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Com 14 mortos em um mês, "comunidade terapêutica" do interior de SP terá que se explicar

A Saúde Mental agoniza em pleno século XXI, funcionando na prática como uma comunidade terapêutica, a Missão Belém terá que explicar para a promotoria os motivos das mortes em suas instalações. Assassinato ou acaso?!

sexta-feira 20 de outubro| Edição do dia

O espaço localizado em Jarinu no interior paulista, a 76 quilômetros da capital, é ligado à Igreja Católica e recebe em sua maioria, pessoas em situação de rua e dependentes vindos da Cracolândia da região central de São Paulo. A entidade, fundada pelo padre Gianpietro Carraro em 2005, atua no Brasil, na Itália e no Haiti e atende 2 mil pessoas, só nas quatro propriedades da instituição na cidade de Jarinu, são 850 pacientes. O número de mortos que ainda pode aumentar é de 14 pessoas e viviam em um dos centros de acolhida dessa missão.

Pelo menos nove delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição, desidratação ou intoxicação alimentar. Outros 19 foram internados com esses sintomas, mas sobreviveram. As causas dos óbitos ainda estão sendo investigadas. Nas semanas seguintes, casos do tipo aumentaram. Do dia 3 de julho até esta terça-feira(18), o Hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista, município vizinho de Jarinu, recebeu 25 internos da Missão Belém, dos quais 6 morreram.

De acordo com a Prefeitura do município, a maioria dos pacientes chegou ao local “em avançado estado de desidratação, desnutrição e intoxicação alimentar, em alguns casos associados a doenças crônicas, HIV e sequelas de acidente vascular cerebral (AVC)”.

Tramitam no MPF mais de 50 procedimentos extrajudiciais para apuração de violações de direitos humanos em comunidades terapêuticas. Em geral, essas instituições são geridas por entidades religiosas. Muitas trabalham na base do improviso. Como funcionam com privação de liberdade, na maioria dos casos, são instituições passíveis de serem inspecionadas por equipes de combate à tortura, maus-tratos e outras violações.

O discurso de que atualmente vive-se em liberdade é bastante comum e difundido em todos os meios sociais. Porém, que liberdade é essa se ela é dependente de um medicamento? ...e pior, e se a indústria farmacêutica vender essa ideia de liberdade a preços altos? A liberdade de ser livremente “louco” é ilusória. A camisa de força não existe mais, entretanto, a indústria farmacêutica vem fazendo o mesmo papel. Limitando a liberdade de reconhecimento e identificação enquanto sujeitos, e dando a ilusão de que somos livres.

Esse caso específico deve servir para refletirmos uma realidade de ataque à uma camada da população que se encontra completamente desprotegida. Atualmente, após o golpe institucional, o ataque às políticas públicas na área da Saúde ficaram cada vez mais severos e o fortalecimento dos grandes capitais ligados à indústria farmacêutica se intensificou. Devemos chamar todas as frentes de luta antimanicomial, conselhos e fóruns para pensar uma resposta de conjunto aos órgãos responsáveis.

Nós do MRT batalhamos pela estatização de toda rede de Saúde e que esta seja tomada e administrada pelas mãos dos trabalhadores e vise uma política universal e protetiva de verdade.




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