VIOLÊNCIA POLICIAL

Cidade Sitiada: a resposta da polícia a morte violenta de Guilherme

Domingo, 14 de junho, o corpo de Guilherme, 15 anos, foi encontrado com tiros nas mãos e na cabeça, num terreno baldio, no bairro Eldorado. Guilherme havia sido abordado por seguranças na praça ao lado da sua casa e desde então estava desaparecido. Havia acontecido um assalto em um super mercado perto. No chão da praça uma identificação da polícia militar.

terça-feira 16 de junho| Edição do dia

Imagens de uma câmera de segurança mostra a ação na praça, Guilherme conversa com um garoto que vai embora e fica alguns instantes sozinho quando é abordado por dois seguranças portando armas. Essas são as últimas imagens de Guilherme com vida.

A fúria negra que vem se alastrando pelo mundo após o brutal assassinato de George Floyd nos Estados Unidos, chegou a comunidade de Guilherme. Os moradores indignados com o brutal assassinato, cansados do racismo e da exploração diárias, encontram nas ruas o caminho para a resposta do seu ódio, e se manifestam. Isso aconteceu ontem (15) na Zona Sul de São Paulo.

A mesma polícia que mata é a que investiga e a que reprime. Na noite de segunda (ontem), instalou uma cena de guerra na região para reprimir os que se colocavam contra o brutal assassinato, contra o racismo, contra a exploração. Que veêm suas vidas rifadas todos os dias, ou pela exploração capitalista, ou pelas balas da polícia.

A resposta da polícia é atacar. Oprimir e cumprir sua função na sociedade: de manter a ordem vigente, a ordem racista, a ordem capitalista.

A polícia que cumpre no Estado burguês o mesmo papel que o capitão do mato cumpria nas fazendas escravocratas, identifica na população negra seu principal alvo. Diante da revolta dos moradores pelo brutal assassinato, reivindicando justiça e investigação para Guilherme, respondem com “toque de recolher” e violentíssimas abordagens. Aceitem o que tá imposto por vontade ou a força, é essa a mensagem.

As pessoas inconformadas buscam sua voz nas ruas. A suposta democracia do Estado burguês não permite que os trabalhadores, os pobres, explorados e oprimidos tenham voz. A saída desses setores é tomar as ruas e impor sua voz.

A cidade sitiada, vê a resposta do Estado, da polícia. A população que busca conforto e resposta, se vê novamente colocada na parede pela repressão do Estado. A cada dia mais exposto o caráter desse Estado e suas forças repressivas. Não estão aí para nós, para os trabalhadores, mulheres, negros, para nós que diariamente vemos descarregada nas nossas costas as crises criadas pelos capitalistas. Para nós que temos os trabalhamos mais precários, mais mal pagos, com extensas jornadas e cada vez com menos direitos, graças ao avanço da crise e da resposta capitalista para ela. Graças a Bolsonaro, Mourão e os militares, graças aos governadores, golpistas e o STF.

A população indignada começa a cada dia mais a reconhecer que o único método que poderá dar respostas a toda essa exploração, são os métodos da luta de classes. Como nos EUA com a força do Black Lives Matter que tem tomado as ruas por justiça a George Floyd e todas as vidas negras. No Brasil onde o assassinato de negros e negras nas favelas é sistemático, é necessário tomar as ruas e gritar por justiça para Guilherme, João Pedro, Geovane Gabriel, Ágatha e todas as vidas negras.

Veja também: População se revolta após Guilherme sumir e aparecer morto por policial um dia depois

Não podemos confiar na polícia e na justiça burguesas para responder aos crimes que elas mesmas cometem. É necessário que nos organizemos por fora dessas instituições que só planejam nossas mortes, sejam imediatas pelas balas polícias, ou gradativas pelos anos de exploração. Por isso chamamos a todas e todos que conheçam a agrupação de negros e negras Quilombo Vermelho. Apenas a organização para uma saída anticapitalista poderá colocar fim ao racismo e a toda a sociedade de opressão e exploração que é o capitalismo.

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