Internacional

REPRESSÃO POLICIAL

Chile: Polícia mata jovem torcedor do Colo Colo em Santiago

Com raiva e dor soubemos da brutal morte de um jovem torcedor do Colo Colo, pelo impacto de um caminhão de policiais Carabineros, (espécie de tropa de choque chilena, NdT). Isso se dá em um contexto de dura repressão policial por parte do governo, que foi denunciado por organismos internacionais de Direitos Humanos.

quarta-feira 29 de janeiro| Edição do dia

“Nos informam que produto de graves ferimentos, o menino faleceu enquanto era atendido. Enviamos as condolências a sua família e amigos, e o repúdio mais enérgico a atuação da polícia criminosa. #PiñeraAsesino”, publicou no Twitter a torcida Colo Colo de Todos, referindo-se a brutal morte do jovem torcedor Jorge Mora Herrera.

O jovem foi brutalmente atropelado por um caminhão de Carabineros, durante a noite desta terça feira, do lado de fora do Estádio Monumental, após a realização de uma partida entre Colo Colo e Palestino.

O assassinato ocorreu na intersecção da avenida Departamental com Exequiel Fernández, quando mais de 30.000 pessoas se retiravam do estádio. Nesse momento foi atropelado por um caminhão de Carabineros, em meio a uma brutal repressão policial.

Após do atropelamento, começaram a correr pelas redes sociais diversos vídeos que mostraram o momento do impacto e, além disso, a repressão posterior ao atropelamento que a polícia seguiu empreendendo e que dificultou a atenção ao jovem.

Também houveram pronunciamentos por parte de contas de Facebook relacionadas aos torcedores do Colo Colo: “Condenamos e repudiamos de forma enérgica a atuação e perseguição covarde dos Carabineros, contra as torcidas organizadas e a torcida do Colo Colo em geral. Seremos claros... Não voltará o futebol até que paguem os assassinos do povo e quem os amparam. Exigimos justiça e punição!!!”

Quem também se pronunciou foi o dirigente político Dauno Tótoro, que manifestou que “não podemos permitir que sigam nos matando nas ruas, enquanto falam do “pacto pela paz social”. Nesse sentido, se faz necessário que organizações políticas da esquerda, de Direitos Humanos, organizações sociais e estudantis, levantem uma grande campanha contra a repressão, contra a impunidade, por justiça para Neco (como chamavam o jovem torcedor), e exigindo justiça e castigo aos responsáveis materiais e políticos desse crime.

Desde já enviamos nossas condolências a sua família, amigos e próximos, e expressamos nosso total repúdio ao governo de Piñera, responsável político da morte do jovem e de todos os assassinatos, mutilações, torturas, e outros absurdos ocorrudos durante este processo de mobilizações; e, também, a instituição de Carabineros, que acabou com a vida de 30 pessoas desde que iniciou a rebelião, deixou mais de 360 pessoas sem visão ou com graves danos, e tem violado, torturado e golpeado a milhares de pessoas.

Este terrível assassinato não pode acabar impune. Desde que se firmou o “Acordo pela paz e uma nova constituição” 3 jovens foram mortos em Santiago: Abel Acuña, Mauricio Fredes e agora Jorge Mora; além de mais pessoas que perderam a vista, ou que apanharam brutalmente como é o caso de Óscar Pérez, jovem que poderia ter sido morto após ser esmagado por dois “porcos”.

O assassinato de Jorge Mora por parte da polícia vem de mão de uma política repressiva e de criminalização que leva a frente o governo de Piñera, e que é sustentada pela maioria dos governos da Ex-Concertacion (coalização política pós-ditadura chilena, NdT), como foi a aprovação no Congresso da “lei antiprotestos” (chamada pelo regime de “antisaques”), a aprovação no Senado da lei que permite que militares saiam as ruas a “resguardar infraestrutura crítica”, e atualmente pretendem aprovar um projeto que fortalece o estatuto de proteção a Carabineros.

Até o momento a Anistia Internacional, Human Rights Watch, o produção do alto comissariado dos direitos humanos da ONU e a Corte Interamericana de Direitos Humanos manifestando sua preocupação pelos feitos repressivos e violações aos direitos humanos ocorridos no país.

A isso se soma a presença da organização Missão Canadense de Observação de Direitos Humanos, que esteve estes dias no Chile, e que determinou que no país existe repressão massiva e sistemática, e graves feitos de violência por parte da polícia.

Esta cruel repressão, que leva a vida de jovens e trabalhadores – e que se expressa também em situações de violência policial em populações, como Miramar, de Antofagasta, ou o Lo Hermida, de Santiago -, se dá enquanto que “por cima” os partidos deste regime político apodrecido impulsionam o enganoso e trapaceiro “processo constituinte”, que pretende manter intacto o regime herdado da ditadura.

Não se podem seguir tolerar mortes de jovens e lutadores. Quantas outras vidas serão levadas por este governo assassino e sua polícia? Deve haver uma resposta contundente, e para ele os principais organismos sindicais como Mesa de Unidad Social, a CUT, o Colegio de Professores; os organismos e estudantis e federações, como a Confech, a ACES, Cones, junto a organismos de Direitos Humanos, devem impulsionar mobilizações e ações para enfrentar a agenda repressiva do governo e evitar que siga avançando com suas leis de criminalização.

É imprescindível que exista uma respostas nas ruas e com organização. A trégua e passividade das direções sindicais e estudantis, que poderiam perfeitamente organizar uma mobilização unitária e impulsionar um plano de luta, propicia que o governo persista em sua agenda repressiva, que tem por objetivo amassar os setores que continuam se mobilizando. Não podemos deixar que este assassinato que continuam se mobilizando. Não podemos deixar que este assassinato fique impune! Justiça e castigo contra os responsáveis políticos e materiais dos assassinatos e violações aos direitos humanos!




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