Juventude

USP

Chamado às estudantes: organizar nossa luta contra Bolsonaro, sem conciliar com os golpistas

Em meio a uma conjuntura política nacional turbulenta, com forte polarização política e um possível emergente movimento de mulheres em meio as eleições manipuladas pelo judiciário golpista, qual pode ser o papel das estudantes da USP?

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

sexta-feira 21 de setembro| Edição do dia

As eleições presidenciais e o clima de forte polarização política pelo qual passamos, têm gerado cada vez mais politização na população, principalmente na juventude, onde a polarização Lula/PT x Bolsonaro se expressa mais fortemente. Pelos corredores, ônibus e salas de aula da universidade é comum ouvir um debate de ideias e programas políticos levados pelos candidatos, com uma forte angústia em relação a quais rumos o país pode tomar frente às eleições.

Nós que construímos o Pão e Rosas e da Faísca, temos colocado que a solução para os principais problemas políticos e econômicos do país não poderão se resolver nas eleições, principalmente tendo em vista seu caráter manipulado, em que não só se retirou o direito da população decidir em quem votar, mas também tendo em vista o fato de existir uma forte crise econômica internacional que não irá se resolver com as eleições, além de um fortalecimento da extrema direita que tem sua maior expressão na figura do golpista reacionário Jair Bolsonaro, filho descontrolado da operação Lava Jato e do judiciário que manipulam as eleições para que seja a classe trabalhadora a pagar pela crise.

Colocamos que não serão as eleições que irão resolver as principais questões nacionais, pois frente a esses elementos, a única maneira de barrarmos o avanço do golpismo e da extrema direita é através da mobilização dos trabalhadores, das mulheres, negros, LGBTs e da juventude, que com sua força poderiam ser capazes de enfrentar Bolsonaro e todos os ataques contra nossos direitos.

Nos últimos anos é possível ver uma crescente força no movimento de mulheres a nível internacional, em que mulheres no mundo todo têm mostrado que a nossa força nas ruas pode fazer a terra tremer, como foi na maré verde Argentina ou na primavera docente nos Estados Unidos e no 8 de março espanhol. Lado a lado com a juventude, que também expressou sua força nas lutas estudantis mais recentes na Argentina e no México.

Essa força pode se expressar aqui no Brasil e por isso a importância de construir o ato chamado dia 29 de setembro de Mulheres contra Bolsonaro, que foi fruto de um grupo virtual que chegou a possuir mais de 2 milhões de mulheres contrárias à política levada pelo apoiador da ditadura. Mas a força imparável das mulheres que se posicionam contra o avanço da extrema direita não pode de forma alguma ser destinada a eleger um “mal menor” que se eleito vai descarregar a crise nas nossas costas. Muitos tentam desviar nossa luta, para um voto no candidato que possa ser um mal menor frente a Bolsonaro, no entanto, o potencial explosivo das mulheres não pode ser contido por um “acordo de pacificação nacional" que só vai beneficiar os capitalistas que geraram essa crise. Isso porque no capitalismo não existe “mal menor” para as mulheres. O PT, que tem sua candidatura a presidência em Fernando Haddad tem deixado cada vez mais claro que se eleito vai governar com os mesmo políticos golpistas que odeiam as mulheres e que está disposta a provar ataques que caem duplamente sobre as nossas costas. Isso sendo que após 13 anos de governo rifaram as demandas do movimento de mulheres em troca de acordos com a bancada evangélica, como é o exemplo da luta pelo direito ao aborto. Frente ao avanço de Bolsonaro temos que acreditar em nossas próprias forças, que se expressaram a nível internacional buscando uma saída independente. E para que nossa luta não seja desviada para esses objetivos, agora mais do que nunca, precisamos nos organizar desde nossos cursos para levar adiante uma política que coloque como as mulheres contra Bolsonaro precisam batalhar também por uma saída anticapitalista, de forma independente do PT e sua política de conciliação com os golpistas e os patrões.

Mas frente a tudo isso, e sabendo que apenas com as nossas forças poderemos barrar o avanço reacionário, como deve se posicionar e atuar a nossa entidade estudantil, o DCE livre da USP?

Nós da juventude Faísca, acreditamos que as entidades estudantis, que são nossas entidades representativas, têm que estar na linha de frente da defesa dos nossos direitos. Têm que estar a serviço da organização e mobilização do conjunto dos estudantes nas lutas. Ou seja, seu papel é estar sempre na linha de frente de organizar os movimentos, promovendo espaços de discussão e maior politização, sempre em aliança com os trabalhadores, única classe que pode dar as respostas aos nossos problemas até o final.

A gestão Nossa Voz, atual gestão do nosso DCE, composta por correntes de juventude do PT, do PCdoB e pelo Levante Popular da Juventude, tem sido um verdadeiro entrave para a mobilização dos estudantes na universidade. Isso porque compõe as organizações que por anos construíram a passividade no movimento estudantil através da burocratização da União Nacional dos Estudantes e tantas outras entidades representativas, que poderiam ter cumprido um importante papel na organização dos estudantes na luta contra o golpe institucional e as reformas de Temer. Mas que serviram apenas como freio da mobilização, chamando apenas atos alegóricos em defesa de Lula sem construir nas bases dos cursos e sem de fato organizar a luta contra os ataques do governo golpista.

Ao invés de proporcionarem espaços e políticas de auto-organização, para que acreditemos em nossas próprias forças, apostam na lógica do mal menor nessas eleições, para eleger novamente um governo petista. Se o PT e seus referentes não demonstraram nenhuma resistência e não convocaram nenhuma luta séria contra o golpe, a condenação e prisão arbitrária de Lula, por que apresentariam de fato um combate à extrema direita? Se hoje vivemos em um momento de crise internacional, o governo do mal menor que for eleito sem romper com a conciliação com os golpistas e os capitalistas, também vai despejar a crise nas nossas costas, nos cortando direitos, implementando ajustes, pagando religiosamente a dívida pública e congelando gastos na saúde e educação.

Para nós da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e do grupo internacional de mulheres Pão e Rosas, a nossa principal entidade representativa deve colocar todas as suas forças para construir em cada curso e instituto da universidade um forte chamado ao ato de mulheres, como forma de impulsionar a luta contra Bolsonaro e o golpe, que como sabemos, vem para atacar duplamente as mulheres e a juventude. E mais, proporcionar espaços de discussão política de quais batalhas devemos dar nesse movimento contra a extrema direita, sem nos apoiar no voto útil, entendendo que não é nas urnas que iremos encontrar uma alternativa que de fato combata o fortalecimento do golpismo, de Bolsonaro e ponha fim a todos os ataques e misérias que nós, mulheres, negros, LGBTs, juventude e trabalhadores sofremos.

Fazemos um chamado a todas as estudantes a construir um bloco contra Bolsonaro, que seja anticapitalista, independente do PT e sua conciliação com os golpistas! E para debater essas ideias chamamos a todas as estudantes e os estudantes para debaterem essas ideias com o Pão e Rosas e a juventude Faísca, na próxima quarta feira, às 18h, na Letras, no evento Mulheres contra Bolsonaro e o golpismo: uma saída anticapitalista. Com a presença de Diana Assunção, trabalhadora da USP, fundadora do Pão e Rosas e candidata a deputada federal em São Paulo.




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