Gênero e sexualidade

COBERTURA INTERNACIONAL - 8 DE MARÇO

Chile: 25 mil pessoas na impactante marcha pelo Dia Internacional da Mulher

A primeira grande marcha do ano conseguiu convocar cerca de 25 mil pessoas que se mobilizaram na comemoração do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Aborto, direitos trabalhistas, nenhuma violência e feminicídio mais, e denúncia ao regime político, foram os eixos.

quinta-feira 10 de março de 2016| Edição do dia

A mobilização pelo 8 de março superou todas as expectativas; e isso não é menor frente ao um ano de intenso debate em matéria de gênero, em especial em relação ao direito ao aborto, a principal demanda exigida por milhares de mulheres e que neste mesmo dia estava sendo discutida no Parlamento. Como primeira grande marcha que abre o ano político, as mulheres trabalhadoras, jovens, estudantes, dirigentes sindicais, mães, mapuches, tomaram às ruas de Santiago denunciando a indiferença das autoridades, a falta de direitos sexuais e reprodutivos, trabalhistas e sobretudo, a brutal violência machista expressa nos feminicídios que aconteceram neste 2016.

“Eu decido sobre meu corpo”, “aborto legal, seguro e gratuito”, “não mais violência machista e feminicídios”, foram algumas das consignas que se expressaram na impactante mobilização caracterizada pela força, cantos, grupos de dança, diversas organizações, etc.

Um dos elementos que chamou muito a atenção, e que pode adiantar o que está por vir neste 2016 em termos de mobilização e unidade nas ruas, foi a presença de Federações e de estudantes, por exemplo, da Universidade do Chile (neste caso foram cerca de mil estudantes), UTEM, Universidade Alberto Hurtado, ex Pedagógico, Universidade Diego Portales, entre outras.

Por outro lado, também participaram diversos sindicatos e setores de trabalhadores, professores, empregadas domésticas, organizações de trabalhadores e sindicais como Alternativa Operária, CIUS, CUT, ANEF, UCT, entre outras. A presença de organizações políticas e sociais de esquerda foi bastante notória. Agrupações como Revolução Democrática, Partido de Trabalhadores Revolucionários, Esquerda Libertária, Somos USACH, Juventude Guevarista, Juventude Rebelde, Andha Chile, Ukamau, União Nacional Estudantil, Esquerda Autônoma, marcharam com cartazes e gritos em referência às principais demandas das mulheres.

Sem dúvida, as organizações e coordenadoras feministas e da diversidade sexual tomaram à frente. A Coordenadora Feminista em Luta, Alçada Libertária, Marcha Mundial, Coletivos contra a violência obstétrica, Movihl, Mulheres Sobreviventes Sempre Resistentes, entre outras, dirigiram a extensa coluna que se desenvolveu entre a Praça Itália e Os Heróis.

Uma das organizações feministas mais potente foi Pão e Rosas, agrupação de mulheres trabalhadoras, estudantes e LGBT, que reuniu cerca de 700 pessoas em uma grande coluna que se caracterizou pelo dinamismo, por uma bateria musical própria, pela presença de cartazes, faixas, bandeiras, lenços roxos, etc.

“Sou Bárbara Brito, militante do Pão e Rosas, conselheira da Federação de Estudantes da Universidade do Chile e agora estou coordenando a Secretaria de Gênero e Sexualidade da Federação, e acabamos de marchar mais de mil estudantes contra o assédio sexual. Acreditamos que a violência machista tem que acabar na universidade, tem que sair das aulas e por isso marchamos nesse dia por uma educação não sexista, e também pelos direitos da mulher trabalhadora, como igual trabalho igual salário; estamos marchando por um aborto livre, seguro e gratuito porque as exceções em que o aborto é permitido não bastam"

“Meu nome é Paula González, sou dirigente sindical e nos fazemos presentes com meus companheiros nesta marcha tão importante para comemorar os direitos da mulher. Levantamos uma faixa que diz que temos o direito de decidir sobre o nosso corpo, sobre nossa maternidade; eu tenho dois filhos e uma é menina e quero que quando for adulta, que ela possa decidir o que ela quer fazer com sua vida, com seu corpo livremente”

"Eu sou Sandra Muñoz, professora da educação básica e obviamente tenho que estar presente porque todos esses governos não tem feito nada pelas mulheres, seguimos com as mesmas leis medievais e os direitos das mulheres não existem (...) Deve existir o real direito de decidir e o Estado deve se responsabilizar pelo feminicídio."

"Meu nome é Tania, eu sou sobrinha de um executado político (...) Nós da "Cueca Sola" tentamos recuperar a dança como ferramenta de luta. Considero muito necessária essa marcha num momento onde não só necessitamos políticas para as mulheres, como o direito ao aborto, como também onde tem ocorrido muito feminicídio fruto da violência machista. Começamos há quase dois anos e como coletivo há duas semanas; nós queremos focar nos temas de memória e de gênero."

A massiva mobilização terminou próximo das 22h com um grande palco onde interviram mulheres representantes do movimento estudantil como a presidente da Fech, Camila Rojas; uma estudante secundarista do coletivo "Lemebel"; integrantes da Secretaria de Sexualidades e Gênero do ex Pedagógico; participantes de um coletivo contra a violência obstétrica; uma mulher mapuche que denunciou a brutal repressão vivida no sul do país, entre outras. Além disso, houve música rap com encabeçada por uma jovem trabalhadora e militante do Pão e Rosas, como também um grupo feminista de reggaeton.

"Avaliamos super positivamente a marcha com as demais organizadoras. A Fech tentou desempenhar o papel mais ativo possível, e isso nos deixou bem contentes, pois chegaram pessoas saturadas, mais de 30 mil pessoas, vamos avançando na luta feminista, na luta das trabalhadoras, e isso é o que é fundamental", enfatizou a presidenta da Fech.




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