Política

O LIXO ALIMENTAR DE DÓRIA

Clínica parceira da empresa que faz a “ração humana” de Dória teve 14 mortes

Na mesma semana em que o prefeito João Dória propôs uma “ração humana” para alimentar os moradores de rua e para “incrementar” merenda escolar vem a tona um caso de 14 mortos em uma clínica de acolhimento gerida pela Arquidiocese e pela Missão Belém, parceira da Plataforma Sinergia (empresa que irá fornecer a “ração humana”). Ambas são aliadas da Prefeitura de São Paulo. Teoria da conspiração ou não, esse fato levanta mais questionamentos a ração de Dória.

Diana Assunção

São Paulo | @dianaassuncaoED

sexta-feira 20 de outubro| Edição do dia

A clínica localizada em Jarinu no interior paulista, a 76 quilômetros da capital, é ligado à Igreja Católica e recebe em sua maioria pessoas em situação de rua e dependentes vindos da Cracolândia da região central de São Paulo. A entidade, fundada pelo padre Gianpietro Carraro em 2005, atua no Brasil, na Itália e no Haiti e atende 2 mil pessoas. Somente nas quatro propriedades da instituição na cidade de Jarinu são 850 pacientes. O número de mortos em denúncia feita pelo jornal Estadão em julho deste ano é de 14 pessoas, e viviam em um dos centros de acolhida dessa missão.

Pelo menos nove delas apresentavam quadros de diarreia e vômito, acompanhados de desnutrição, desidratação ou intoxicação alimentar. Outros 19 foram internados com esses sintomas, mas sobreviveram. As causas dos óbitos estavam sendo investigadas na época pela polícia, mas até agora não foram divulgadas.

Nas semanas seguintes casos do tipo aumentaram. Do dia 3 de julho até dia 18, o Hospital de Clínicas de Campo Limpo Paulista, município vizinho de Jarinu, recebeu 25 internos da Missão Belém, dos quais 6 morreram. “Se Deus decide levar, já não é problema nosso”, declarou o coordenador da Missão Belém.

De acordo com a Prefeitura do município, a maioria dos pacientes chegou ao local “em avançado estado de desidratação, desnutrição e intoxicação alimentar, em alguns casos associados a doenças crônicas, HIV e sequelas de acidente vascular cerebral (AVC)”.

A Missão Belém é investigada desde 2011 pelo Ministério Público e pela Prefeitura de Jarinu. Segundo as regras da Anvisa o local funciona como uma “comunidade terapêutica” mas não tem licença para isso.

Essa instituição é ligada a empresa Sinergia que produz a “ração humana” proposta por Dória. Se essa “ração” é servida na Acolhida da Missão Belém, não podemos afirmar com certeza, mas o fato é que as informações se cruzam perfeitamente: uma casa que recebe população vulnerável, moradores de rua e idosos, aliada a uma empresa que diz ter como projeto o combate a fome e produz essa ração feita de lixo, tem dezenas de mortos com sintomas típicos de infecção alimentar.

Em algumas pesquisas conseguimos explorar mais fatos suspeitos, em uma petição pública de apoio a "Ração Humana", consta a ligação da Missão Belém com a utilização desse alimento podre. Como consta abaixo:

“Nós, como Comunidade Missão Belém, apoiamos o Programa “Alimento para Todos”, da Prefeitura da Cidade de São Paulo, em parceria com a Plataforma Sinergia e em conformidade com a Lei n° 16.704 de 08 Outubro de 2017, que irá promover a distribuição da Farinata, como auxílio no trabalho para alimentar aqueles que hoje vivem em situação de privação alimentar, além de extirpar o desperdício de alimentos, que no Brasil chega à marca de 30% de todo o alimento produzido(cf. Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação "FAO")”. Veja aqui.

Além das empresas e da prefeitura de São Paulo, um terceiro ator envolvido é a igreja católica, seus altos cargos apoiam a ração, comonoticiouo jornal Estado de São Paulo.


Lista de colaboradores no site da Sinergia, empresa produtora da Ração Humana

Esse fato levanta ainda mais revolta à proposta do João Dória de dar alimento podre às crianças e a população pobre. Uma política higienista e de desprezo a população, que além de tudo tem um fundo econômico que é a isenção de imposto e vantagens às empresas envolvidas no projeto.

Veja mais aqui - Dória quer fazer as crianças comerem resto de comida vencida para beneficiar as empresas

Usando de um discurso beneficente e ligado a Igreja Católica, na verdade é uma proposta de dar lixo para a população comer, enquanto os altos cargos religiosos, os empresários e políticos comem banquetes da melhor qualidade.

O direito a uma alimentação digna, diversificada e saudável é elementar para todas as pessoas, para o desenvolvimento físico e psicológico. O caso da “ração humana” de Dória parece a ponta de um iceberg de acordos e negócios às custas da saúde da população, claro que as empresas, a igreja e a prefeitura de São Paulo esta lucrando muito com isso.

Mas além desse absurdo toda a indústria alimentícia é uma fonte inesgotável de exploração do trabalho e disponibilidade de alimentos cheios de agrotóxicos, conservantes e produtos químicos danosos a saúde. Vide o caso da JBS.

Essa é mais uma mostra da irracionalidade estéril do capitalismo, que ao produzir visando os lucros e não as necessidades básicas da população, não só envenena os alimentos com produtos químicos, como geram toneladas de comida desperdiçadas todo ano. Por outro lado milhares de pessoas sofrem com a fome e a desnutrição. Precisamos acabar com esse sistema irracional que nos tira o direito a uma vida plena e saudável.




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