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Chile: Por uma frente das e dos trabalhadores e esquerda anticapitalista

É preciso uma expressão política própria dos que lutamos por uma verdadeira Assembléia Constituinte Livre e Soberana, um programa para que a crise a paguem os capitalistas e por um governo das e dos trabalhadores, para intervir em comum no processo constituinte.

segunda-feira 7 de setembro| Edição do dia

Reproduzimos abaixo a declaração do PTR - Partido Revolucionário de Trabalhadores, organização irmã do MRT no Chile.

O governo de Piñera está em uma forte crise, com sua coalizão dividida. Os grandes empresários se debatem na defesa irrestrita de seu modelo, ou sinalizam "reformas" para conter a raiva popular, mas sem tocar nos pilares destes 30 anos de herança da ditadura.

Isto, enquanto buscam a todo custo que sejamos nós, trabalhadoras e trabalhadores, quem paguemos pela crise, com perda de empregos, suspensões e redução de salário. Mas a rebelião que protagonizamos desde outubro, apesar de que Piñera quis usar a pandemia para virar a página, não foi derrotada como demonstramos com panelaços e protestos em repúdio a este governo que segue nos reprimindo.

A crise política que significou para o governo a aprovação do projeto dos 10% voltou a abrir o processo constituinte, o qual como vemos estará atravessado de tensões, divisões nos partidos tradicionais, pressão popular e ameaças de paralisações de setores da classe trabalhadora como o de portuários, entre outros.

Mas não esquecemos que o processo constituinte está cheio de armadilhas e foi pactuado pelos partidos do regime 2 dias depois de 12 de novembro, que foi a histórica greve geral que sacudiu o país inteiro, no que se chamou o "Acordo de Paz para um nova Constituição".

Assim, estão se preparando com tudo para o início do processo constituinte cuja campanha inicia em 26 de agosto e o plebiscito em 26 de outubro, e se ganhar a convenção constituinte, eleições em 11 de abril do próximo ano.

O plebiscito de 26 de abril não se pode votar por uma Assembléia constituinte Livre e Soberana, mas sim por uma Convenção Constitucional cheia de armadilhas: com um terço dos votos, os partidos tradicionais poderão vetar toda iniciativa favorável ao povo; não se poderão tocar os Tratados de Livre Comércio que protegem os investimentos das transnacionais nas AFP (o sistema de pensões do país), educação ou saúde e permitem o saqueio de nossos recursos; as e os estudantes secundaristas nem sequer tem direito a votar e ser eleitos; mantém a impunidade aos opressores. Por isso denunciamos que o processo é uma armadilha para nos tirar das ruas e salvar Piñera e seu regime.

Nós sabemos que a unica forma de conquistar nossas demandas é retomando o caminho do 12 de novembro em perspectiva de uma greve geral para derrotar a Piñera e impor uma Constituinte Livre e Soberana, e essa é a luta que impulsionamos, porque sabemos que o plebiscito é uma armadilha.

Porém, é provável que milhões buscarão participar com a expectativa de derrotar a direita nas urnas, e por isso as e os revolucionários devemos nos propor intervir em comum para ter nossa própria voz política, uma voz das e dos trabalhadores, independente dos grandes empresários e seus políticos. Para que as ideias anticapitalistas possam chegar a milhões.

Uma alternativa para que milhares de trabalhadores e lutadores não tenham que seguir votando a quem traiu nossa luta e nossa mobilização como a Frente Ampla (FA) e o Partido Comunista (PC). No caso da FA, foram parte junto à direita e a Velha Concertação da armadilha da "cozinha" do Acordo pela Paz para desviar nossa luta nas ruas, e depois inclusive um setor votou a favor da lei anti-encapuzados. Agora se unem aos ex-concertacionistas como o ministro de Bachelet, Marcelo Díaz e buscam ampliar-se à centro-esquerda com os falsos amigos do povo.

