Gênero e sexualidade

8M

Chile: mais de um milhão de mulheres tomam as ruas em Santiago e por todo o país

Uma jornada histórica em Santiago do Chile e em todo país. A icônica Praça Dignidade completamente tomada pelas manifestantes.

domingo 8 de março| Edição do dia

Na histórica jornada de mobilização do Dia Internacional da Mulher, numa marcha de centenas de milhares, a agrupação feminista e socialista Pão e Rosas levou um lenço verde gigante pelo direito ao aborto, assim como bandeiras, músicas e intervenções que colocam a necessidade de que o movimento de mulheres, com toda a sua força, se proponha a tomar a consigna do Fora Piñera e a organizar as mulheres e a oposição pela Assembleia Constituinte Livre e Soberana.

Dentro da coluna do Pão e Rosas podemos falar com uma de suas dirigentes, Joseffe Cáceres, membro da direção sindical dos servidores da Universidade Metropolitana de Ciências e Educação (UCME), ex-pedagoga, que nos afirmou: “Hoje estamos mostrando o enorme potencial e a força do movimento de mulheres. Milhões saíram hoje às ruas numa nova mobilização histórica, gritando Fora Piñera e sua repressão, já que não passa de um governo assassino que tem apenas 6% de aprovação, que não nos entrega nada e somente oferece trapaças e uma brutal repressão. Com a mobilização esse governo deve cair, com as mulheres trabalhadoras, jovens e LGBT passemos a primeira linha da luta pela Assembleia Constituinte Livre e Soberana que jogará de lado esse governo”.

Junto com ela, Alejandra Decap, também integrante do Pão e Rosas, nos coloca que: “Este não é um 8M qualquer, no Chile ele ocorre num processo de rebelião popular que emergiu em 18 de outubro do ano passado, por isso esta força que temos precisa tomar a luta pelo Fora Piñera, visando a derrubada do principal responsável político pelas violações aos Direitos Humanos e pela violência política sexual contra as mulheres e aos setores oprimidos por parte dos Carabineros (força policial)”.

“A saída de Piñera é uma premissa básica para conquistar nossas reivindicações, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana e derrotar a repressão”, acrescenta Alejandra.

Entre músicas, gritos e saltos contra a repressão, contra o governo, pelos direitos das mulheres e pelas reivindicações históricas deste movimento, Beatriz Bravo, uma das porta-vozes da agrupação, nos disse: “O movimento de mulheres, e sobretudo das mulheres trabalhadoras, pode ser a faísca que ponha em movimento esse gigante, porém adormecido, chamada classe trabalhadora, e dessa maneira conseguiremos superar a política mesquinha dos dirigentes sindicais que convocam apenas uma paralisação de 11 minutos depois de 3 meses de trégua, assim poderemos avançar a uma perspectiva de luta que se proponha derrubar este criminoso que temos como presidente”.

“Por isso exigimos à Mesa de Unidade Social (coalizão partidária), à CUT (principal central sindical chilena), ao Colégio de Professores e à CONFECH (Confederação de Estudantes) para que rompam sua trégua com o governo e, tendo como base esta enorme força que temos liberado, passem a organizar um plano de mobilização sério, pois neste mês de março vimos que o governo tem respondido com uma repressão brutal, assassinando Cristián Valdebenito, cegando e mutilando os manifestantes. Apenas a força organizada da mobilização de trabalhadores, mulheres e jovens pode avançar a uma perspectiva de greve geral para derrotar o governo e conquistar uma Constituinte Livre e Soberana”.




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