Política

FORA BOLSONARO E MOURÃO!

"Coloquemos de pé uma coordenação por Fora Bolsonaro e Mourão", diz Marcello Pablito

Frente o avanço da crise política com a saída de Sergio Moro do governo, e o continuo crescimento de contaminações e mortes que já ultrapassam 8 mil vítimas fatais da Covid-19, o que predomina é a completa ausência de alternativas pelas centrais sindicais que convidaram inimigos do povo trabalhador para o seu 1º de Maio virtual, por isso a ruptura da CSP-Conlutas e da Intersindical e o ato independente que conformamos conjuntamente é um primeiro passo para conformar um polo de independência de classe dos trabalhadores junto as organizações que se reivindicam operárias e socialistas. Precisamos agora colocar de pé uma coordenação por Fora Bolsonaro e Mourão.

quinta-feira 7 de maio| Edição do dia

O 1º de Maio deste ano foi um momento muito emblemático. Em meio a pandemia que já contaminou 126 mil pessoas e matou mais de 8 mil, as grandes centrais sindicais vem cumprindo um papel auxiliar das patronais em todo o país, seja facilitando as demissões e reduções de salários por aplicativo desenvolvido pela Força Sindical, ou com a inercia da CUT e CTB que realizam suas quarentenas em casa enquanto milhares de trabalhadores são obrigados a seguir trabalhando sem EPIs, com reduções de salários e uma onda de demissões.

Foi neste contexto que as grandes centrais organizaram um ato no dia internacional dos trabalhadores ao lado de Dória, Witzel e Maia, os que querem descarregar a crise sob as nossas costas. O que reforça ainda mais a ideia que viemos defendendo que não podemos ter nenhuma expectativa que estas mesmas centrais sindicais podem dar uma saída progressista para a classe trabalhadora.

Num momento onde Bolsonaro mantém sua política negacionista, e os governadores, o Congresso Nacional e o "centrão" dizem que tudo que temos a fazer é ficar em casa, precisamos construir uma alternativa que seja de fato em defesa da vida dos trabalhadores. Porque se por um lado o isolamento é uma medida necessária frente a uma pandemia, seria um erro considerar que isso é suficiente: nem Dória, nem Maia, nem nenhum deles está garantindo testes massivos para poder organizar a quarentena de forma racional, e todos eles foram parte de destruir o SUS, o que se faz sentir agora de forma mais cruel. Mais ainda, o isolamento não está garantido para uma grande parcela da classe trabalhadora, tanto de setores não-essenciais que são obrigados a seguir trabalhando, quanto dos setores essenciais, para os quais não são garantidas nem as mais elementares condições de trabalho e segurança; ao mesmo tempo as demissões não param de aumentar na indústria e nos serviços. Isso sem falar da aplicação da Medida Provisória de redução salarial e da situação absurda que o governo federal deixa os milhões de desempregados, trabalhadores precários e sem registro, ao propor uma renda mínima de R$600,00, que sequer esta sendo paga na velocidade necessária, empurrando os trabalhadores para uma condição extrema de ter que decidir entre ficar em casa e se arriscar a morrer de fome ou arriscar a saúde e a vida pra poder ampliar a renda.

Nós do MRT viemos batalhando durante toda a semana passada com textos que publicamos no Esquerda Diário chamando a esquerda a romper com o escandaloso ato das grandes centrais sindicais que convidaram todo tipo de inimigos dos trabalhadores para seu palanque. O rompimento da CSP-Conlutas e da Intersindical ("Instrumento de Luta da Classe Trabalhadora") foi um passo muito importante nesse sentido. Nós do MRT participamos e construímos o ato independente e classista do 1o de maio com nossa companheira Maíra Machado que é Diretora da APEOESP pela oposição com um forte chamado a construir um polo de esquerda pelo Fora Bolsonaro e Mourão. Após o ato, que consideramos que foi um acerto, chamamos os companheiros do Bloco de Esquerda do PSOL, do PSTU e outras organizações que se reivindicam revolucionárias a darmos passos concretos para colocar de pé uma Coordenação pelo Fora Bolsonaro e Mourão, já que não podemos sucumbir a política de impeachment ou renúncia, levantados até mesmo pelo PSL com a reacionária Joice Hasselman à frente, pois conduziriam Mourão à cabeça de um governo de militares. E ainda na hipótese de que além de Bolsonaro saia também Mourão, ficaríamos sob o governo de Rodrigo Maia? Com a chancela do STF? Com o regime que permitiu que essas mesmas instituições e políticos nos trouxesse até essas situação? Não!

