Teoria

100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA

Colóquio Marxismo e Ciências Sociais: Balanços políticos da Revolução Russa

O 41º Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS) em Caxambú - Minas Gerais, acontece entre os dias 23 e 27 de outubro e no marco da programação geral tem o Colóquio Marxismo e Ciências Sociais com tema central o Centenário da Revolução Russa.

Shimenny Wanderley

Campina Grande

sábado 28 de outubro| Edição do dia

O encontro da ANPOCS reúne pesquisadores das ciências sociais e dos programas de pós-graduação de todo o país e na primeira sessão do Colóquio foram debatidos Balanços políticos da Revolução Russa.

Participaram da mesa da Gonzalo A. Rojas quem apresentou um paper junto a Shimenny Wanderley, docente e discente respetivamente do Programa de pós-graduação em Ciências Sociais da UFCG e membros do staff do Esquerda Diário que é impulsionado pelo Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) e Luís Eduardo Motta, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sendo a coordenadora e debatedora Luciana Aliaga da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Nesta matéria pretendemos apresentar os eixos que escolhemos na abordagem do tema. Estruturamos o paper da seguinte forma: uma breve introdução, três partes e uma conclusão.

Na primeira parte apresentamos a estratégia bolchevique a partir das Lições de Outubro de Leon Trotsky e as Teses de Abril de Vladimir I. Lenin, destacando nas Lições no sentido de reforçar a importância política da estratégia bolchevique.
Na segunda parte criticando as leituras hegemônicas centralmente no campo dos historiadores, cientistas sociais e jornalistas opositores a Revolução Russa, defenderemos quatro teses.

Numa terceira parte entramos no debate de estratégias no interior das próprias esquerdas, diferenciando a estratégia bolchevique, marxista revolucionária de outras três estratégias: as reformistas, as militaristas e as autonomistas para finalizar com uma breve conclusão.

As Lições de Outubro

A perspectiva de Trotsky enfatiza o porque a Revolução Russa deve ser estudada, em particular em termos organizativos e políticos, e neste sentido destacar como os cem anos da Revolução Russa é um momento chave para realizar um balanço político, um debate de estratégias. Para isso é preciso defender de forma ofensiva todas as lições e conclusões que a classe trabalhadora possa tirar da primeira ocasião em que chega a se apoderar do poder político no nível estatal nacional.

Se faz necessário diferenciar tática e estratégia a partir do acúmulo dos debates sobre o tema na III Internacional e de Trotsky, mas também do marxista italiano Antonio Gramsci e de uma análise crítica do general prussiano Carl von Clausewitz, o principal teórico burguês da guerra.

Na perspectiva bolchevique entendemos a tática como a arte de conduzir as operações isoladas, a direção dos combates parciais, e estratégia como a arte de vencer, ligar os resultados parciais ao objetivo da guerra, a conquista do poder político pelo proletariado e a instauração de um governo operário, compreendida como afirma Trotsky no Programa de Transição de 1938 como a forma popular da ditadura do proletariado.

Convertida em "conquista tática", a conquista do poder em um país deve servir como centro irradiador e alavanca da revolução mundial, uma concepção irrevogável do marxismo clássico, intrinsecamente ligado à Lênin e Trotsky, já que o futuro da revolução internacional subordina o destino da revolução em um determinado país. Essa estratégia marxista de opõe - e combateu através de Trotsky - pelo vértice a "teoria" do "socialismo num só país" de Stálin, chefe da burocratização grotesca da URSS a partir de 1924 e antítese contrarrevolucionária do bolchevismo.

Só conseguiremos este objetivo com independência teórica e política, subordinando a tática à estratégia e criticando a todas as frações da burguesia e seus ideólogos, os que, por diferentes meios, vão querer apagar as conclusões revolucionárias que podemos tirar de seu legado e apresentar a Revolução Russa como a criadora de todos os males da humanidade.

Trotsky no seu mencionado livro Lições de Outubro trata principalmente do período fevereiro a outubro de 1917, mostrando as divergências no interior do partido bolchevique no que diz respeito a estratégia, um tema estava na ordem do dia.
Importante destacar que durante todo o transcurso da Revolução Russa, no Comitê Central do partido bolchevique havia uma ala a direita, que em todos os momentos mais cruciais da revolução esteve em desacordo com Lênin. Essa ala defendia uma estratégia de encaminhar a revolução para uma democracia burguesa. Trotsky fala de acontecimentos centrais nesse período para entender essas divergências.

