Internacional

Chile é o país com mais contágios por COVID19 por milhão de habitantes em meio a demissões e manifestações pela fome

O governo começa a se contradizer, quando os insumos, equipamentos e leitos começam a ser escassos, frente a um novo recorde de contágios e em meio a manifestações contra precariedade da vida.

quarta-feira 27 de maio| Edição do dia

A crise sanitária e econômica não se detém em nosso país. Cada dia que passa aumenta o número de contágios, como também as mortes pelo COVID19.
E se é verdade que as últimas estatísticas publicadas pelo “Our Worl Data” dos Estados Unidos já causavam alarde e que foram publicadas pela jornalista Alejandra Matus, nas quais o Chile aparece no primeiro lugar de contágios para cada milhão de habitantes. As cifras se mantém desalentadoras enquanto hipócritas como o presidente Piñera e o ministro Mañalich estão à frente do país.

Isso é demonstrado pelas últimas cifras entregues pelo Ministério da Saúde, chegando a 77.691 infectados no dia de hoje, e no caso dos mortos, chegando a 806 pessoas, de acordo com as últimas informações apresentadas pelas questionadas autoridades durante a conferência de imprensa.

A América do Sul, por sua vez, tomou o centro da expansão do coronavírus nos últimos dias, onde se elevou de maneira preocupando e o número de contagiados é encabeçado pelo Brasil, que se encontra próximo aos 400 mil casos, seguido do Peru com 123 mil e em terceiro lugar, o Chile.

Isso preocupa, sem sombra de dúvidas, não apenas os especialistas, mas a população de conjunto que vê como os insumos e equipamentos ficam cada dia mais escassos para responder a um problema que parece longe de se resolver, e muito pelo contrário, vem afetando cada vez mais a denominada “primeira linha” dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde, assim como os setores mais precarizados e golpeados por demissões e suspensões de emprego.

Até mesmo a partir da Mesa Social pelo COVID-19, por meio do Colégio Médico, se pronunciaram frente à crítica situação que é vivida no sistema de saúde, e a que está no porvir.

"Quando dizemos que não se está fazendo tudo o que se deveria fazer para poder conter esta pandemia, temos exemplos muito concretos e é preocupante ver o excessivo tempo que está sendo ocupado, discursivamente e na prática, em falar de respiradores mecânicos e o pouco que está sendo feito para diminuir os contágios, que é a única maneira que permite sair deste surto epidêmico de agora até algumas semanas, mas sem que isso se transforme em uma catástrofe ainda maior.”

As denominadas “manifestações pela fome” vem ocorrendo todos os dias, em diferentes lugares de Santiago, onde famílias enraivecidas saem para se manifestar contra o governo que legitima a situação de instabilidade trabalhista na maldita “lei de proteção de emprego”, enquanto os grandes empresários dividem os lucros entre si, ao passo que deixam os trabalhadores e trabalhadoras nas ruas. O primeiro trimestre do ano sinaliza 8,2% de desemprego segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), e são mais de 593 mil pessoas, as que são afetadas pela suspensão de contratos.

A crise que se estende frente a um governo à serviço das grandes fortunas
Pouco serve ao governo convocar um aplauso massivo para os trabalhadores da saúde, sendo que são estes mesmos trabalhadores e trabalhadoras os que, longe de pedir aplausos, pedem em alta voz insumos, e que o governo se responsabilize uma fez por todas pelo ineficiente sistema de saúde pública, onde o questionamento sobre “o último leito” para atender os pacientes críticos, está dobrando a esquina.

O que fica demonstrada é a relação entre o governo e os grandes empresários, que preferem culpabilizar as pessoas pelo contágio por COVID 19 pela sua irresponsabilidade do que fazer qualquer referência à política criminosa que expõe milhares de trabalhadores e trabalhadoras ao contágio, enquanto os grandes empresários já fizeram enormes lucros enquanto geram demissões. Assim fica demonstrado, por exemplo, no caso da empresa LATAM Airlines, que lucrou 57 milhões de dólares e são capazes de deixar 290 trabalhadores e suas famílias de braços cruzados.

A hipocrisia do governo não dá mais, e são os trabalhadores a partir dos seus organismos centrais, em aliança com estudantes, comunidades e diferentes setores que se organizam contra os ataques do governo e sua política de fome, os que podem dar uma resposta na raiz frente à crise econômica e sanitária da pandemia. Os grandes empresários querem descarregar a crise no povo trabalhador, que a crise seja paga por eles!

Publicado originalmente no La Izquierda Diario Chile




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