Por isso acreditamos que a unidade o mais ampla possível pelo Fora Bolsonaro e Mourão é fundamental, batalhando para que amplos setores do movimento de massas dêem um passo à frente nessa perspectiva levantando um programa de combate à crise sanitária, econômica e social para que ela seja paga pelos capitalistas, não pelas trabalhadoras e trabalhadores. Com a proibição de todas as demissões, uma quarentena com licença remunerada, contra as suspensões de contrato e reduções salariais, e garantindo um salário emergencial que chegue imediatamente a todos que estão sem renda, com valor suficiente para manter uma família. Com testes massivos, leitos equipados, contratação de todos os profissionais da saúde e centralização da saúde no estado, sob controle dos trabalhadores. Com todo o financiamento necessário, a partir do não pagamento da dívida pública. Com a reconversão produtiva para garantir os insumos e equipamentos necessários. 

A luta para tirar Bolsonaro da presidência não pode abrir espaço para entrada do Mourão. Um governo com Mourão na presidência significa um salto na presença dos militares ainda maior do que já está acontecendo com Bolsonaro. Mas não podemos deixar que a luta para tirar Bolsonaro seja colocada nas mãos de golpistas como Maia, Alcolumbre ou o STF. Não vamos entregar os rumos dessa vital batalha nas mãos dessa corja que igualmente quer despejar os custos de toda crise nas costas dos trabalhadores enquanto, junto aos governadores, não garantem o mínimo para salvar vidas! Basta!

Por isso, queremos debater com todos os companheiros que buscam uma política da classe trabalhadora independente dos patrões, dos governos capitalistas e das burocracias sindicais, a necessidade colocar de pé uma Coordenação pelo Fora Bolsonaro e Mourão, onde cada organização possa apresentar seu programa e nesta unidade conformar uma alternativa a política entreguista das centrais sindicais. 

Nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores que impulsionamos o Esquerda Diário acreditamos que a melhor política para avançar um questionamento das massas ao conjunto do regime político é junto a defesa da do Fora Bolsonaro e Mourão, também batalharmos por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que permita com que o povo decida sobre as grandes decisões do país, sem criar nenhuma ilusão de que Maia, o Congresso Nacional, o centrão ou o STF possam oferecer alguma saída progressista.

Ao mesmo tempo que achamos fundamental levantar a necessidade de uma Coordenação Nacional da luta da saúde como convocou Babi Delatorre, trabalhadora do Hospital Universitário da USP no segundo ato que os trabalhadores organizaram exigindo EPIs para todos os funcionários e a liberação do grupo de risco. Reforçamos o chamado a utilizar o próximo dia 12 de Maio, dia nacional das enfermagem, para ser uma primeira ação unificada das trabalhadores e dos trabalhadores que estão na linha de frente do combate a Pandemia em todo o país.

E neste mesmo sentido, que achamos fundamental a iniciativa da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores da Argentina que no 1º de maio, organizaram um ato unitário com um programa anticapitalista, fechado por Nicolas Del Caño, como parte da batalha por colocar de pé uma Conferência Latino-Americana de organizações socialistas, passos que são necessários e urgentes para construir uma alternativa socialista e revolucionária dos trabalhadores em toda a América Latina.

No Brasil, a ausência de um partido revolucionário com real inserção na classe trabalhadora e um programa anti-capitalista e revolucionária que consiga combinar demandas democráticas elementares como os testes massivos e a proibição das demissões com consignas transicionais que questionem a ordem burguesa, os partidos da ordem e que a crise seja descarrega nas nossas costas, coloca uma urgência de acelerar estes debates entre as organizações que se reivindicam revolucionárias. Este é o chamado que nós do MRT fazemos como parte de construir para fazer emergir um polo independente que ofereça aos trabalhadores uma saída de fundo, que é o mínimo que merece a poderosa classe trabalhadora brasileira.




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