Trotsky e Lenin, defendem a ditadura do proletariado apoiado no campesinato, sob a hegemonia do proletariado, um elemento central no marxismo. As tarefas imediatas da revolução podem ser democráticas (democrático-estruturais, como a libertação da opressão imperialista e a revolução agrária), mas o caráter da revolução tem que ser socialista para cumpri-la integralmente.

A tarefa da conquista do poder só foi posta ao partido depois que Lênin chegou à Rússia, vindo do exílio em abril. Quando se dá a Conferência de abril e ele desenvolve suas teses. A grande questão da divergência com os chamados "velhos bolcheviques" (do qual eram parte Kamenev e Stálin) era a tomada do poder político pelo proletariado. Por isso para Trotsky, o estudo dessas divergências permite tirar lições uteis ao conjunto dos partidos da Internacional Comunista.

Quatro teses contra os historiadores e jornalistas de direita

Trabalhamos com quatro teses sobre a Revolução Russa em polêmica com os historiadores e jornalistas ao serviço da burguesia que aqui só mencionaremos:
A primeira tese é que a Revolução Russa foi uma revolução social e não um golpe de estado.

Reivindicamos sua organização e o papel do partido bolchevique tentando dar conta do processo. Uma visão do conjunto do processo, deve ter em consideração que os bolcheviques eram minoria em fevereiro de 1917 nos sovietes dirigidos pelas alas conciliatórias os mencheviques e os socialistas revolucionários, a chegada de Lenin e a mudança a partir de suas conhecidas Teses de Abril, onde centralmente afirma que a Rússia, sendo capitalista, o caráter da revolução é socialista e a defesa político-estratégica de não apoiar o governo provisório, se manter firme na independência política, para que o movimento de massas fizesse sua experiencia até os bolcheviques se tornarem maioria nos soviets. Este apoio político foi o que permitiu tanto a tomada do poder político como se manter no poder.

Vinculada a primeira a segunda teses rejeita a afirmação que os bolcheviques abortaram um processo no qual havia um desenvolvimento de uma democracia burguesa na Rússia.

A terceira tese é que os bolcheviques estavam preocupados pela participação política das massas exploradas e oprimidas os soviets não eram nem fetichizados nem instrumentais;

A quarta tese é entender o bolchevismo como um fenômeno político marxista revolucionário, contrário a sua contra cara, a contrarrevolução burocrática estalinista. Desta forma rejeitamos usar bolchevismo como sinônimo de estalinismo.

A partir desta crítica e a elaboração destas teses defendemos a atualidade da estratégia bolchevique para o qual é preciso entrar no debate de estratégias.
Aqui só realizamos uma menção, o trabalho completo está disponível nos anais do 41° Encontro Nacional de ANPOCS.

Debate de estratégias na esquerda

Entendemos a estratégia bolchevique como a tomada do poder político pela classe operária e ditadura do proletariado, entendida como socialismo, um momento histórico de transição entre o capitalismo e o comunismo, no sentido que Karl Marx apresenta na Crítica do Programa de Gotha, Lenin no Estado e a Revolução e mencionado Trotsky nas suas Lições de Outubro.

Outras estratégias foram elaboradas e se diferenciam da bolchevique, sejam estas reformistas, revolucionárias ou autonomistas.

No campo do reformismo destacaremos a estratégia pacifista de Eduard Berstein, a “estratégia de desgaste” de Karl Kautsky, a experiência chilena da via democrática ao socialismo” sob a presidência de Salvador Allende, a eurocomunista de esquerda, defendida por Nicos Poulantzas a partir de uma interpretação parcial de Rosa Luxemburg e posteriormente defendida no central pela corrente de Ernest Mandel, assim como a proposta do Hugo Chávez de socialismo século XXI na Venezuela.
Também foram realizadas importantes revoluções com outras estratégias, como por exemplo as estratégias militaristas de base campesina, com a qual foi realizada a Segunda Revolução Chinesa em 1949 ou a Revolução Vietnamita, através da estratégia maoísta de guerra popular prolongada ou a Revolução Cubana de 1959, que em 1961 se declara socialista, que na sua leitura oficial, que se apresenta como a teoria foquista elaborada por Regis Debray, leitura que diferenciamos do processo histórico real. A Revolução Sandinista na Nicarágua em 1979 é bem diferente também da estratégia bolchevique já que caracterizamos como uma experiência de frente popular tardio armado, expressa pelo setor hegemónico da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), os terceiristas, dirigidos pelos irmãos Daniel e Humberto Ortega.

