Política

REFUGIADOS

Cercar de solidariedade os imigrantes venezuelanos contra a política de criminalização imposta por Temer

terça-feira 6 de março| Edição do dia

Foto: BRUNO KELLY / REUTERS

O golpista Temer segue a mesma política de Trump e da União Européia com a imigração. Ao invés de investir em um programa para atender as demandas das cidades de Roraima que fazem fronteira com a Venezuela, Temer gasta nosso dinheiro para enviar tropas do exército para revistar os imigrantes que chegam famintos depois de ter caminhado até 800 quilômetros e enfrentado a desnutrição para fugir do bonapartismo de Nicolás Maduro. Parte do discurso de Temer é em proteção às fronteiras e em combate ao tráfico de drogas. Seria muita ignorância se não fosse hipocrisia de justificar essa política xenófoba com o tráfico de drogas, como se trabalhadores famintos fossem passar pela fronteira o que na verdade entra por aeroportos, e estradas, muitas vezes em helicópteros e jatinhos particulares.

Nesse caminho de fome e desespero os imigrantes que chegam ficam em condições insalubres em péssimos abrigos e mesmo nas ruas em sua maioria, com crianças dormindo à céu aberto e vulneráveis à todo o tipo de enfermidades. A questão que se coloca é que todo o dinheiro gasto com o envio das forças armadas e com a medida provisória decretada em fevereiro por Temer, poderia estar sendo gasto com questões humanitárias. Da mesma maneira o governo federal irá gastar 42 bilhões em equipamentos e armas para as polícias reforçarem a repressão no país. Dinheiro para saúde e educação não há, mas para repressão e possível contenção das massas trabalhadoras para aprovar os ajustes sobra. Tudo sob a justificativa de combate ao crime organizado e ao tráfico de armas e drogas.

É preciso cercar de solidariedade o povo venezuelano que chega ao país vítima da austeridade imperialista que leva a inflação à 13000% e da repressão bonapartista de Maduro, que aprova uma nova constituinte que não passa de uma manobra para se manter no poder por mais um tempo. No conjunto da obra dessas políticas internacionais e nacionais a realidade é que se trata de genocídio do povo trabalhador e pobre à fim de descarregar a crise nas nossas costas.

O povo trabalhador e pobre fica entre a fome e a repressão imposta por Maduro e as sanções imperialistas e foge. Mas não foge para uma democracia como querem fazer acreditar os jornais burgueses, fogem por um lado de uma manobra bonapartista do seu próprio presidente para se manter no poder, e de outro lado da austeridade norte americana que leva a inflação já a ser a maior do mundo, para um país onde a farsa da democracia burguesa vai ficando cada vez mais escancarada.

Não há como defender Maduro e sua manobra, como também não há como defender a entrega da Venezuela ao imperialismo. O governo argentino de Macri e o governo brasileiro já se pronunciaram em favor de tornar a América Latina toda uma colônia do imperialismo norte americano e europeu, sancionando a Venezuela pela via do mercosul. O que significa piorar ainda mais as condições de vida dos trabalhadores descarregando a crise internacional em nossas costas e privatizar grandes empresas públicas. É preciso denunciar o autoritarismo e a repressão às manifestações de rua na Venezuela, bem como o fato de Maduro apresentar sua manobra para se manter no poder como ponta de lança da resistência contra o imperialismo. E também é necessário denunciar a austeridade imperialista que massacra o povo venezuelano, que sem alternativas foge muitas vezes a pé, caminhando e pegando caronas por até 800 quilômetros, sem comer. Chegam ao Brasil onde o cenário é também de ataques à classe trabalhadora, aos direitos democráticos mais elementares, como o direito de escolher em quem votar e logo mais aos direitos previdenciários, tudo em prol de manter os bilionários credores das dívidas públicas ainda mais ricos.




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