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Chico Alencar diz ao Globo que Lava Jato é seletiva mas deve continuar "doa a quem doer"

sexta-feira 5 de outubro| Edição do dia

Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Em uma entrevista para o jornal O Globo deste dia 27 de setembro, o candidato a Senador pelo PSOL ao RJ, Chico Alencar, seguiu em sua defesa da continuidade da Lava Jato, mesmo dizendo que a Operação teria sido seletiva na prisão de Lula. Na entrevista pequena, em uma resposta, o candidato deixa claro que mesmo reconhecendo a seletividade, permanece defendendo a autoritária operação golpista. Veja o que ele disse na íntegra abaixo:

"A justiça no Brasil é seletiva, ela é que muitas vezes olha a capa do processo. No caso Lula olhou para tirá-lo da campanha eleitoral. No TRF-4 o recurso do Lula passou na frente de vários, inclusive de Palocci. A gente acha que houve celeridade interessada, seletividade e u contexto político-eleitoral marcante. "

"A Lava-Jato desnudou de forma explícita o conluio público-privado ilícito na política brasileira, envolvendo diretamente pelo menos 14 partidos. Tem dois pesos em duas medidas em muitos casos, mas combate à corrupção tem que continuar doa a quem doer."

Leia a entrevista completa aqui. Em outra ocasião, em uma nota publicada em 19/06/2018 no site de Chico, em resposta ao site "O Antagonista" que acusou o PSOL de estar contra a Lava Jato, Chico e outros parlamentares do PSOL dizem que "Assinatura em pedido de CPI não pode ser entendida (maldosamente?) como alinhamento com partidos de investigados e réus, nem como união contra a Lava Jato – na qual reconhecemos muitos méritos e, também, parcialidades." Leia aqui

Essa não foi a primeira vez que Chico Alencar defendeu a continuidade da operação. Esta declaração ao Globo é coerente com a posição assumida pelo candidato em 2016, neste vídeo aonde defende prosseguir e aprofundar a operação golpista:

É certo que Chico parou de falar em aprofundamento da Lava Jato, e agora tem que dizer que ela é seletiva, afinal de contas o PSOL foi corretamente contrário ao golpe e à prisão arbitrária de Lula. No entanto, com esta entrevista ao Globo, Chico mantém não só não faz autocrítica de sua posição em 2016, como ainda mantém a defesa da Operação mesmo sendo seletiva, mirando no eleitorado que apoia a Lava Jato golpista ou que tem ilusões na justiça burguesa.

Por um lado Chico tem os votos do eleitorado petista, por outro daqueles que defendem a autoritária operação golpista. A entrevista ao Globo foi dada um dia antes do STF proibir Lula de sequer ser entrevistado pela Folha de São Paulo, censura reafirmada novamente no dia de ontem por Dias Toffoli, em um avanço autoritário sem precedentes do judiciário contra a liberdade de expressão. Seu "combatente contra a corrupção" acaba de quebrar o sigilo dos áudios da delação de Palocci, delação que foi concedida sem provas e por isso aceita pela PF mas não pelo MPF, com o intuito de influenciar as eleições há poucos dias do pleito.

"Doa à quem doer", em primeiro lugar, doem às liberdades democráticas do povo. Recapitulêmos até agora as principais conquistas do "combate à corrupção da Lava Jato":

Desde a proscrição de Lula nas eleições, as multas pela utilização de sua imagem, e ao mesmo tempo, antes disso, o golpe institucional que iniciou este processo de restrição das liberdades democráticas em 2016, todas ações avalizadas pelo STF ao lado do partido da Lava Jato. Estas restrições vieram recheadas de inúmeros ataques com o governo golpista de Temer.

O PSOL e Chico Alencar votaram contra o impeachment corretamente e reivindicamos esta posição, mas ela é totalmente incompatível com a defesa da continuidade da Lava Jato. Mas Chico Alencar a reivindica para ganhar voto abrindo diálogo com um eleitorado de direita que tem a ilusão de que operação fosse combater a corrupção. Esta posição se torna ainda mais criminosa no momento em que a esposa de Moro declara voto em Bolsonaro.

Saiba mais: 7 coisas que todo brasileiro deveria saber sobre Moro e a Lava Jato

No Esquerda Diário denunciamos a operação desde o início, demonstrando que Sérgio Moro é atado por mil laços ao imperialismo em investigação jornalística, que por trás de Moro e da grande mídia se escondem alguns dos ’donos do mundo’ interessados em manipular o regime político sem a participação do povo e rifar empresas brasileiras, em especial a Petrobrás que sob o governo Temer sofreu duros ataques além de trilhões do pré-sal sendo entregues à preço de banana.

Leia Mais: Juízes decidirão quem será o novo governador do Rio, cassando o sufrágio universal

No Rio de Janeiro, o mesmo judiciário com ajuda de Marcelo Bretas vem mostrando que também vai intervir nas eleições com a proscrição de Garotinho e agora deve julgar a de Paes. Não temos dúvidas de que estes estão envolvidos em inúmeros casos de corrupção, mas a verdade é que o judiciário não tomas estas ações para combater a corrupção e sim para tentar tomar controle do regime político. Por isso é que para casos de corrupção, no Esquerda Diário, defendemos juris populares, e juízes eleitos e revogáveis pelo povo com voto direito e que recebam o mesmo salário que uma professora.

Leia Mais: A Lava Jato pode acabar com a corrupção do Rio? Um debate com o PSOL

O Partido Socialismo e Liberdade do Rio de Janeiro precisa se decidir se aposta no judiciário golpista ou na mobilização dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos LGBT. Nenhuma resposta para a crise política e econômica virá de um judiciário que se enriquece sendo representante da burguesia latifundiária e especuladora, herdeiros da Casa Grande que, na defesa dos seus privilégios, fazem com que o povo pague por esta crise.




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