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Chile: “comemorar o 1º de maio na delegacia"

Neste primeiro de maio dezenas de trabalhadores, jovens e militantes de esquerda foram detidos na Praça da Dignidade em plena comemoração do dia dos trabalhadores. Contamos a história a partir do relato de um dos detidos.

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

Cheguei pela manhã na praça dignidade, estava lotada de policiais, algo totalmente por fora da realidade. Eu ia caminhando pela avenida Vicuña Mackenna, já perto da Praça da Dignidade, e daí vi as fileiras de vans, essas máquinas novas que chegaram em plena pandemia enquanto deixam a trabalhadores sem salário e suas famílias com fome.

Era totalmente delirante, estavam preparados para outubro, não havia um só monumento que estivesse sem policiais, além de, obviamente, os carros, furgões e os piquetes parando todo mundo, controlando as pessoas.

Eles me agarraram, eu estava em uma rua que dava com a rua Providência e com todos meus elementos de proteção pessoal como álcool gel e máscara. Me subiram na van e eu não sabia porque estavam me levando. Me subiram junto com vários e aí me perguntaram se eu tinha ou não salvo conduto, porém eu já estava detido e não era claro se era por desordem ou pela lei da quarentena.

Já chegando a delegacia, quando começaram a nos organizar nos lugares, só aí nos disseram que estávamos infringindo a quarentena quando nem sequer pediram a muitos de nós o salvo conduto.

Já dentro da delegacia nos separaram em grupos de 20, em três celas. E também havia uma fila grande de gente com cerca de 30-40 pessoas e, depois, em um espaço separado com grades de isolamento, havia outro recinto onde meteram mais 30 ou 40 pessoas . Passava muita, muita gente por aí. Bem, imagine tudo isso, imagine-se em um espaço ínfimo, que era como uma sala com 20 pessoas que estávamos sempre uma ao lado da outra, impossível de ter, não sei, meio metro de distância de alguém. É impossível que tenha havido somente 57 detidos como diz a polícia.

Bem, não havia muita clareza de quando nos iam soltar, então começaram a chegar advogados para tirar-nos, e a maioria éramos militantes de esquerda.

Não tínhamos nenhum recurso, ou seja, não tínhamos álcool gel ao alcance e os que tinham não podiam retirar da mochila, não havia para nós nenhum cuidado sanitário, ou seja, depois nos inteiramos que havia um doente de COVID, apareceu registrado e o levaram. Então era uma irresponsabilidade tremenda porque o espaço até dava para nos acomodar melhor, vejam vocês.

Não havia nenhuma, mas nenhuma norma de cuidado com a gente, em troca, os policiais tinham de tudo: álcool gel, máscaras, etc..

Enquanto o governo se reúne com empresários para planejar suas medidas, enquanto Mañalich (Ministro da Saúde) hoje assume que durante meses manipularam as cifras fazendo menos testes do que se poderia e agora os casos disparam e nos oprimem como em uma ditadura. Tudo para que sigamos trabalhando, expondo a nós mesmos e nossas famílias; neste primeiro de maio reprimem sem perguntar qualquer tentativa de protesto ou de comemoração da nossa classe, que á a que faz funcionar o mundo e que hoje está na primeira linha enfrentando o vírus. Os empresários desde suas casas ordenando demissões e suspensões. Vamos acumulando raiva e mais raiva, E saibam que não deixaremos que nos pisoteiem.




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