Gênero e sexualidade

QUESTÃO DA MULHER

Coletivo “Rosas de Outubro” de Franca faz importante evento sobre o Feminismo Classista

A partir da Frente de Esquerda de Franca e Região, o coletivo feminista Classista “Rosas de Outubro” começa a se articular por uma esquerda revolucionária, contra o machismo e as opressões impostas pela burguesia, que segregam, desunem e rebatem na organização massiva da classe trabalhadora. O debate aconteceu no último sábado, dia 26.

Anna Hotza

Franca

terça-feira 29 de novembro| Edição do dia

A Frente de Esquerda de Franca e Região, uma frente única dos setores socialistas, vem se organizando regionalmente, mais fortemente após os ataques do governo golpista de Michel Temer e todos os ataques que a classe trabalhadora vem sofrendo, de retirada de direitos sociais e trabalhistas e suas inúmeras flexibilizações em favor da manutenção de todos os privilégios da burguesia em períodos de crise estrutural.

Hoje a Frente é integrada pelo IPRA, Corrente MAIS, MRT, PCB-Franca, PSOL-Franca, UJC-Franca e militantes independentes.

A Frente de Esquerda entende que deve criar forças para uma alternativa à esquerda de acordo com os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras, operários e da juventude, independente das políticas dos governos burgueses, seus aspirantes e patrões.

Os ataques que vimos sofrendo são sentidos e rebatem primeiramente às mulheres, que são os setores mais precarizados, ainda mais as mulheres negras e trans; quem detém os menores salários, os piores postos de trabalho, piores condições para adentrarem no mercado formal e todas as outras violências sociais que estas vêm sofrendo, opressões que são apropriadas fortemente pelo capitalismo e suas mazelas.

Com os casos de estupro coletivos que vinham sendo denunciados e suas inúmeras repercussões e sentimento de enfrentamento, as violências sofridas pelas mulheres e o basta que é mais que urgente à estas situações, as mulheres da Frente de Esquerda de Franca e Região começaram a se organizar de maneira alinhada à vertente marxista, com caráter de classe, e por demandas conjuntas entre estudantes e trabalhadoras.

Surgiu em Franca um coletivo feminista classista, o “Rosas de Outubro”, em uma alusão à Rosa Luxemburgo, importante revolucionária combatente e teórica da práxis marxista, e à Revolução de Outubro de 1917 na Rússia, importante momento da história da luta de classes e também da exigência de garantia de direitos das mulheres, onde os bolcheviques estiveram na linha de frente desse período marcante de organização coletiva do proletariado contra a autocracia.

Depois da organização de importantes atividades da Frente de Esquerda, como eventos que abordaram a conjuntura nacional e a crise do capital, um curso sobre Marx e os marxismos, rodas de conversa sobre a vida em Cuba, reforma do ensino médio – seus impasses e perspectivas, as mulheres do coletivo organizaram o evento “Feminismo Classista”.

Foi uma atividade importante para o lançamento do coletivo feminista de mulheres da Frente de Esquerda e simpatizantes, e contou com a participação da professora doutora Israild Giacometti, que atua na área de serviço social, com ênfase em políticas sociais, família, relações de gênero e trabalho da mulher; os coletivos feministas classistas “Ana Montenegro” (PCB e independentes) e “Pão e Rosas” (MRT e independentes), através de suas representantes Helena Ribeiro, mestre em Ciências Biológicas e militante dirigente do “Ana Montenegro” e Tati Lopes, estudante da UNICAMP, militante do “Pão e Rosas”. A coordenação da mesa foi feita pela operária Gessica Oliveira e a assistente social Anna Frias.

No evento foram abordadas questões como a importância da organização coletiva de mulheres, a trajetória do movimento feminista – de seu surgimento até hoje, a organização de mulheres em processos revolucionários, como a Revolução Russa e a redefinição da instituição familiar, como o exemplo da luta por lavanderias públicas, creches, escolas e melhoria nas condições materiais das mulheres, seu papel e militância na causa socialista. Também tratamos dos diferentes tipos de movimentos feministas, seus momentos históricos e questões organizativas dos coletivos e a atuação com temas que são “polêmicos” às causas fundamentais das mulheres, como o aborto e a violência doméstica. Sem deixar de lado a luta internacionalista, a questão de gênero e o movimento internacional de mulheres, como exemplos à nossas organizações, foram colocados também os relatos dos movimentos grevistas de trabalhadoras e importante levante das argentinas “Ni una a menos!”.

Consideramos esse um importante passo para colocarmos na pauta do dia a luta das mulheres, os enfrentamentos que as organizações devem pautar, na luta contra o machismo atrelada não somente à igualdade entre os sexos, mas “a luta pela libertação das mulheres, mediante o fim da propriedade privada e a divisão sexual do trabalho”! Não acreditamos ser possível o fim do machismo a emancipação das mulheres sem derrubar o sistema capitalista patriarcal.

O espaço onde foi realizado o evento é de localização central, o Instituto PRÁXIS de Educação e Cultura, que vem sendo retomado às atividades coletivas de cunho classista, de acordo com suas finalidades de “desenvolvimento de reflexão e formulação acerca das realidades sociais a ela colocadas, aliadas ao desenvolvimento e aplicação de projetos e iniciativas de intervenção direta nestas realidades sob uma perspectiva classista, dialética e de construção de uma nova sociabilidade pautada na democracia participativa e na igualdade social”.

A Frente de Esquerda também pretende levar suas atividades aos locais mais periféricos de Franca, assim como à sua microrregião.

Endossamos a necessidade do movimento feminista se unir, nacional e internacionalmente, organizando as mulheres e fazendo o diálogo com os homens da esquerda, que essa é uma luta universal, papel revolucionário da classe trabalhadora, e devem ser criados mecanismos de lutas através de coletivos feministas classistas, do movimento negro, LGBT, e outros de diferentes identidades, dentro das fábricas, escolas e universidades, como luta comum e união da classe trabalhadora contra os ataques dos patrões, das Igrejas conservadoras e reacionárias e da burguesia e suas frações.

Que rompamos com o papel imposto às mulheres, às opressões de raça, etnia e gênero, em conjunto à luta pela derrubada do capital e construção de uma nova ordem societária, igualitária, de liberdade aos povos e comunista.

Para saber mais:
http://www.institutopraxis.org.br/
https://frentedeesquerdadefranca.wordpress.com/
http://coletivorosasdeoutubro.blogspot.com.br/




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