CIRO GOMES

De esquerda não tem nada: Ciro quer montar "oposição" com PSDB, DEM e o Centrão

Terceiro colocado na disputa presidencial, Ciro Gomes (PDT), que durante sua campanha mostrou que passa longe de ser uma alternativa para os trabalhadores, está articulando a formação de uma "oposição" parlamentar ao reacionário presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que se contraponha à frente de esquerda proposta pelo PT.

segunda-feira 5 de novembro| Edição do dia

Ciro, a falsa alternativa à direita golpista, que saiu do Brasil durante o segundo turno para não se posicionar e que desejou "boa sorte" a Bolsonaro buscando incansavelmente a "neutralidade", agora almeja uma frente parlamentar na Câmara dos deputados com PSB, PSDB, PPS e DEM, que segundo ele não pretendem aderir à base de Bolsonaro mas também têm resistência a siglas como PT e PcdoB.

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Até o momento, o reacionário recém-eleito conta com o apoio estimado de 175 deputados federais da próxima legislatura e o campo de oposição formado pelos partidos “de esquerda” é composto por 90 deputados. Ciro diz que pretende fazer com que esse número se eleve a 120 e, para isso, está disposto a fazer alianças com quem quer que seja. Para ele, além de fazer "oposição" ao governo, a centro-esquerda deveria funcionar como uma “guarda da institucionalidade democrática”. E desde já é de se imaginar que tipo de "institucionalidade democrática" são capazes de defender partidos escravistas como PSDB, DEM e cia.

Ou seja, depositando tudo na falida estratégia parlamentar, defende um grande projeto de conciliação que culmina de um jeito ou de outro em ataques aos trabalhadores. Como a história já demonstrou, a dita "oposição parlamentar" tem cheiro da velha posição a qual ocupava o PT, supostamente existente para combater a direita, e que demonstrou fazer todo tipo de acordo com os partidos mais sujos do regime brasileiro e que tudo isso terminou com aprovação de Lei "anti terrorista" pelo próprio PT, com o fortalecimento do golpismo e do Judiciário como consequência do espaço que o PT abriu para a direita e consequentemente com a aprovação de reformas como a trabalhista e, por fim, na eleição de um candidato reacionário e ultraneoliberal.

Para essa conformação de alianças do “centrão”, Ciro questionou, por exemplo, sobre o DEM, mesmo partido de Onyx Lorenzoni, que foi nomeado como ministro extraordinário do governo de transição de Bolsonaro: “O que vai acontecer com o DEM? Vamos entregar de barato ou teremos uma conversa com o presidente da Câmara dos deputados Rodrigo Maia?”. Assim, deixou ainda mais explícito que seu objetivo real é fazer acordos com parte dos piores partidos da ordem, com o plano institucional dos golpistas e, dessa forma, não ser nem de longe uma oposição ao governo Bolsonaro.

Durante o período eleitoral, Marconi, coordenador da campanha de Ciro, já havia afirmado que é a favor da reforma da previdência - reforma que vem pra retirar o direito de aposentadoria do povo pobre enquanto mantém intacto os lucros dos capitalistas. Mauro Benevides Filho, seu assessor econômico, falou de privatizar mais de 77 estatais para continuar enriquecendo o bolso dos banqueiros e empresários. Além de ter Kátia Abreu, a famosa "motosserra de ouro", como vice, de fazer parte de uma bancada que votou a favor da absurda Intervenção Federal no Rio de Janeiro e de fugir de debates sobre questões democráticas como o aborto para “não confrontar cristãos”, o pedetista também chegou a afirmar que faria sua própria reforma trabalhista, para tranquilizar os patrões.

Em meio a uma crise econômica, conciliar não tem mais espaço. Nesse momento, ou são os capitalistas ou são os trabalhadores. A única alternativa viável para que sejam os capitalistas que paguem pela crise é a luta nas ruas, que neste momento deve se posicionar fortemente contra Bolsonaro e todo o seu plano de reformas, em especial na previdência e na educação, luta esta que deve se dar de maneira independente do PT, que já mostrou ter sua estratégia de conciliação falida. Ciro, após falar em reformas durante sua candidatura, apostar no parlamento e fechar acordos com partidos como o PSDB e DEM, mostra cada vez mais que de esquerda não tem nada e que está longe de oferecer uma alternativa.

Apesar de Ciro falar sobre se contrapor ao PT, é necessário apontar que esse partido também não constrói uma verdadeira saída para os trabalhadores, pelo contrário: com a direção dos maiores sindicatos e entidades estudantis da América Latina, trabalha para frear a luta contra Bolsonaro, o golpismo e as reformas. Não podemos ter ilusões. A força dos trabalhadores em aliança com a juventude é a única que pode fazer uma oposição consequente ao projeto escravista do presidente eleito.

Para que essa força seja significativa, é preciso desde já que sejam construídos pela base comitês em cada local de trabalho e estudo, cobrando da CUT, da CTB e e de todos os sindicatos, para além das entidades estudantis, um ofensivo plano de lutas para que sejam os capitalistas que paguem pela crise que eles próprios criaram.




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