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Ciro defende a velha "novidade" das Parcerias Público-Privadas. Quem ganharia com isso?

segunda-feira 18 de junho| Edição do dia

Na manhã desta segunda-feira, 18, durante o Fórum Unica 2018, o pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes, afirmou que o Brasil precisa de uma reindustrialização, por meio de parcerias público-privadas como uma solução para melhorar o desenvolvimento nacional. Além disso o pré candidato defendeu a construção de um estado forte, porém não “gordo”, e disse que: “Os tomadores de decisão do País deveriam entender que alguma coisa está estruturalmente está errada no Brasil", sem colocar, no entanto, qual é este problema estrutural e obviamente sem questionar a existência de um grupo recluso que “toma decisões”

Ciro também comentou a recente mobilização de caminhoneiros, dizendo que o tabelamento de preços colocado pelo governo não faz sentido, e disse que o interesse de manter a alta no preço dos combustíveis é “legítimo, mas colide com outros”. É dessa forma amena e sem nenhuma pretensão de enfrentamento que Ciro Gomes, um candidato que curiosamente vem capitalizando sentimentos à esquerda, trata os interesses dos empresários e dos imperialistas que vem enfiando a colher querendo fatias bem largas dos lucros dos combustíveis nacionais.

Os interesses desses capitalistas não apenas colidem com “outros”, eles são na verdade diametralmente opostos aos interesses dos trabalhadores e de toda a população que vem sofrendo com as altas nos combustíveis, que o movimento de caminhoneiros nunca buscou, muito menos conseguiu reduzir, uma vez que este movimento patronal visava só a redução do diesel por meio da implementação de subsídios que tirará verbas do ICMS para cobrir o valor, tirando dessa forma, diretamente da educação pública e garantindo os privilégios desse setor da burguesia.

Nesse sentido seu programa se cola bastante ao de Boulos (PSOL), que diz que não pretende demonizar empresários já que esses “garantem empregos”, e pretende construir um “capitalismo com taxas de juros civilizadas”, estimulando o crescimento econômico do país por meio de uma política de industrialização, colocando também em pauta questões sociais com o objetivo de conciliar interesses, de certa forma, “atualizando” o projeto de conciliação de classes petista.

Ciro só não coloca na somatória a questão do momento econômico que o país enfrenta, com uma forte crise e taxas de desemprego na alturas, de modo que tanto seu programa como o de Boulos são os verdadeiros utópicos, pois não levam em consideração que não existe verba para dar as migalhas que o PT garantiu num momento de crescimento econômico, e que uma vez no governo, qualquer presidente, por mais conciliador que seja, será obrigado a aplicar todos os ataques que a burguesia prevê, inclusive dando entrevistas alertando os candidatos para isso, cobrando a “responsabilidade fiscal” que defendem, que nada mais significa além de garantir 40% do orçamento nacional para a dívida pública, esse roubo sistematizado que garante que nossas riquezas parem sempre nas mãos do imperialismo

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Além disso, faz uma separação entre o capital produtivo em oposição ao capital rentista, separação que não faz sentido desde o século passado, ignorando que é impensável para a burguesia nacional romper todos seus fortes laços com o capital financeiro internacional. O ”rentismo” é uma realidade para todas as empresas com ações na bolsa, e inclusive falhas nos investimentos no mercado não só podem como já levaram empresas à falência.

O que se pretende com isso é depositar esperança num crescimento econômico que não vai acontecer nos próximos anos, tentando alimentar a utopia de conciliar interesses quando a verdade é que os capitalistas em meio a crise fazem de tudo para proteger seus privilégios, e para isso demitem e precarizam trabalhadores, cortam programas sociais e jogam de lado o sistema público de saúde e de educação.

A verdade é que hoje está colocado no país, por conta desse cenário de crise, apenas duas saídas não utópicas: a primeira é um presidente que entre esse ano com estabilidade para dançar a música que mandar o imperialismo e a burguesia nacional, aplicando todos os ataques, principalmente a Reforma da Previdência, que se aplicada fará com que os trabalhadores morram trabalhando, sem direito à aposentadoria, cortar cada vez mais projetos sociais e avançar na privatização de empresas públicas.

A outra saída tem que ser por meio do enfrentamento com os capitalistas, por meio do não pagamento da dívida pública, mas colocando, ao contrário do programa do Boulos e de Ciro, os trabalhadores como sujeitos políticos, como foi no dia 28 de Abril numa forte greve geral que não se via há cem anos, impondo na rua a estatização total da Petrobras e a redução imediata de todos os combustíveis.

Essa saída não está sendo colocada por esses candidatos não por ser impossível, porque ela será possível no momento em que as direções dos movimentos como a CUT e a CTB construírem com a classe trabalhadora, a verdade é que não se colocam para a construção dessa alternativa porque suas promessas de projetos sociais não passam de demagogias de candidatos que por mais bem intencionados que sejam, terão que se subordinar aos capitalistas que são quem tem o poder inclusive de tirar presidentes que não os agradem completamente, como foi com Dilma em 2016.

Somente a mobilização por meio de fortes greves exigindo que se estanque o saqueio que é a dívida pública pode trazer uma saída dos trabalhadores, que para ser implementada precisa contar com que as centrais sindicais parem com suas sucessivas traições, como foi na greve geral do dia 30 de junho do ano passado e como foi na greve dos petroleiros, as centrais sindicais precisam cumprir com seus papeis e parar de atuar enquanto um braço esquerdo dos capitalistas.




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