Gênero e sexualidade

LGBTFOBIA

Coletivo da USP repudia professor que relaciona tireoide com causa de “homossexualismo”

O Coletivo Espectro EEFE-USP escreveu uma nota de repúdio ao professor que diz que problema na tireoide pode causar homossexualismo e exigem uma posição da EEFE-USP e do docente sobre o conteúdo reproduzido em aula.

sexta-feira 27 de outubro| Edição do dia

Na quarta-feira (25), noticiamos uma denúncia contra o professor Antonio Carlos Simões, docente na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo (USP), que disse em aula que problema na tireoide pode causar homossexualismo. O docente é responsável por ministrar a disciplina de “Dimensões Psicológicas da Educação Física e do Esporte” na graduação e “Comportamento Humano no Esporte e no Exercício Físico: dimensões Biopsicossociológicas” na pós-graduação.

Diante da repercussão do conteúdo abertamente homofóbico, o Coletivo Espectro da EEFE-USP, escreveu uma nota de repúdio ao professor, desmentindo e desmistificando os argumentos pseudocientíficos para tratar a questão da homossexualidade, além disso, o Coletivo exige esclarecimentos e uma posição clara por parte da EEFE-USP, assim como uma manifestação do docente sobre o conteúdo ministrado em aula.

Reproduzimos abaixo a nota pública do Coletivo Espectro da EEFE- USP:

“Nós do Coletivo Espectro, repudiamos a ação tomada pelo docente Prof. Dr. Antonio Carlos Simões, em sua aula do dia 25/10/2017, na disciplina: Disciplina: EFE0164 - Dimensões Psicológicas da Educação Física e do Esporte. Onde ele sugere que “Homossexualidade” é uma doença provocada por disfunções hormonais da Tireoide.

Em uma busca rápida encontramos apenas um artigo que incita que a homossexualidade tem relação com disfunções de órgãos endócrinos, porém em momento algum o artigo cita que a tireoide ocasione o escrito no slide apresentado em aula.

O artigo “Homossexualismo e endrocrinologia” de Leonídio Ribeiro, o artigo foi publicado originalmente na Revista Brasileira: síntese do momento internaciona, n. 9, p. 155-168, jul-ago de 1935b. E foi novamente publicado na Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 13, n. 3, p. 498-511,setembro 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v13n3/a09v13n3.pdf
A Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o “Homossexualismo” da lista internacional de doenças mentais em 17 de maio 1990, sendo ratificada em 1992, segundo o Wikipedia, disponível em: https://pt.wikipedia.org/…/Legisla%C3%A7%C3%A3o_sobre_pesso…

E a publicação do artigo citado é de 1935. O que nós do Espectro queremos saber qual a fonte que o Prof. Dr. Antonio Carlos Simões utilizou-se para colocar tal afirmação em aula. Já que nós somos orientados desde o primeiro dia de aula a fazermos nossas citações com base científica e muitas vezes com artigos mais recentes, devido à alta produção cientifica da área que pode mudar um conceito da noite para o dia; claramente respeitando a literatura clássica que sempre estudamos.

Segundo o Censo Gay do site Mundo Mais, qual é referência para o Wikipedia estima-se que 10,4% dos homens de dez diferentes capitais brasileiras são gays ou bissexuais e 6,3%das mulheres das mesmas cidades são lésbicas ou bissexuais. A cidade de São Paulo conta com uma proporção de: 7,7% homens homossexuais e 1,7% bissexuais, totalizando: 9,4% da população masculina da cidade e para as mulheres: sendo 5,3% homossexuais e 1,7% bissexuais, totalizando 7%.

A coleta de dados foi feita pelo Projeto Sexualidade (Prosex), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, durante o ano de 2007 e divulgados no final de 2008. Dados disponíveis em:
https://pt.wikipedia.org/…/Demografia_das_orienta%C3%A7%C3%…
https://www.mundomais.com.br/…/2009/03/noticia-334-censo-gay

Mas por que estamos dando esses dados, dentro do site da EEFE é disponibilizado o nome de todos os alunos da graduação, contendo 20 nomes por página, contendo 26 páginas, sendo 25 completas e 10 na última página, totalizando 510 alunos matriculados na instituição. Desses 510 alunos aproximadamente 80% são homens e 20% mulheres. Sendo de conhecimento do Coletivo Espectro aproximadamente 20 alunos (Homens e Mulheres), assumidamente gays para toda a escola e 5 Bissexuais.

Entramos em dois artigos sendo um deles do Prof Dr. Vagner Matias do Prado e da Profa. Dra. Arilda Ines Miranda Ribeiro, intitulado: “Educação física escolar, esportes e normalização: o dispositivo de gênero e a regulação de experiências corporais” e o trabalho do Prof. Dr. Carlos Fernando Ferreira da Cunha Junior e do Prof. Dr. Victor Andrade de Melo, intitulado: “Homossexualidade, educação física e esporte: primeiras aproximações”. Ambos os estudos falam do preconceito que o professor de Educação Física propaga durante suas aulas, o segundo estudo citado data de 1996 e coloca nós como provocadores do preconceito utilizando de piadas e chacotas com os alunos que não se adequam ao padrão heteronormativo. Já o Primeiro estudo citado já coloca o professor de Educação Física como alguém, ao presenciar tais atos durante suas aulas, omisso e que não toma atitude alguma e permite tais coisas.

Com base nesses dois artigos, que vão muito além disso, pedimos uma posição clara da EEFE-USP referente ao caso e como já solicitado uma manifestação do docente.

PRADO, V. M.; RIBEIRO, A. I. M. . Educação Física Escolar, esportes e normalização: o dispositivo de gênero e a regulação de experiências corporais. Revista de Educação PUC-Campinas, v. 19, p. 205-214, 2014. CUNHA JUNIOR, C. F. F. da. Homossexualidade, Educação Física e Esporte: Primeiras aproximações. In: MELO,

VICTOR ANDRADE DE. (Org.). LAZER E MINORIAS SOCIAIS. São Paulo: IBRASA, 2003, v. , p. 191-210. Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 13, n. 3, p. 498-511,setembro 2010."




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