MÉXICO

Coloquemos em prática uma campanha internacional contra as deportações e a precarização do trabalho

Trump prometeu levar a frente - inicialmente - de dois a três milhões de deportações. Por vez, a renegociação de TLCAN levara a um salto na precarização do trabalho, no México e no EE.UU.. Diante disto, desde o Movimento de Trabalhadores Socialistas (MTS) chamamos a impulsionar uma grande campanha em ambos os países para que os trabalhadores, as mulheres e a juventude enfrentem juntos este ataque.

Sergio Moissen

Dirigente do MTS e professor da UNAM

terça-feira 29 de novembro| Edição do dia

Durante suas duas administrações, o democrata Barack Obama - quem está a ponto de entregar o poder - levou a cabo 2.9 milhões de deportações, impulsionou uma verdadeira indústria da criminalização dos imigrantes; empresas de segurança, cárceres privados, serviços para abastece-las, assim como a implementação do trabalho quase escravo das pessoas encarceradas nesses centros de detenção. Mulheres e crianças sofrem detenções arbitrárias somente pelo feito de pedir asilo.

Desoejou contra imigrantes criminalização, perseguição, descriminação, enquanto prometeu uma reforma migratória que nunca chegou. A medida mais "radical", encaminhada na realidade a dividir os imigrantes - foram as medidas executivas que consistiam em adiar as deportações e dar visto de trabalho aos dreamers e a seus pais, pouco menos da metade dos imigrantes sem documentos.

Assim é que se criou as condições para precarizar a mão de obra imigrante, que gera 11% do Produto Interno Bruto nos EUA e percebe-se o salário mais baixo. É o setor da classe trabalhadora estadunidense que joga um papel fundamental na produção agrícola, na construção e em distintos serviços, como jardinagem e hotelaria.

Esta política sistemática de perseguição aos imigrantes é o que usa o grande capital com o objetivo de avançar na exploração da classe trabalhadora: prende um setor, impõe-lhe as condições de trabalhos mais duras, e logo ameaça o resto dos trabalhadores em deixa-los sem empregos se não aceitam salários mais baixos, rotação de horários, estensão da jornada de trabalho, e corte de prestações, já que se os trabalhadores brancos e os negros se negam, os chantageiam com o discurso de que os imigrantes já aceitaram. Assim perversa é a política das transnacionais: divide e reinará.

A sua vez, com a implementação de TLCAN e o desaparecimento de tarifas sobre muitos itens, junto com o feito de que no México se pagam salários mais baixos da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o território mexicano foi especialmente atrativo para as transnacionais, e assim instalaram inumeráveis parques industrias onde trabalha uma parte importante da classe importante da classe trabalhadora mexicana. Isto, enquanto fechavam fábricas em Rus Belt estadunidense.

Nestes tempos de retardamento da economia internacional, com uma retração do comércio internacional, Donald Trump - que designou como chefe de estratégia da Casa Branca um personagem racista, misógino, homofóbico e antissemita e, como procurador o racista que no Senado foi promotor da "estratégia de valas" - pretende radicalizar a obra de Obama com a realização e deportações massivas em um tempo muito mais curo. Também insiste na construção do muro na fronteira (que se havia iniciado em 1994 no governo de Clinton), que quer financiar com as remesas enviadas pelos imigrantes ; as remesas com as que susbsistem milhões de famílias nos povoados mais pobres do interior mexicano.

Desde o sul do rio Bravo, os empresários anunciaram que cheias as máquinas para receber mão de obra imigrante. Claro: com salários baixos e condições de precariedade, fazendo gosto diante da crise. A sede de ganâncias dos CEO’s das transnacionais é mais evidente que nunca.

Organizar a resistência contra as deportações e a precarização trabalhista

Entre 2015 e 2016, na indústria pesada da Cidade Juárez - em Eaton, Foxconn e outras fábricas - se deu uma onda de lutas pelo aumento dos salários, pelo direito a livre sindicalização e contra o abuso sexual. Também em San Quintín, baixa califórnia, os jornaleiros super explorados pelo Driscoll e outras agrobussiness saíram a lutar.

Trabalhadores e trabalhadoras, jornaleiros e jornaleiras se puseram de pé, os ais explorados da classe operária contra a precarização expressa nos salários baixos, jornadas esgotadoras, e a proibição de eleger livremente seu sindicato ou sequer ter um.

Por sua vez, do outro lado do rio Bravo, trabalhadores de restaurantes de comida rápida e de lojas de departamentos, impulsionaram a campanha pelo aumento do salário para 15 dólares a hora. Jovens e trabalhadores da classe operária multiétnica dos EUA se somaram ao grito "Eles foram levados vivos!! Vivos os queremos" do grande movimento pela aparição dos 43 normalistas de Ayotzinapa. Assim mesmo, quando foi a luta magisterial contra a reforma educacional, também se ergueram vocês desde o gigante do norte em apoio as professoras e professores que enfrentaram os planos de Peña Nieto.

Hoje, diante da ameça de deportações e o muro, parte importante da população estadunidense está contra, em especial os estados de fronteira - Califórnia, Arizona, Novo México e Texas-. Desde 11 de novembro - dia dos comícios estadunidenses - há manifestações anti-trumo em algumas universidades e em cidades importantes como Nova York. Professores e estudantes são parte dos protestos. Por sua vez, Nova York, Chicago, Washington, Baltimore, Los Angeles e Seattle, cidades santuário - que brindam proteção aos imigrantes - assinalaram que não realizaram deportações.

Começa a se expressar a resistência. Porém é necessário aprofunda-la e implementar a bandeira de unidade entre os trabalhadores, as mulheres e a juventude de um lado e do outro do rio Bravo.

Por isso, desde o Movimento de Trabalhadores Socialistas (MTS) - Agrupação Política Nacional - chamamos a todas as organizações de direitos humanos, defensoras de direitos dos imigrantes, organizações culturais, sociais e políticas, de esquerda, de mulheres, coletivos, sindicatos, personalidades, artistas, intelectuais a impulsionar em comum uma campanha binacional, no México e nos EUA, contra as deportações e a precarização do trabalho. Ao mesmo tempo que denunciamos a subordinação do governo mexicano que se limita servilmente a anunciar que dará facilidades para seu retorno e nossos conterrâneos que são rechaçados da EE.UU..

São nossos familiares, nossos amigos, nossos irmãos que estão em risco de serem deportados. Que garantia há de que muitos não serão entregues pelas autoridades mexicanas ao crime organizado, como já se tem feito policias no caso do massacre de San Fernando, Tamaulipas? Nenhuma. É o conjunto da classe trabalhadora - tanto nos EUA, como no México - que vê em perigo as suas condições de trabalho e de vida, antes que a política anti-imigração do governo dos EUA e seu isolamento no domínio económico, enquanto as multinacionais estão se preparando para implantar a um nível mais elevado sua voracidade.

No México, em particular chamamos os sindicatos que se reivindicam opositores a colocar-se a frente desta campanha: ao sindicato de trabalhadores da UNAM, a Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação, as organizações operárias organizadas na Nova Central de Trablhadores, ao sindicato de Telefonistas, entre outras. Assim também devem fazer parte da mesma, o exército Zapatista de Liberação Nacional, ao congresso Nacional Indígena, ao Movimento O Campo é de TOdos, as organizações e personalidades impusionadoras da campanha em defesa da Mãe Terra. Uma campanha que também desmacare o entreguismo do governo de Peña Nieto frente ao imperialismo estadunidense.




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