Política

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Centrais sindicais dão nossa aposentadoria de presente de Natal para Temer e capitalistas

terça-feira 21 de novembro| Edição do dia

A nefasta reforma da previdência já tem um novo calendário. Como discutimos aqui, a troca de favores entre Temer e Rodrigo Maia resultou no indicativo de votação para a reforma da previdência no dia 6 de dezembro, após a discussão do texto entre o golpista e seus comparsas marcada para o dia 22 de novembro. Uma situação tão absurda que permite inclusive que alguns pontos da reforma possam ser adotados via Medida Provisória.

Para assegurar que mais esse ataque aos trabalhadores passe, Temer já anunciou que lançará mão de sua maior cartada: presenteará os parlamentares com mais R$ 600 milhões em emendas parlamentares. Isso mesmo, comparará de novo os parlamentares com dinheiro público, que deveria estar sendo usado para garantir Saúde, Educação, aposentadorias, e etc, numa clara demonstração de que apesar da crise há dinheiro. A questão é que o governo prioriza garantir os seus privilégios, enquanto alega cinicamente que não há dinheiro em caixa para pagar aposentadorias de quem trabalhou a vida toda.

Revoltante não? Sem dúvida. Os políticos dos ricos a cada dia mostram que conseguem avançar em sua degradação. Frente a tudo isso nada mais justo, e urgentemente necessário, que um plano de luta para uma greve geral para parar esse roubo que os políticos estão fazendo em seu benefício e dos capitalistas enquanto lançam os destinos de milhões de pessoas na miséria. E que Temer e sua corja não parará enquanto não for forçado a isso pela força dos trabalhadores nas ruas.

Porém, não é isso que se vê por parte das direções sindicais. Uma vez mais a CUT, CTB, UGT, Força Sindical estão negando-se a organizar qualquer resposta, quem dirá uma que esteja à altura dos ataques. Até o momento não existe absolutamente qualquer chamado para uma paralisação. Uma verdadeira trégua com os capitalistas e o golpista Temer para garantir os ataques. Dessa forma, as centrais repetem o que ocorreu com o dia 30 de junho quando abertamente traíram a mobilização contra a reforma trabalhista dizendo que se a reforma da previdência (o “mal maior” fosse pautado entrariam em greve), ou no dia 10 de novembro quando tampouco organizaram as fileiras da imensa classe trabalhadora que dirigem para lutar consequentemente contra a reforma trabalhista. Naquela data falaram nos carros de som e emitiram uma nota falando que se a reforma da previdência fosse a votação fariam nova greve, já naquele momento alertávamos da necessidade de organização pela base para impor que esse anuncio fosse realidade. A reforma já tem data e não há plano de luta e até aquela nota sumiu do sites!

Todas essas centrais demonstraram que estavam negociando com Temer o imposto sindical, e justamente por isso a última “jornada nacional de lutas” foi totalmente inofensiva.

Soma-se a isso a posição da CUT e CTB que temem que uma verdadeira luta dos trabalhadores escape ao seu controle, e prejudique seu objetivo fundamental de eleger Lula como resposta passiva à terra arrasada dos ataques e que ele tenha que governar junto aos golpistas (que ele perdoou) e obrigado a cumprir com uma “herança maldita” que não combateu. Que, por sua vez, vem anunciando perdão aos golpistas. E além disso sequer incluiu em suas promessas de campanha, caso se candidate e seja eleito, a revogação dos ataques de Temer, anunciando um mero “referendo”, que na verdade é uma manobra de Lula para não declarar abertamente que não tem a intenção de revertê-los em profundidade. Mesmo quando anuncia esse suposto referendo Lula nunca menciona todos ataques, nenhuma palavra sobre a lei da terceirização (que já tinha aumentado exponencialmente no seu governo e no de Dilma) nem sobre as privatizações. Na verdade, caso eleito, irá administrar as reformas do golpista Temer para garantir governabilidade.

A conclusão que se pode ter diante dessa situação é que qualquer direção sindical que se nega a lutar contra esses ataques, está na verdade entregando a nossa aposentadoria de presente para Temer. O PT sempre salvou o capitalismo, em todos os governos Lula e Dilma no auge do crescimento econômico latino-americano, e não é agora em meio à crise que será diferente.

Não podemos permitir que nossos direitos sejam entregues pela burocracia sindical como presente de natal para Temer! Há que exigir um plano de lutas das centrais sindicais imediatamente. A saída mais realista que existe é que desde a base, exijamos a necessidade desse plano, e preparar uma verdadeira frente-única movendo todos sindicatos e centrais que pudermos para forçar romper o imobilismo e a trégua vergonhosa que mantém com Temer. Que unifique todas as categorias para lutar pela anulação da reforma trabalhista, conta a reforma da previdência, e todos os ataques também aos direitos democráticos, como é a PEC 181. É a partir disso que se pode gestar as forças necessárias para a partir da defesa dos nossos direitos que é possível avançar a uma verdadeira resposta contra os capitalistas e esse podre e corrupto regime político.




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