Além destas podemos mencionar também as estratégias anarquistas ou anarquisantes como as autonomistas, que tem em comum a negação da necessidade da ação política entendida como a luta pelo poder político do Estado.

As estratégias reformistas

A estratégia pacifista de Eduard Berstein

A estratégia seria pacifista, gradualista e evolucionista, apelando a compreensão e a razão por parte das classes dominantes, da burguesia. Para Berstein a transição do capitalismo ao socialismo seria como o passo de um barco atravessando a linha equatorial. Hoje estamos no capitalismo amanhã no socialismo de forma pacífica, sem luta de classes.

A classe trabalhadora tem um partido político o SPD (socialdemocracia alemã) que em cada eleição tem mais votos e uma maior representação política no Reichstag, o Parlamento, os socialistas dirigem sindicatos e no campo econômico controlam cooperativas de produção, frente a isto os capitalistas não poderiam opor resistência frente ao poder da classe trabalhadora organizada, entenderiam pela razão que é preciso superar pacificamente o capitalismo. A resposta das classes dominantes foi a Primeira Guerra Mundial com dezoito milhões de mortos no coração de Europa.

Karl Kautsky e a “estratégia do desgaste”

Na realidade a estratégia de Karl Kautsky, eliminando a possibilidade de revolução socialista, articula uma combinação de táticas como a participação política em eleições e em sindicatos numa estratégia que acaba sendo conhecida como uma “estratégia de desgaste”, retomando o termo utilizado pelo historiador da guerra alemão, Hans Delbrück.

Para Kautsky o objetivo do proletariado é aspirar que as instituições legislativas mandem sobre as executivas e as judiciais. Se existem dificuldades deveria se apelar ao poder de mobilização das massas para pressionar no marco da institucionalidade burguesa. A tarefa do proletariado não seria, para Kaustky, tomar o poder político para destruir o Estado burguês mas mudar as relações de força no interior do Estado.

Allende e a via democrática ao socialismo

Salvador Allende foi membro do Partido Socialista Chileno e integrante da Unidade Popular, eleito presidente em 1970, na terceira ocasião em que se apresentava. Teve a particularidade na América Latina de elaborar uma estratégia reformista de esquerda que pretendia transcender a sociedade capitalista, sendo eleito democraticamente e nos marcos da institucionalidade burguesa, fruto de uma coalizão de esquerda.

A Unidade Popular e seu programa foram assinados pelos seguintes partidos: O Partido Comunista de Chile (PCCh), o Partido Socialista do Chile (PSCh), o Partido Radical (PR), Movimento de Ação Popular Unitário (MAPU), uma cisão “esquerdista” da democracia cristã e a Ação Popular Independente (API), em 17 de dezembro de 1969.

Seu grande objetivo era uma transição democrática, pacífica e pluralista do capitalismo ao socialismo defendendo a institucionalidade.

Allende estava convencido que as instituições que serviram ao regime burguês poderiam ser transformadas, por exemplo o Parlamento em Parlamento do Povo, e confiou até último momento na lealdade das Forças Armadas pensando que respeitariam a Constituição, mas tombaram seu governo em 1973, com o sangrento golpe de Estado do General Augusto Pinochet.

A tentativa de institucionalizar a via política do socialismo foi derrotada pela sua política, mas centralmente pelo peso político do Partido Comunista, que defendendo a política da frente popular e alianças com frações burguesas em todo o processo esteve muitas vezes a direita do Partido Socialista e do próprio Presidente Allende.

