Política

CIRÃO DO GOLPE

Ciro surfa na onda golpista reivindicando a lei da Ficha Limpa em material de campanha

Em seu material eleitoral, Ciro Gomes surfa na onda do golpismo do Judiciário se apresentando como "Ficha Limpa".

terça-feira 11 de setembro| Edição do dia

FOTO: AFP

"Ficha Limpa, experiente, corajoso." - de quem poderia ser este material de campanha? Álvaro Dias? Meirelles? Daciolo? É do próprio Ciro Gomes, o candidato à presidência que alguns insistem em associar à esquerda apesar de todos os sinais de Ciro na direção oposta. Em seu material eleitoral distribuído no centro do Rio de Janeiro pela militância do PDT, Ciro Gomes surfa na onda do golpismo do judiciário, se apresentando como ficha limpa, candidato que não está envolvido em nenhum "escândalo ou roubalheira". Veja abaixo:

Enquanto tentam manipular as eleições com a impugnação de Lula, notórios corruptos poderão participar do mesmo pleito. É por isso defendemos que os casos de corrupção devem ir a juris populares, e os juízes devem ser eleitos e revogáveis, por voto direito, recebendo o mesmo salário de uma professora.

Em uma eleição em que o Judiciário usa a Lei da Ficha Limpa para decidir em quem o povo poderá votar ou não, baseado na condenação arbitrária do Lula na golpista Operação Lava Jato, Ciro Gomes faz jogo duplo. Posa em foto com Lula, mas ao mesmo tempo reivindica a Ficha Limpa usada para condená-lo! Mas quem acompanha mais de perto a política de Ciro Gomes não deveria se assustar, afinal de contas seu partido, o PDT, é campeão na aliança com os golpistas no congresso!

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O mesmo Ciro que disse que receberia a Lava Jato na bala, na fundo estava era torcendo pela impugnação de Lula, só não pode expressar isto publicamente com todas as letras para não atrapalhar a transferência de votos.

Esta colcha de retalhos que é o programa do Ciro, "dando tiro para todos os lados" tem como objetivo ganhar o voto útil anti-Bolsonaro, e ao mesmo tempo, o voto que iria no próprio Bolsonaro. Neste processo, tem muito "fogo-amigo" contra o próprio PT. Aliás, o mote de sua campanha, "Mude", é sugestivo: no fundo o PDT torceu pela impugnação de Lula para ocupar o espaço "voto útil contra a extrema direita". O mais curioso na história toda é esta falsa polarização criada entre os dois políticos, que em sua trajetória já trocaram apoio mútuo, como mostra esta entrevista de Bolsonaro ao Roda Viva em 2002:

Assim como Bolsonaro, Ciro é filhote do coronelismo político do centrão: começou na política filiando-se ao PDS (partido que é desmembramento da Arena, partido que foi sustentação da ditadura militar), foi eleito deputado federal em 1983, trocou o PDS pelo o PMDB, reelegendo-se em 1986, quando novamente muda de sigla e ingressa no PSDB. Em 1988, Ciro Gomes é eleito prefeito de Fortaleza com o apoio de Tasso Jereissati (PSDB). Depois passou pelo PROS, e acabou do PDT, conhecido no Rio de Janeiro por abrigar notórios acusados de participação nas milícias. Ciro é o coronelismo do século XXI com diploma em Harvard, e não à toa tem como vice o prêmio Moto-serra de Ouro, a latifundiária inimiga dos povos indígenas, Kátia Abreu.

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Seu "Brasil Soberano" é com o PDT votando a urgência da entrega de 70% do pré-sal para empresas estrangeiras, com o "Pacto pela democracia" com o Itaú, para quem aliás vai pagar subsídios com dinheiro do estado, ou seja, dos nossos bolsos, em troca do falso "perdão no SPC".

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E como não poderia deixar dizer, é golpista porque se apoia na lei de ficha limpa e no fundo estava mesmo era torcendo pela impugnação de Lula pelo judiciário autoritário. O mínimo elementar, que é defender o direito do povo decidir em quem votar, Ciro não faz e isto é porque tem medo de perder seus votos de "centro". Nós, ao contrário, não defendemos o PT mas defendemos o direito do povo decidir em quem votar. A verdade é que Ciro gomes não tem nada de esquerda, mas muitos o veem como um mal menor ou um voto útil contra Bolsonaro. Sobre o erro da lógica do mal menor, o revolucionário Gramsci nos indica:

“Um mal menor é sempre menor que um subsequente [mal] possivelmente maior. Todo mal resulta menor em comparação com outro que se anuncia maior e assim até o infinito. A fórmula do mal menor, do menos pior, não é mais que a forma que assume o processo de adaptação a um movimento historicamente regressivo cujo desenvolvimento é guiado por uma força audaciosamente eficaz, enquanto que as forças antagônicas (ou melhor, os chefes das mesmas) estão decididas a capitular progressivamente, em pequenas etapas e não de uma só vez (o que teria um significado muito diferente pelo efeito psicológico condensado e poderia fazer surgir uma força competidora ativa e contrária à aquela que passivamente se adapta à “fatalidade” ou reforçaria [esta força] se esta já existisse)”.

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