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Centro de Cidadania LGBT sofre ataque com fezes, danificação de documentos e furto em SP

segunda-feira 4 de dezembro| Edição do dia

Em comunicado divulgado pelo Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, expõe em maior detalhe o caráter do ataque, evidentemente não apenas com o intuito de obter itens valor, mas sim atacar o único espaço no qual são acolhidos LGBTs em busca dos seus direitos, muitas vezes expulsos da escola ou de sua própria casa.

“Quando os responsáveis pela invasão defecam em nosso espaço de trabalho e colocam as fezes no corredor, quando esses mesmos agressores – de posse dos prontuários de pessoas por nós atendidas – rasgam documentos e os utilizam para limpeza, demonstram o desprezo por tudo que estes papéis representam e atestam na defesa dos direitos humanos e na promoção da cidadania. Urinaram em vasos de flores e os deixaram na recepção. Destruíram e sujaram itens pelos quais não tinham interesse, apenas para destruir – cadeiras, gaveteiros, computadores, projetor. Todas as torneiras foram abertas, com o claro objetivo de alagarem a casa. Além disso, todos os cabos dos computadores e da rede de telefonia foram cortados, com a intenção de calar a voz e o trabalho em prol da comunidade LGBT.

Este ataque prova, infelizmente, o quanto ainda necessitamos lutar pelos direitos da população LGBT. Não cruzaremos nossos braços e o trabalho vai continuar, sempre com a participação de toda a equipe do centro – comprometida e engajada na continuidade do serviço. A destruição deste lugar de acolhimento para muitas pessoas não vai nos fazer parar, pelo contrário: nos exorta a continuar trabalhando.”

A existência destes ataques não está desligada do avanço da direita golpista e de figuras como Bolsonaro, cuja atuação legítima tal violência. Ao passo que LGBTs são exibidas no horário nobre da Globo, o número de assassinatos aumenta e a necessidade de lutar pelo nosso direito de viver e contra medidas que querem retroceder o movimento LGBT em duas décadas, como a medida do Justiça Federal que acata parcialmente às terapias de reversão sexual.

O Esquerda Diário se solidariza com os trabalhadores, usuários e frequentadores do Centro da Cidadania LGBT e repudia fortemente estes ataques, chamando e se somando à mais ampla solidariedade contra a direita.

Não somos doentes e precisamos ir além de defender os Centros de Cidadania LGBT, dentro da compreensão que são insuficientes para atender às demandas da Comunidade LGBT, cujo setor Trans e Bissexual segue tido como doente pela Classificação Internacional de Doenças. Não é segredo que a sexualidade e/ou identidade de gênero não normativas são utilizadas para explorar e marginalizar 90% das pessoas trans na prostituição, por isso defendemos um Plano de Emergência contra o transfeminicídios e a violência LGBT.

Bolsonaro, Temer e a direita que busca avançar sobre todos os direitos da classe trabalhadora o faz também para poder precarizar ainda mais a vida das LGBTs trabalhadoras, e foi o PT que abriu espaço para estes. É necessário construirmos um movimento LGBT que combata a direita, mas também seja independente do PT, com uma saída contra o sistema capitalista que garante a repressão sexual e de gênero.




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