Juventude

CHILE: MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL

Cinco motivos para se mobilizar dia 21 de Abril

sexta-feira 8 de abril de 2016| Edição do dia

1- A falsa gratuidade do Governo deixa milhares de jovens sem poder estudar

Desde que as autoridades anunciaram a “bolsa de estudos com gratuidade” durante o verão, o debate educativo não cessa. Em Fevereiro deste ano saiu a lista com os jovens que poderão estudar de graça. Dos 80.911 alunos que ingressarão pela primeira vez na universidade (dentro das 30 universidades que aceitaram a gratuidade), 40.134 estudantes conseguiram a bolsa. Se isto se soma aos estudantes antigos que também ganharam a bolsa, serão ao redor de 120 mil os beneficiados, uma cifra muito inferior ao prometido pelo Governo e, obviamente à demanda do movimento estudantil que exige educação gratuita para todos.

Além disso, esta “bolsa gratuidade” cobrirá somente os anos que durar o curso regular, e os estudantes que se atrasarem por diversos motivos terão que recorrer ao endividamento, tal como comentamos no La Izquierda Diario.

Em março, o Governo voltou a condicionar a gratuidade, assegurando que seria entregue somente para os 70% mais vulneráveis. Como se isso não fosse suficiente, dias depois cerca de 500 estudantes que haviam sido selecionados de maneira formal, foram avisados que já não teriam o benefício, tal como denunciamos. Com mais força neste 21 de abril os estudantes devem sair a mobilizar-se pela demanda histórica, pela gratuidade para todos!

2- A precariedade das universidades privadas e a importância da união entre os estudantes

São milhares os estudantes de certas universidades privadas que vivem a precarização cotidiana, que são parte das camadas mais baixas e representam também essa juventude ignorada. O caso da Universidade do Mar e o brutal abandono e desprezo com milhares de estudantes, demonstra que o Estado e as autoridades não querem assumir um direito básico.

Em Fevereiro deste ano se conheceu a resolução do Terceiro Tribunal de Garantia de Viña del Mar, organismo que determinou a indenização aos mais de 20 alunos da Universidade do Mar, decidindo que a instituição deveria custear todos os danos. Porém, poucos dias depois a universidade indicou que não tem recursos, de modo que os jovens seguem sem nada, sem respostas. Raúl Soto, ex-dirigente do estabelecimento disse que o Estado deve assumir o dano aos estudantes, mas ainda sim a universidade disse não ter como responder.

Situação similar vivem os estudantes da Universidade Arcis, que também ficaram na rua sem poder estudar, enquanto o Estado não dá resposta alguma frente às problemáticas que são resultado da educação de mercado permitida por todos os governos do Chile. Por acaso não deveria ser o Estado a instituição que se faz responsável pela falência das universidades, estatizando as universidades e permitindo que os jovens sigam estudando?

3- Os casos de abuso sexual e autoritarismo nas universidades

Tem se tornado publico vários casos de abuso sexual e abuso de poder em universidades. Os mais conhecidos são os que ocorrem na Universidade do Chile, especificamente na Faculdade de Filosofia e Humanidades, aonde estudantes junto com professores vêm se organizando para denunciar essas humilhações que são parte do brutal autoritarismo que se vive nas instituições educacionais.

Esta situação não está fora do debate da educação no país, pelo contrário, é parte de uma educação machista e discriminadora que concebe as mulheres como pessoas inferiores. Assim têm se expressado dirigentes estudantis e organismos como a Secretaria de Sexualidades e Gêneros da Fech (Sesegen). Bárbara Brito, militante do Pan y Rosas e Conselheira da Fech pela Faculdade de Artes tem denunciado no La Izquierda Diario, colocando a necessidade de lutar também por uma educação não sexista em todos os estabelecimentos educacionais, tanto de ensino superior como secundarista.

Os casos de abuso e machismo não são vividos somente na Universidade do Chile, são parte de todo autoritarismo universitário. Devido a isto, Secretarias de Gênero como na Pedagogia ou na Universidade de Valparaiso, também têm começado a visualizar esta problemática, realizando iniciativas como fóruns, debates ou a criação de “protocolos” frente aos casos de abuso sexual em universidades.

A isso se soma a mobilização empreendida por estudantes da Universidade de Valparaiso que exigiram ser parte da eleição para Reitor, porém, não foram escutados, como tão pouco foram professores e funcionários. A eleição das autoridades deveria ser mediante voto universal, expressaram os estudantes.

4- Expulsões arbitrárias de estudantes nas universidades

Um dos casos mais conhecidos é a Faculdade de Direito da Universidade de Chile que já no ano passado esteve em polêmica por haver expulsado estudantes, tal como informamos em nosso diário. Na atualidade, esta situação segue ocorrendo, pelo que foram realizadas diversas mobilizações para enfrentar o autoritarismo universitário.

5- Mobilização na Faculdade de Artes – Universidade do Chile por falta de salas para estudar

No final da semana passada, ao redor de 100 estudantes do curso de Dança, pertencente a Faculdade de Artes, tomaram a Torre 15, departamento administrativo, em rechaço à falta de resposta frente à carência de salas para poder realizar as aulas. Expressão concreta da precariedade das universidades, devido à educação de mercado e à falta de financiamento por parte do Estado.

Razões sobram para que neste 21 de abril as ruas do país se encham de estudantes, professores e trabalhadores, em defesa da educação gratuita para todos. Nestes dias prévios, é imprescindível que as organizações de esquerda, Federações, Centro de Estudantes, preparem o terreno, chamando assembleias gerais massivas para discutir como enfrentar as autoridades e conquistar as demandas históricas. É uma necessidade que esta mobilização chegue a todos os rincões do país, que seja massificada, difundida, discutida e convocada. O movimento estudantil deve tomar novamente seu posto.




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