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Chantagem, propina, e mentira são as regras da política no país, confessa Marun

O que a confissão de chantagem revela da política nacional?

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

quarta-feira 27 de dezembro de 2017| Edição do dia

Foto: Sérgio Lima

“O governo espera que aqueles governadores que têm recursos a serem liberados, financiamentos a serem liberados, o governo espera desses governadores, como de resto de todos os agentes públicos, uma reciprocidade no que tange a questão da Previdência." - Carlos Marun (PMDB-MS)

Com toda a desfaçatez Carlos Marun foi a público anunciar a chantagem. Governadores que querem recursos precisam enquadrar seus deputados para votarem sim ao ataque às aposentadorias. O mesmo procedimento foi adotado por Mauricio Macri na Argentina para aprovar a mesma reforma.

Ato contínuo, o deputado que é o novo chefe de governo, também fez nomeações políticas para cargos, buscando asim comprar votos e apoio. Dia seguinte organizou filas de deputados para distribuir uma soma nababesca de recursos em emendas que se fossem empilhadas fisicamente deveriam alcançar a lua (trata-se de R$ 30 bilhões). Trata-se de uma propina legal, assim devemos tratar a distribuição discricionária destes recursos em troca de favores, que é seis vezes o orçamento de custeio de todas universidades federais juntas.

Escancara-se como as “democracias” tornam-se cada vez mais degradadas, para garantir os interesses dos empresários joga-se no lixo a suposta soberania popular e as regras do jogo passam a ser a mentira, a chantagem e a corrupção.

A soberania popular que deveria nortear esta “democracia” vai para o lixo. Quem pensa que o deputado deve votar como quer seus eleitores logo se engana com a aprovação de uma reforma trabalhista, ou como ocorreu em nosso país vizinho onde 70% a 80% da população rejeitava a reforma da previdência, no entanto os deputados atenderem a ordem de seus governadores que por sua vez atenderam à chantagem de Macri.

A degradação da "democracia" é ainda mais acentuada e descarada num país que passou pelo sequestro do voto popular como foi o golpe institucional e que tem um presidente que sobrevive mesmo com 3% de aprovação graças a propina, chantagens, trocas de favores.

Regras do jogo capitalista

À chantagem de Marun e à propina soma-se uma dose cavalar de mentiras. Dia a dia desmascaradas. Hoje foi dia do desmascaramento da mentira que a reforma trabalhista geraria empregos, ao contrário, pesquisa indicou um aumento do desemprego!

E mentiras não faltam quando Temer, os ministros, os deputados tomam o púlpito, sobretudo em assuntos relativo a seu enriquecimento.

Com esta arte adquirida no ofício Marun posou sorridente quando lhe perguntar se não era errado ou imoral esta chantagem. Impávido ele disse que se trata de procedimento normal, de um corriqueiro instrumento de governo. A chantagem é normal, assim governam.

Marun, deputado do pantanal (para quem não se lembra) foi o solitário defensor de Cunha que tomou a tribuna cheio de som e fúria significando mentiras absurdas em seu discurso. Após o resultado patético na defesa de seu padrinho político, Marun afastamento parecia uma figura folclórica residual da política do país. Que nada! Voa alto na mentira, na chantagem e na distribuição de verbas (propinas legais). Tem aptidões a dar inveja a seu mestres Cunha e Temer.

Esse descalabro não é um problema de tal ou qual político ou sequer somente de nosso país. É um mal que acomete à burguesia e todos seus governos. Em sua procura cada vez mais urgente de aumentar seus lucros às custas da classe trabalhadora, não restam argumentos lógicos, racionais em defesa de suas propostas. Só lhes resta a mentira propagada por seus agentes políticos e midiáticos e em última instância os cassetetes e gás lacrimogênio. Eis o funcionamento normal da “democracia” deles.

“Talvez Marun seja apenas mais explícito na tarefa de angariar votos e tenha mais poder que o antecessor, o tucano Imbassahy.”

Escreveu Merval Pereira no Globo de hoje, defendendo o indefensável. Pois para ele, árduo defensor da reforma da Previdência os fins justificam os meios. Não importa Temer, Marun, importa saquear os direitos da população.

Marun com sua chantagem televisionada parece dar aquelas olhadinhas para a câmara de Kevin Spacey do falecido seriado House of Cards, quando o personagem confessava suas intenções e procedimentos. Tanto quanto Cunha ou Temer, Marun perfila entre os favoritos para ocupar o lugar de honra de ser um Frank Underwood brasileiro. Seu mérito tem algo de pessoal mas é algo de classe. Só é mais descarado que seus colegas. Mas todos jogam o mesmo jogo. Sem regras, sem leis, vale tudo para garantir os interesses dos capitalistas. Para Marun alcançar Frank Underwood e Kevin Spacey talvez lhe falte um pouco de "arroz com feijão" golpista e principalmente as acusações de assédio sexual.




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