TRIBUNA ABERTA

Chamado para o ato "memória cultura e direitos na Maré"

quarta-feira 6 de julho| Edição do dia

Quantos moradores morreram na favela pela polícia? Quantos jovens negros foram chamados de bandidos? Quantas mães engoliram o choro dilacerante de saber o filho morto, e não poder enterra-lo? Essas são algumas perguntar que trazem a tona a realidade da polícia, que ela é o grande símbolo repressivo para a favela e a população negra nesse país. No bojo de seus cúmplices está o judiciário, que apoia em suas ações e investidas contra esse grupo social, ambiciosos pela manutenção do poder e a ordem vigente pelos grande barões do Estado, afirmaram entre outras ideias, a necessidade da militarização da gestão publica desses espaços, através das chamadas UPP’s. A Maré, que se destaca com as proximidades das olimpíadas, sente de perto esse efeito da cidade vitrine dos megaeventos.

Passarão um pouco mais de 3 anos dês da chacina na Maré, e a sua imagem ainda permanece latente no imaginário dos moradores desse bairro. Na madrugada do dia 24 para 25 de junho de 2013 ficaram marcadas como o momento que a BOPE, sobre a sua política do "revanchismo", condenaram 10 pessoas a morte em resposta a morte de um dos seus. A infeliz "cultura" da democracia das chacinas se instaurou nas favelas, baixadas e áreas de periferia do Rio de Janeiro, centradas na justificativa da eliminação do inimigo, e sobre o pretexto dessa disfarçada guerra as drogas, mostra sua verdadeira face quando analisadas mais profundo: a real guerra, é contra os negros e os setores mais pobres desse país.

Não são poucos os casos emblemáticos que a Maré vêm sofrendo, em 2008, por exemplo, o caso do Matheus Rodrigues foi um dos mais levantados. Uma criança de apenas 8 anos que levou um tiro de fuzil na cabeça, é a imagem que ficou marcada na memória de todos os Maréenses, estirado no chão com uma moeda de 1 real na mão. A bala, que no momento, entrou pela nuca e saiu pelo rosto, desfigurando-o, fazendo com que Matheus cai-se sentado, com o corpo para dentro de casa. A palavra "até quando?" foi sem sombra de duvida a mais ecoada por todos os moradores do Morro do Timbau (Favela da Maré, onde o menino foi alvejado), que se manifestaram na época fechando a linha Vermelha e Amarela (principais vias que liga o Aeroporto do Galeão, a Barra da Tijuca), enquanto, por uma ironia do destino, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a 5 quilômetros da casa de Matheus, apresentava um projeto chamado "Território de Paz", no Alemão, onde prometia uma polícia menos violenta.

Nos últimos meses a ideia de paz tem se tornado um sonho cada vez mais distante dos Moradores da Maré, o urbanismo do espetáculo na cidade olímpica, tem feito um verdadeiro urbanismo do massacre nesse conjunto de favelas, que sofre com os conflitos, e tende a voltar a sofrer com uma das maiores bizarrices do laboratório olímpico: a ocupação do Exercito e Marinha, que chegou a ficar quase 15 meses durante a Copa, e voltará com as proximidades das olimpíadas. Resultante direta das investidas do Estado contra as favelas, a Maré sofreu na tarde do dia 29 de Junho desse ano mais uma investida do Estado, uma operação em conjunto da BOPE e a Core, justamente no horário de pico de entrada de trabalhadores, e saída de alunos da escola. Dessa vez, sobre a justificativa de capturar um varejista do narcotráfico conhecido como Fat Family, a BOPE invadiu as casas dos moradores e os torturaram psicologicamente atrás do paradeiro do varejista, não foram poucas as denuncias feitas pela página do facebook "Maré vive" sobre essa situação, que se concentrou nas favelas do Parque União, Rubens Vaz e Nova Holanda. E como esperado, o resultado dessa operação de mais de 6 horas, tivemos vários feridos e uma pessoa morta, o ajudante de pedreiro José da Silva, de 40 anos, que a PM disse que "de acordo com a BOPE,o batalhão não foi acionado para socorrer nenhum ferido nesta operação"

Movidos pela indignação, do solado do coturno da opressão dos casos ocorridos na Maré, vários movimentos sociais, militantes da Maré, e instituições de direitos humanos, chamam para esse sábado, 09 de Julho, uma caminhada por memória, cultura e direitos na Maré, com concentração às 14h de frente ao museu da Maré. Articularam sobre o protagonismo das mães vítimas desse Estado genocídio, e colocaram como pautas principais o repúdio da volta do exercito na Maré e o direito a vida, que por muito é negado por esse Estado racista. Que como bem explicado pelo Elimar Nascimento, precisam dos seus "excluídos necessários", para manter e justificar o autoritarismo e a opressão.




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