Mundo Operário

CENTRAIS IMÓVEIS

Centrais vão esperar Temer aprovar reforma da previdência pra chamar greve geral?

Em meio à condenação arbitrária de Lula, Temer busca reafirmar a agenda de ataques aos trabalhadores, e, cabe a pergunta, o que impede as centrais sindicais de convocar uma greve geral imediata contra as reformas e em defesa do direito de decidir em quem votar?

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André e militante do MRT

quarta-feira 24 de janeiro| Edição do dia

Após a aprovação de gigantescos ataques à classe trabalhadora em 2017, como a reforma trabalhista, logo no início de 2018, no contexto de condenação arbitrária de Lula, Temer tenta aproveitar o fortalecimento de instituições reacionárias como o judiciário para reafirmar a agenda de ataques à classe trabalhadora, sobretudo, trabalha pela aprovação da Reforma da Previdência.

Está nítido a todos que, mesmo sendo comprovadamente antipopular, os políticos golpistas seguem uma agenda incessante para agradar seus aliados capitalistas e aprovar a reforma da previdência. Temer, em toda sua irrelevância internacional em Davos, na Suíça, não deixa de prometer aos gerentes imperialistas a reforma da previdência para 20 de fevereiro, e gasta altas cifras comprando parlamentares e com propagandas pró-reforma.

Está mais do que claro também, que qualquer saída isolada de combate à reforma apostando no judiciário e simplesmente em seguir a agenda parlamentar tende a ser derrotada. É mais do que inegável que para impedir mais este estrondoso ataque é preciso organizar um combate por locais de trabalho, e barrar a reforma pela luta de classes. Enquanto isso, a CUT e a CTB permanecem imóveis assistindo às movimentações da burguesia, esperando o dia da votação chegar.

Lula está longe de ser um defensor da classe trabalhadora, pelo contrário, sua política de conciliação com a direita e com a burguesia foi parte responsável pelo cenário de crises e ataques à classe trabalhadora que temos hoje. Contudo, Lula foi condenado em um processo com fundamentos jurídicos muito mais frágeis do que aqueles que apresentados em muitos dos processos a políticos golpistas, defensores dos ataques aos trabalhadores.

Longe de defender a política de Lula, o fato é que sua condenação envolve uma grande operação entre o judiciário, a polícia federal, os políticos golpistas pró-reforma, e a grande mídia. O fortalecimento dessas instituições autoritárias do estado, e a instauração de mecanismos absolutamente arbitrários para condenações e prisões, leva a um cenário: a abertura de caminho para maiores ataques à classe trabalhadora.

Para defender os direitos democráticos das massas, abolir a reforma trabalhista e barrar a reforma da previdência de Temer, a saída para a classe trabalhadora é ir às ruas, na organização de greves, e com seus métodos históricos de luta, como mostraram os metroviários de SP neste último dia 18.

Nem mesmo em meio a este ataque do judiciário a direitos democráticos elementares, como é o direito da população votar em quem quiser, as centrais sindicais se movem. O que leva as grandes centrais sindicais a não criar sua própria agenda de luta e erguer uma grande greve geral para derrotar a reforma? Apostam na pressão, conciliação, alianças parlamentares, mas não na classe trabalhadora organizada em ação. A busca é por se demonstrar como uma direção “responsável” para contenção das lutas, frente ao ano eleitoral, e a permanente separação entre as demandas “econômicas” e “políticas”.

Os direitos democráticos elementares dos trabalhadores precisam ser pauta das centrais sindicais junto com a derrota das reformas de Temer! É urgente que a CUT e a CTB convoquem uma greve geral organizada nos locais de trabalho, com antecedência ao 20/2, para posicionar novamente no centro da cena política nacional o sujeito social que abalou 2017: a classe trabalhadora. A CSP-Conlutas, central sindical combativa, deve abandonar sua posição subordinada às centrais majoritárias de oposição (expressa no uso da mesma consigna passiva: “Se botar pra votar, o Brasil vai parar!”, a mesma da CUT), e usar sua influência nos locais de trabalho para fazer esse chamado.

Foto: Roberto Parizotti/CUT




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