A estratégia eurocomunista de esquerda

Inicialmente esta teoria seria a elaborada pelo último Nicos Poulantzas e aparece de forma explicita no epilogo de seu último livro Estado poder e socialismo na sua última parte intitulada Para um socialismo democrático, mas tardiamente também vai concordar em termos de estratégia política mais que em termos teóricos, com o trotskista belga, dirigente do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI), Ernest Mandel.

Centralmente Poulantzas reinterpreta a crítica de Rosa Luxemburg a Lenin e Trotsky no texto da revolucionária polonesa A Revolução Russa, para concluir que leninismo é sinônimo de stalinismo. Sendo assim para pensar a possibilidade de um socialismo democrático, supostamente não social democrático, deveríamos em primeiro lugar entender o Estado como uma condensação das relações de força, o Estado como uma relação social e entendendo o outrora estruturalista, que é possível construir relações de força ao Estado, como se já não existisse limite estrutural algum. Sendo assim seria preciso articular a luta institucional com a luta extra-institucional mas no lugar de servir para construir um duplo poder, seria preciso mudar a condensação das relações de força no interior do Estado.

Esta política, anos depois da criticada realizada por Ernest Mandel ao eurocomunismo, acaba sendo adaptada com outra caraterização sobre o Estado pelo SU-QI também.

O chavismo e o mito do socialismo do século XXI

Inicialmente esta teoria seria a elaborada pelo último Nicos Poulantzas e aparece de forma explicita no epilogo de seu último livro Estado poder e socialismo na sua última parte intitulada Para um socialismo democrático, mas tardiamente também vai concordar em termos de estratégia política mais que em termos teóricos, com o trotskista belga, dirigente do Secretariado Unificado da Quarta Internacional (SU-QI), Ernest Mandel.

Centralmente Poulantzas reinterpreta a crítica de Rosa Luxemburg a Lenin e Trotsky no texto da revolucionária polonesa A Revolução Russa, para concluir que leninismo é sinônimo de stalinismo. Sendo assim para pensar a possibilidade de um socialismo democrático, supostamente não social democrático, deveríamos em primeiro lugar entender o Estado como uma condensação das relações de força, o Estado como uma relação social e entendendo o outrora estruturalista, que é possível construir relações de força ao Estado, como se já não existisse limite estrutural algum. Sendo assim seria preciso articular a luta institucional com a luta extra-instituicional mas no lugar de servir para construir um duplo poder, seria preciso mudar a condensação das relações de força no interior do Estado.

Esta política, anos depois da criticada realizada por Ernest Mandel ao eurocomunismo, acaba sendo adaptada com outra caraterização sobre o Estado pelo SU-QI também.

As estratégias militaristas

Mao Tse Tung e a guerra popular prolongada

Quando nos referimos a Revolução Chinesa, dirigida por Mao Tse Tung em 1949, estamos falando da segunda Revolução Chinesa e sua estratégia conhecida tanto na China como no Vietnam de Ho Chi Ming como a estratégia de guerra popular prolongada. É preciso lembrar que fins da década dos anos ‘20 em 1927 e 1928 China tive insurreições operárias derrotada pela política estalinista.

Depois das derrotas das insurreições, uma em Canton em 1925 e duas em Shangai em 1926, derrotadas pela política da direção stalinista, as tropas de Mao foram atacadas pelas forças nacionalistas e iniciam na sua fugida a “Longa Marcha”.

Estabelecidos no norte do país iniciam a política conhecida como guerra popular prolongada, que na verdade é uma estratégia militar de revolução campesina num contexto de guerra e ocupação. Mao mantem a política stalinista de conciliação de classes conhecida como a política de frente popular, que na China estaria formada pelo bloco das quatro classes: proletariado, campesinato, pequena burguesia urbana e burguesia nacional.

O Castrismo e a estratégia foquista

Da mesma forma que a leitura oficial da Revolução Chinesa subordina na análise o papel do proletariado na revolução, a visão oficial da Revolução Cubana é diferente que o processo político que permitiu seu triunfo.

A estratégia seria a do foco guerrilheiro, elaborada e simplificada por Regis Debray, como a forma em que se generalizou o modelo da revolução cubana além de seus mitos. Uma revolução anti-ditatorial em 1959 que se faz socialista em 1961 quando havia expropriado de conjunto a burguesia, contra todas as teorias stalinistas dos Partidos Comunistas e que se burocratiza em 1968.

