Internacional

Chile: Presos políticos mapuche há 85 dias em greve de fome frente a indiferença de Piñera

Na última semana foram vistas no Chile distintas manifestações e ações em solidariedade com os 27 presos políticos Mapuche em greve de fome. O governo de Piñera não só não escutou as reivindicações como mandou reprimir os protestos.

segunda-feira 27 de julho| Edição do dia

Hoje há oito presos políticos Mapuche no presídio de Angol, na Araucanía chilena, somado ao machi Celestino Córdoba que cumprem já 85 dias de greve de fome. Em 4 de maio começaram o atual protesto, que já seria a sexta greve de fome do machi desde que está encarcerado, condenado a 18 anos de prisão em 2014 em meio a um julgamento irregular.

A greve de fome se somaram posteriormente outros onze presos da cadeia de Lebu que já estão a 22 dias de greve e já há 9 dias que os últimos se somaram; sete presos da cadeia de Temuco. Todos eles, solicitam a aplicação efetiva do Convenio !( da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre Povos Indígenas e Tribais em Países Independentes, que foi ratificado pelo Chile no ano de 2008.

El jueves 9 de julio en la Comisión de Derechos Humanos del Senado se realizó una sesión para “conocer la situación de los presos mapuche, la cual no tuvo avances ya que el ministro de Justicia y Derechos Humanos, Hernán Larraín insistió que el dialogo debía ser entre los voceros de los huelguistas y gendarmería.

Apelam principalmente ao artigo 10 que coloca: "quando se imponham sanções penais previstas na legislação geral a membros dos referidos povos deverão ser tomadas em conta suas características econômicas, sociais e culturais... deverá dar preferência a tipos de sanção distintos de encarceramento". Onde se solicita que a totalidade deles, tanto quem se encontra em prisão preventiva ou já estejam condenados, possam cumprir sua pena nas respectivas comunidades. Na quinta-feira 9 de julho na Comissão de Direitos Humanos do Senado se realizou uma sessão para "conhecer a situação dos presos mapuche, a qual não teve avanços já que o ministro da Justiça e Direitos Humanos, Hernán Larraín insistiu que o diálogo deveria ser entre representantes dos grevistas e gendarmeria.

Rodrigo Curipan, dirigente del Lof Rankilko y werken (vocero) de los presos políticos mapuche de la cárcel de Angol, en una ocasión señalo:

Rodrigo Curipan, dirigente do Lof Rankilko e werken (portavoz) dos presos políticos mapuche da cadeia de Angol, em uma ocasião afirmou: O governo "nos convida a conversar com o diretor nacional da Gendarmería, Cristian Alveal, autoridade que não nos dá confiança. Conversamos com ele por quase um ano, porque a gendarmería tomou a determinação, de forma unilateral, de definir como se fazia uma atividade cultural e nem sequer nos consultaram o protocolo, nada. Finalmente, as atividades Mapuche não puderam se desenvolver mais em Temuco, nem em Lebu nem em Angol. Há uma forma discriminatória de que os mapuche não pudessem ter atividades tradicionais dentro da cadeia".


Fotografia: Felipe Durán

O machi que sempre reclamou sua inocência, foi condenado em 2014 a 18 anos de prisão por "incêndio com resultado de morte em caráter terrorista", no caso que terminou com as vidas do empresário Werner Luchsinger e de sua esposa Viviane Mackay em 2013.

Nesta quarta-feira 15 de julho, a noite, o machi foi transferido ao Hospital Intercultural de Nueva Imperial, devido a seu crítico estado de saúde, como declarou sua médica de confiança. "Que ele tenha uma bradicardia, quer dizer, um coração que bate devagar, é uma consequência da greve anterior". Na quarta-feira 22 iniciou sua greve seca, mesmo dia que recebeu a visita do subsecretário de Justiça, Sebastián Valenzuela, e o diretor nacional de Gendarmería, Christian Alveal. Onde foram "autorizados" a realizar cerimônia espiritual duas vezes ao mês, visita conjugal todas as semanas, para condenados e acusados quando passe a pandemia e a possibilidade de permitir a livre convivência dos comuneiros mapuche que s encontram nas cadeias.

Giovana Tafilo, uma das representantes do machi, declarou que a decisão de continuar com greve de fome líquida, foi "graças a nossas autoridades tradicionais, machi, lonko werkén, comunidades em resistência, a própria comunidade Chicahual Córdoba que estiveram presentes na cerimônia e que puderam conversar com nosso machi, ’queremos você vivo’ ".

Piñera entre o ano 2010 e 2011 teve que enfrentar a protestos destes níveis, greves de fome, onde se denunciavam a aplicação da Ley Antiterrorista, e pela dupla judicialização aos que eram submetidos. Uma das mais emblemáticas, depois de 82 dias, 23 grevistas de Concepción, Lebu e Temuco.

En las distintas cárceles donde se encuentran recluidos los presos políticos Mapuche, se han realizado movilizaciones y concentraciones solidarizando con sus demandas y exigiendo su libertad.

Muitas tem sido as situações que evidenciam profundamente a intransigência do Estado, e a atitude de nulo diálogo como colocaram alguns meios " ao mais puro estilo de Margaret Thatcher em 1981".
Nas distintas cadeias onde se encontram reclusos os presos políticos Mapuche, realizaram mobilizações e concentrações solidarizando com suas demandas exigindo sua liberdade.

Marcelo Catrillanca, pai do weichafe assassinado pela polícia, Camilo Catrillanca. Que regressava a sua comunidade e teve uma arma apontada por um carabinero depois de participar na marcha mapuche que se realizou em Angol.

Ada Huantecol, mãe de Brandon Hernández - o mapuche com 90 projéteis em seu corpo; foi detida por carabineiros, com dois de seus filhos em Collipulli. Que declara no meio Onferencia: "o que ocorreu é que decidimos cortar a estrada em apoio a greve de fome. Uma manifestação pacífica. Há um quiosque fora da nossa vila e fomos comprar umas sopaipillas enquanto tudo estava pacífico. Depois disso, começaram a chegar Forças Especiais, e eu só comecei a gravar ao vivo, porém, como sempre não reagem e sem motivo algum, nos detiveram. Nos soltaram uma hora mais tarde, não havia motivos para detenção. Nós seguiremos nos mobilizando, porque os grevistas não estão sós".

Na terça-feira 21 de julho, a Anistia Internacional enviou uma carta aberta a Piñera. A diretora para as Américas da Anistia Internacional, Erika Guevara Rosas declarou: "As pessoas privadas de liberdade seguem tendo direitos humanos, incluindo os direitos de receber atendimento médico adequado, de ser informado das consequências prováveis de uma greve de fome para a saúde e de recusar a alimentação. Relembramos também as autoridades chilenas que das 19 pessoas em greve de fome estão em prisão preventiva, a quem se aplica a presunção de inocência, e em alguns destes casos o mesmo governo é demandante através da intendência Regional, razão pela qual deveria considerar-se com urgência a substituição da medida cautelar por outras que não se cumpram em um centro penitenciário".

Diante da nula opção de diálogo e a indiferença do governo, se mantém o chamado a ações e mobilizações em todos os territórios nesta quarta 29 de julho, os porta-vozes e Rede de apoio pelo machi os presos políticos Mapuche convocaram desde as 10 da manhã na praça do hospital, para exigir a liberdade dos presos políticos mapuche.




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