Por sua vez o PC, ainda que firmou o acordo constituinte, desde esse dia mantém uma trégua com o governo, como mostra o silencio criminoso de Bárbara Figueroa e a CUT, grandes ausentes durante todos estes meses. Além disso, este partido votou junto a UDI, a favor do projeto de proteção do emprego de Piñera que significou um enorme ataque às condições de trabalho e centenas de milhares de demissões encobertas. Com o comando Chile Aprovo, abandonaram qualquer referência a luta por Fora Piñera e a Assembléia Constituinte. com a CUT são quem abriram o caminho ao acordo para abandonar a greve geral.

Por isso devemos ter uma alternativa política própria, que não tenha nenhum compromisso com este regime nem seus partidos; que lute para terminar com todas as heranças da ditadura. Somos milhares que sabemos que com estes partidos não poderemos triunfar, e que durante a pandemia seguimos organizados em cozinhas comunitárias, assembléias territoriais, comitês de emergência e coordenadorias. Por isso devemos lutar por uma alternativa política. O cenário abre enormes possibilidades para dialogar com milhões nossas idéias, e para reagrupar a todas e todos aqueles que buscam uma alternativa que se proponha por fim a todas as heranças da ditadura e uma perspectiva capitalista.

É por isso que há alguns meses abrimos uma discussão com uma "Carta por uma nova esquerda revolucionária e da classe trabalhadora" onde dialogamos com centenas de pessoas assim como outras organizações. Esse debate para nós é estratégico, posto que não há garantia de vitória sem superar ao Partido Comunista, a burocracia sindical e a Frente Ampla, que são quem nos impede de levar nossa luta até o final. Ao mesmo tempo durante todos estes meses lutamos por ampliar a coordenação operária e popular, impulsionando a coordenação, ações de protestos em hospitais e corte de rotas como fizeram desde o comitê de Emergência e Resguardo em Antofagasta.

Todos os que juntos lutamos por pão, saúde e trabalho, para por fim às AFP e conquistar um sistema de distribuição solidária administrado por trabalhadores/as e aposentados/as e por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana temos que fazer que esta luta e este programa cheguem a milhões.

desde o Partido de Trabalhadores Revolucionários estamos iniciando o processo de legalidade para poder apresentar candidatos ao processo constituinte que sejam trabalhadores e trabalhadoras, estudantes, jovens em trabalhos precários, população, povos oprimidos que apresentem claramente um programa para que a crise seja paga pelos grandes capitalistas, como parte da luta por um governo das e dos trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Nosso objetivo é por esta ferramenta a disposição de todas e todos os lutadores que querem dar esta batalha, partindo de quem impulsionamos todos estes meses de rebelião e depois de pandemia, diversas instâncias de organização e coordenação em comum, e assim impulsionar em conjunto uma frente de trabalhadoras e trabalhadores e a esquerda anticapitalista.

Não às demissões e suspensões, mantendo integralmente o salário. Revogação da lei de proteção do emprego. Imposto extraordinário às grandes fortunas, para garantir um salário de emergência de $500.000 (cerca de 646 dólares) a todas e todos os mais de 3 milhões de trabalhadores informais. Pelo retiro de 10%! Não mais AFP!, por um sistema de repartição tripartido, solidário, gestionado pelos comitês de trabalhadores, aposentados e profissionais ligados a organizações sociais. Por um sistema de saúde público único, nacional e gratuito. Liberdade aos presos políticos da rebelião e os presos políticos mapuche. Pela coordenação e unidade de trabalhadores e o povo. Pela nacionalização dos recursos naturais e estratégicos assim como as empresas privadas na ditadura e democracia, sem indenização e sob gestão dos trabalhadores e do povo. Por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana e fora Piñera. Que a crise a paguem os capitalistas. Por um governo das e dos trabalhadores.

Convocamos às e aos trabalhadores, a todas e todos os lutadores e as correntes que se reivindicam anticapitalistas a discutir em comum esta perspectiva.




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