Clínica de reabilitação usava métodos de tortura como tratamento em SP

Consequências da criminalização das drogas: clínica para dependentes químicos ilegal tinha “tacos de cura” para torturar pacientes internados no interior se SP.

quarta-feira 5 de setembro| Edição do dia

(Imagens divulgadas pela polícia civil)

Após uma fuga na última sexta-feira (31) e denúncias de pacientes internados, a Polícia Civil de São Paulo foi, finalmente, levada a investigar uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, localizada em uma chácara no Centro de Itariri, na região do Vale do Ribera, interior de São Paulo.

A clínica foi encontrada com ambiente insalubre, cômodos sujos, imóvel sem conservação ou segurança necessária e ainda assim tinha aproximadamente 16 pessoas internadas, incluindo menores de idade, que eram mantidos na clínica sem nenhuma supervisão médica ou psicológica, nem mesmo dos medicamentos que eram dados aos internos de forma aleatória e sem nenhum controle ou prescrição, como foi explanado pelos mesmos.

Os pacientes ainda relataram em depoimento que eram recorrentemente agredidos física e verbalmente, torturados e humilhados pelos funcionários da clínica. Alguns dos itens indicados como objetos usados para as agressões foram encontrados na instituição, inclusive dois tacos de madeira com as inscrições “A cura” e “Só por hoje”.

Outra denúncia dos pacientes é que não tinham quase nenhum contato com amigos e familiares do lado de fora e que, quando tinham, esses se davam somente por meio de ligações acompanhadas pelos funcionários da clínica, sendo ainda coagidos a omitirem o que acontecia no local.

A instituição operava de maneira irregular e foi fechada prontamente, as vítimas foram encaminhadas para uma equipe de médicos, psicólogos e psiquiatras, além de conselheiros tutelares para os menores, entretanto os responsáveis pela clínica ainda não foram encontrados.

Esse não é um caso isolado e acontece em muitas clínicas que abrigam dependentes químicos, graças ao tom moralizador com o qual é tratado a questão das drogas, fazendo com que muitas pessoas ainda reivindiquem esses métodos, vendo-a como uma questão moral e não de saúde pública.

Infelizmente, essa ainda é a realidade hoje no país, desrespeitando o que prevê a lei antimanicomial, de 2001, muitos dependentes químicos são internados compulsoriamente por longos períodos em instituições como estas. A criminalização das drogas, que massacra o povo negro e pobre nas periferias e favelas cotidianamente, justifica essa prática, bem como o genocídio da população negra pelas mãos da polícia assassina.

É preciso dizer basta a essa forma de tratar das questões da saúde mental e do uso abusivo de drogas.




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