Centralmente na interpretação oficial aparecem ausentes as condições objetivas e subjetivas na revolução. Para esta teoria seria possível uma revolução sem crise, sem situação revolucionária, só pela existência de governos impopulares e fome, o que a partir da inevitabilidade da luta armada seria possível criar um foco no campo onde uma vanguarda armada do povo seria o pequeno motor que colocaria em movimento o grande motor das massas como um catalizador político.
O partido revolucionário, central na estratégia bolchevique, está ausente e a revolução baseada num exército, do mesmo jeito que na estratégia maoísta tampouco desenvolveram organismos de auto-organização das massas como foram os soviets na Rússia.

Para Trotsky, voltando as Lições de Outubro, nada pode substituir o partido revolucionário, na sua ausência o proletariado não pode conquistar o poder através de uma insurreição espontânea.

Revolução sandinista na Nicarágua

Em relação com a Revolução Sandinista, na Nicarágua em 1979, se tratou de uma experiência tardia de frente popular armado, a diferença das duas anteriores é que não expropriou de conjunto a burguesia, posto que frações burguesas fizeram da luta contra a ditadura dos Somoza. A ausência de independência política do FSLN e as diferenças programáticas que incluía a defesa de uma economia mista, estatal e privada, para manter seus acordos com a socialdemocracia europeia em geral e francesa em particular se diferencia também claramente da estratégia bolchevique

Estratégias que negam a centralidade do Estado na luta política

Autonomismo e anarquismo

Existe outra estratégia que poderíamos denominar anarquista o autonomista, as quais se bem tem especificidades, se caracterizam por negar a necessidade da ação política do proletariado, a importância social do Estado como instrumento de transição do capitalismo para o comunismo e desta forma renegam a tomada do poder político.

Nesta perspectiva encontramos teóricos como Antonio Negri ou John Holloway com seu libro Mudar o mundo sem tomar o poder, sendo a referência social mais importante o Exercito Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) no Estado de Chiapas no México e dirigido pelo Sub- Comandante Marcos.

Existem no mínimo duas divergências desta com a estratégia bolchevique. Em primeiro lugar se nega a necessidade de um período de transição, a ditadura do proletariado, entre o capitalismo e o comunismo. Estas teorias negam ao Estado, mas como Engels falava para os bakuninistas na Espanha, o Estado não se esquece deles, continua reprimindo e reproduzindo as relações sociais capitalistas (além do que, nos processos de revolução e contrarrevolução da década de 30 na Espanha, os anarquistas que "renegavam o Estado" assumem o posto de dóceis ministros burgueses contra os trabalhadores em luta).

Por isso para os bolcheviques era necessário tomar o poder político do Estado para quebrar o aparelho político da burguesia e substituir por formas de autodeterminação das massas, mas organizadas politicamente que constituiria uma nova forma de organização política que, na ausência de um termo melhor, Lenin falaria que continuamos denominando Estado mas é um Estado não-Estado que tenderia a acabar com as classes sociais e o próprio Estado, se extinguiria uma vez que deixam de existir as classes e dessa forma as contradições irresolúveis da sociedade.

A crise orgânica do capitalismo desde 2008 e a chegada ao governo de um conjunto heterogêneos de governos denominados como “pós-neoliberais” assim como o processo de cooptação e repressão dos movimentos sociais fez com que estas ideias, tanto teórica como politicamente, perderem muito espaço durante os últimos anos.

Breves conclusões

Para Trotsky é central o estudo da Revolução Russa em termos organizativos e políticos e sua estratégia. Tentamos mostrar a atualidade da estratégia bolchevique. Para isto foi central uma crítica a seus detratores por direita, mas também uma crítica ao stalinismo, sua contra-cara, a da contrarrevoluciona burocrática, e as diferentes estratégias utilizadas nas revoluções mais importantes do século XX.
Como conclusão, para nós é importante construir partidos revolucionários da classe trabalhadora, tanto no plano nacional como internacional, independentes dos governos, dos patrões e do Estado, que para nós é o Movimento Revolucionário dos Trabalhadores (MRT) no Brasil e a Fração Trotskista (FT) e a IV Internacional.




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