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Ciências Sociais UFRN: Por uma entidade anti-burocrática, proporcional e ao lado des trabalhadores!

Diante das batalhas que o Bolsonaro decidiu impor contra os trabalhadores e a juventude, com a Reforma da Previdência avançando na Câmara e abrindo caminho para o “Future-se”, o CACS necessita ser parte das batalhas por um movimento estudantil anti-burocrático com a estratégia de unificação das lutas dos trabalhadores com a dos estudantes. Por isso, nós da Faísca reafirmamos nossa defesa de uma entidade proporcional, portanto que todo estudante que queira se organizar em chapa para defender suas ideias e propostas pro CA, tenha direito de ser representado como parte da gestão e defendê-las ao conjunto dos estudantes ao longo do ano.

quinta-feira 1º de agosto| Edição do dia

Nessa sexta-feira, 2 de agosto, vai ocorrer uma assembleia de Ciências Sociais da UFRN para discussão do estatuto da entidade. No semestre passado, em meio às manifestações contra os cortes na educação, a real necessidade de retomar a construção constante de uma entidade des estudantes de Ciências Sociais se expressou e possibilitou a construção de algumas atividades de debate entre alunos, mas que envolveram apenas parcialmente os estudantes do curso.

Para nós da juventude Faísca e do Esquerda Diário, seria fundamental que os estudantes pudessem aprofundar uma discussão sobre qual o papel de uma entidade estudantil. Mas isso não será por fora de colocar em primeiro plano a necessidade dos estudantes serem sujeitos da batalha pela unificação com a classe trabalhadora contra os ataques que estão colocados hoje.

Acreditamos que o próprio encaminhamento da reestruturação do CACS deveria passar pela construção coletiva onde cada estudante pudesse opinar sobre como deve se dar. O resultado do plebiscito demonstrou o interesse dos estudantes e também deveria colocar um alerta: é necessária a continuidade da discussão e esta tem que se dar em espaços amplamente divulgados e coletivos, e não um grupo que hoje é restrito a membros, que incluem militantes de juventudes do PT, como Kizomba e Paratodos, a UJS, juventude do PCdoB, que estão junto ao Levante Popular da juventude à frente do DCE da UFRN e da majoritária da UNE, cumprindo um papel de paralisia no movimento estudantil, ou do PSOL e estudantes autonomistas. Portanto, este processo precisa ser realmente democrático.

Não nos parece que um espaço previsto para 13 horas de duração contempla a construção de debate democrático, inclusive porque o prazo para a data de debate de estatuto foi definido há meses, que não corresponde mais ao momento político do país, consequentemente ao nível de mobilização estudantil que existia naquele momento, que precisa ser recuperado para que a entidade renasça fruto da auto-organização e represente cada diferença que floresça dentro desse processo.

A necessidade de construir um movimento estudantil verdadeiramente democrático é latente, por isso nós da juventude Faísca acreditamos que o melhor método para tal, com o objetivo de aprofundar a experiência prática dos estudantes com as diferentes estratégias e propostas que o movimento estudantil carrega em potencial, é o da gestão eleita proporcionalmente. Isso quer dizer que a gestão seria dividida em chapas majoritária e minoritária(s), que teriam o poder de decisão correspondente a proporção de votos que receberam nas eleições.

Assim, mesmo as posições minoritárias teriam a possibilidade de realizar propostas ao longo de todo o ano, não apenas no período de eleições, dando continuidade à experiência política, ainda que siga havendo uma chapa com maior poder de decisão, portanto com maiores responsabilidades, até por que responderiam a um setor mais amplo do curso.

É o que, para nós da Faísca, poderia impedir que o DCE da UFRN, por exemplo, passasse o ano inteiro sob a mesma política que levam as correntes majoritárias da UNE, ou seja a UJS PT (Paratodos, Kizomba, CNB), e o Levante, que nesse semestre significou impedir que auto-organização dos estudantes se desenvolvesse e tomasse as rédeas da luta, assim como aprofundar o chamado a unificação com os trabalhadores. Se recusaram a dar batalha para que as assembleias e comitês de delegados de base se fortalecessem na UFRN, mas ao mesmo tempo, a UNE negou que as centenas de universidades pelo país pudessem fundar uma coordenação nacional das lutas.

Nós da Faísca defendemos em todas as assembleias que estivemos na UFRN e no país durante a mobilização pros dias 15M, 30M e 14J, que a UNE chamasse um Comando Nacional de Delegados eleitos e revogáveis, por que acreditamos que assim a UNE poderia cumprir um papel de democratizar as decisões do movimento, colocando a responsabilidade das decisões às assembleias de cada local de estudo. Com delegados eleitos nas assembleias de cada universidade para representar esse processo de luta, tarefa que a UNE, ao se recursar a cumprir, diminui o papel que as entidades que dirige pelo país poderiam ter cumprido no fortalecimento da democracia de base entre os estudantes. Essa discussão é decisiva para se pensar que tipo de entidade precisa ser o CACS e que tipo de política coloca em risco que cumpra esse papel.

A política da majoritária da UNE não é outra senão aquela que vem levando o PT da CUT, e o PCdoB da CTB, nos sindicatos que dirigem nacionalmente, e que em Natal são muitos, a maioria! Em síntese, desde os anos em que o PT era governo, cumprem o papel de despolitizar e impedir a auto-organização dos trabalhadores, com sindicalistas há décadas levando a frente os sindicatos nos gabinetes dos ministérios e secretarias. Depois do golpe, fez recuar todo processo de luta, como a histórica paralisação nacional contra a reforma trabalhista em abril de 2017, deixou passar o golpe e a prisão de Lula.

Hoje, aceitaram aprovar a reforma da previdência em troca de que a PEC do imposto de sindical caducasse, mas porque não quiseram atrapalhar os planos do PT e PCdoB, que através dos governadores do Nordeste, negociam a reforma da previdência. O governador Wellington Dias (PT-PT), que tem representado o grupo de governadores nas negociações com o governo, acredita que essa reforma não é suficiente, porque ela deveria valer para os estados e municípios. Fátima Bezerra, cujo governo essas juventudes do PT e PCdoB estabelecem laços íntimos, está junto com esse grupo que, reunidos em Salvador essa semana, fizeram uma vergonhosa declaração de paz e submissão à agenda privatista do governo. Na mesma reunião em que “criticavam” Bolsonaro por suas declarações xenófobas cada vez mais frequentes.

Vinculamos essa discussão política com o papel do CACS porque ela é hoje a que tem que tem que ser combatida por ele e qualquer entidade, como primeira tarefa repudiar o burocratismo da UNE a serviço de que o PT e PCdoB entregue nosso futuro aos capitalistas. Foi essa a batalha que levamos até o CONUNE desse ano, que acontecia há pouquíssimos quilômetros da aprovação da reforma da previdência e não serviu para tirar as lições desse último período de mobilizações para propor um plano de luta até derrotar a reforma da previdência, o Future-se e o desmonte das universidades.

Nesse mesmo espaço, chamamos a Oposição de Esquerda, composta pelo PSOL, PCR e PCB, à conformação de um polo antiburocrático que batalhasse por essa auto-organização, única via capaz de quebrar as barreiras impostas pela política conciliadora da majoritária.




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