Teoria

Em homenagem aos 208 anos de seu nascimento

Charles Darwin: o naturalista que revolucionou a biologia

No dia 12 de fevereiro de 1809 nasceu Charles Robert Darwin possivelmente, o naturalista mais destacado da história da biologia.

quinta-feira 16 de fevereiro de 2017| Edição do dia

Um homem de sua época

Darwin nasceu em Shrewsbury, Inglaterra, no dia 12 de fevereiro de 1809. De família protestante, inserida na emergente burguesia inglesa estudou na faculdade de medicina da Universidade de Edimburgo. Entretanto, abandonou o curso, pois estava decepcionado com a carreira médica. Mesmo assim, a faculdade de medicina teve importante influência intelectual nos seus aprendizados de taxidermia, geologia e anatomia. Darwin acompanhou de perto os debates teóricos do chamado materialismo radical inglês e estava ciente da teoria evolutiva proposta por Lamarck.

Decepcionado pelos resultados medíocres obtidos como médico, seu pai o enviou para Cambridge para titular-se em letras com o propósito de formá-lo como pastor anglicano.

Longe de tomar o caminho de sacerdote, suas vivências em Cambridge o permitiu familiarizar-se com três obras que marcaram seu pensamento: A Teologia Natural de Paley, Um discurso preliminar do estudo da filosofia natural de Herschel e a Viagem as Regiões Equinociais do Novo Continente de Humboldt.

Impulsionado pelo instinto aventureiro dos naturalistas do século XIX, Darwin decidiu embarcar rumo a América do Sul no navio Beagle comandado por Robert Fitzroy. Foi nesta viagem que o naturalista inglês aprofundou toda a base empírica necessária para forjar sua teoria da evolução das espécies e teve contato com as elaborações intelectuais de Maltus e do geólogo Lyell.

A origem das espécies, foi publicada pela primeira vez em 1859 e esgotou em todas as livrarias da Inglaterra em apenas uma semana. Em sua obra, Darwin, construiu o arcabouço teórico mais coerente para explicar o desenvolvimento dos seres vivos. A sua trajetória profissional ocorreu no contexto da Era Vitoriana, momento no qual o capitalismo inglês chegou ao seu máximo de desenvolvimento com a consumação da revolução industrial e com a expansão de relações imperiais no continente europeu. Ainda que se tratasse de uma sociedade fundamentada rígida e disciplinaria – ainda baseada no poder da aristocracia - a burguesia inglesa disputava um lugar preponderante na vida social, econômica e intelectual.

O mundo biológico também possui história

As classes dominantes da Europa Feudal que entraram em colapso com o advento da revolução industrial e com a emergência do capitalismo impuseram uma concepção de mundo estático e imutável. Portanto, para eles os intelectuais desta época deveriam dedicar-se a contemplação das concepções e da criação divina. Os evolucionistas do século XIX levantaram uma ideia simples - mas impactante para época - de que os organismos, incluindo os seres humanos, estavam e constante transformação e que o mundo biótico deveria ser explicado pelo conhecimento científico e não por concepções divinas.

Em A origem das espécies , Darwin aprofundou essas ideias. Afirmou que a luta pela sobrevivência dos seres vivos – baseadas nos limites dos recursos disponíveis e no aumento demográfico – e a existência de características biológicas adequadas para determinados ambientes faz com que a sobrevivência dos seres vivos seja diferente: somente os seres vivos mais aptos para determinados ambientes serão capazes de sobreviver. Darwin denominou este fenômeno de seleção natural.

Darwin foi célebre ao demonstrar a existência de variações – que ocorrem acaso – que além de poderem fornecer vantagens adaptativas, são herdadas e transmitidas de geração para geração. Da seleção natural e da transmissão hereditária desprendeu-se a teoria da evolução das espécies, que ocorre de forma gradual.

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Muitas vezes na história, esta concepção de seleção natural foi distorcida por discursos fascistas com uma intenção explicitamente racista. O exemplo mais claro é o Nazismo, que justificou o genocídio de milhares de judeus, negros, homossexuais, ciganos e comunistas apelando para a ideia de “sobrevivência do mais apto”.

Convergências entre Marx e Darwin

Marx e Darwin, ainda que contemporâneos, tiveram pouco contato. Na realidade, Marx foi fortemente influenciado pela teoria de Darwin, mas o contrário não ocorreu. Suas convergências, encontram-se fundamentalmente em uma concepção de mundo e filosofia. No O Capital, Marx diz que “Darwin despertou o interesse pela história da tecnologia natural, isto é, pela formação dos organismos vegetais e animais como instrumentos de produção para a vida das plantas e dos animais” e adota para si, o objetivo de criar “a história dos organismos produtivos do homem em sociedade, a base material de toda organização particular da sociedade”

Mas se algo faz convergir o pensamento desses dois revolucionários do século XIX foi o modo profundamente dialético de tomar a realidade natural (no caso de Darwin) e a realidade social (no caso de Marx).

Isto se verifica, em primeiro lugar, no fato de que ambos concebiam o mundo de forma dinâmica. Um mundo onde nada é imutável e que está em constante transformação. Parafraseando Levins y Lewontin¹, o mundo de Darwin e Marx é um mundo onde as constantes se tornam variáveis, as causas efeitos e os sistemas – biológicos ou sociais-, se desenvolvem a tal ponto que destroem as condições que permitiram seu próprio surgimento.

A defesa desta concepção de mundo social e de mundo biológico tem enormes implicações na atualidade. Por um lado porque muitos são os que tentam de forma explicita ou implícita minar os fundamentos de uma teoria dinâmica e dialética da evolução dos seres vivos. Nesse sentido, têm surgido movimentos a fim de proibir o ensino da teoria evolutiva e educar as novas gerações na concepção criacionista.

Também porque, longe da ideia imposta pelas classes dominantes de nossa época de que o capitalismo é imortal e imutável, Marx revelou para a classe trabalhadora que este pode ser destruído e que em seu cerne encontram-se características de uma sociedade transformada, sem exploração e opressão.

Notas

1. Filósofos da biologia norte-americanos. Ambos foram professores da Universidade Harvard. São autore de inúmeras obras sobre biologia, evolucionismo e genética.




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