando faca no pescoço de ninguém", disse o líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP). "O presidente Temer já sinalizou claramente que vai fortalecer o nosso partido. Tenho certeza absoluta de que ele, pela experiência que tem, saberá valorizar a nossa bancada."

Se ficar sem o comando da Justiça, o PMDB deve ganhar a liderança do governo na Câmara, como uma espécie de "compensação". Neste caso, o mais cotado para o posto é o deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES). André Moura, o atual líder, entrou em rota da colisão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas, se não ficar no posto, pode ser compensado com outro cargo.

A insatisfação da base de seu partido preocupa Temer num momento em que planeja pisar no acelerador da reforma da Previdência, um grande ataque que o governo golpista certamente encontrará maiores dificuldades de aprovar do que os ataques anteriores (PEC do teto dos gastos públicos, Reforma do Ensino Médio). Além disso, há receio de que os vazamentos de delações premiadas de executivos e ex-diretores da Odebrecht à Lava Jato provoquem mais instabilidade política, em um cenário em que operação dá sinais de ofensiva a peemedebistas da base do governo.




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