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Chile: Polícia reprime povo mapuche, invade casas e detém cidadãos sem provas

A perseguição e repressão ao povo mapuche no Chile é histórica. Desde o período colonial até os dias atuais, os mapuche sofrem ataques, perdendo suas terras, suas vidas e liberdades. Essa semana, na região sul do país, o Estado, com seu aparato repressivo policial, invadiu comunidades e prendeu diversos cidadãos mapuche.

sexta-feira 29 de setembro| Edição do dia

No ano de 2016, na região sul do Chile, região em que se encontram a maioria das comunidades indígenas mapuche, houveram casos de queimas de igrejas cristãs e ataques à região de Padre Las Casas. O Estado, contando com seu aparato repressivo policial, acusou e deteve quatro cidadãos mapuche, Pablo Trangol, Benito Trangol, Ariel Trangol e Lonko Alfredo Tralkal, que passado um ano e meio, ainda se encontram sob prisão preventiva e sem julgamento.

Esse caso foi uma das ocorrências que ocorrem no Chile de repressão e criminalização por parte do Estado ao povo mapuche, em especial na região sul do país, de La Araucanía e El Bío-Bío, onde se concentram a maioria das comunidades originárias mapuche.

Essa semana esse clima de repressão e criminalização aumentou, diversas comunidades sofreram invasão policial. Como parte da operação “Plano Furacão”, da Direção de Inteligência da Polícia, foram detidos mais cidadãos mapuche, que foram acusados como responsáveis por queimar caminhões na região sul do país, dentre demais supostos delitos. Esses detidos estão em prisão preventiva, demonstrando a política estatal de perseguição aos dirigentes mapuche e às suas comunidades em resistência.

As detenções ocorrem sob a lei 18.314, chamada Lei Antiterrorista, vigente desde a ditadura militar chilena e que foi mantida por todos os governos sucessores. Atualmente, já somam mais de 13 presos políticos mapuche, os quais todos aderiram à greve de fome seguindo o exemplo dos quatro mapuche do caso de 2016, relatado acima. Os quatro presos políticos que estão há um ano e meio detidos, já há 115 dias estão em greve de fome, encontrando-se em sério estado de saúde, sendo transferidos essa semana ao Hospital de Temuco e tendo avaliação médica de “alto risco”, contando com poucas horas de vida.

A greve de fome tem como objetivo não só lutar por um julgamento justo, mas também repudiar e mostrar-se contra a aplicação da Lei Antiterrorista, que se caracteriza como um resquício da ditadura militar, sendo utilizada pelo governo atual de Bachelet contra os grevistas. Além disso, denunciam o uso de testemunhos encobertos, provas falsas e a prisão preventiva extensa como medida cautelar.

Essa semana foram realizadas inúmeras e diversas ações de solidariedade e apoio aos grevistas mapuche, além de repúdio à repressão do Estado, como cortes de rua e manifestações massivas em distintas cidades do Chile. Essas mobilizações contaram com a presença de diversas organizações, tanto do povo mapuche, como da sociedade civil chilena e internacional, organizações políticas e sindicais, de direitos humanos, profissionais da saúde, de estudantes em apoio e solidariedade aos grevistas.

Esse não é o único nem o primeiro caso de ataque ao povo mapuche. Na Argentina, há mais de um mês e meio o jovem Santiago Maldonado foi forçadamente desaparecido pelo Estado e seu aparato repressivo, a polícia. Ativista da causa mapuche do outro lado da cordilheira, Maldonado lutava contra a tomada de terras de seu povo originário pela empresa Benetton. Infelizmente, tampouco foi o primeiro caso de desaparecimento forçado. O jovem José Huenante, também está desaparecido, desde 2005, pelas mãos do Estado chileno. Os casos de perseguição e criminalização são inúmeros, demonstrando o caráter repressivo dos Estados que assim reafirmam as políticas coloniais e racistas, negando e atacando a cultura de seu povo originário.

Basta de perseguição ao povo mapuche, ao ataque e retirada de suas terras, invasão às suas casas e comunidades. Basta de repressão por parte da polícia e desaparecimento forçado por mãos do Estado. Desde o Esquerda Diário, rede internacional, exigimos a liberdade de todos os presos políticos mapuche, a aparição já dos desaparecidos pelo Estado, nos posicionando contra todas as suas políticas de repressão e criminalização.




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