Mundo Operário

CENTRAIS SINDICAIS

Centrais perdoam os golpistas: basta de traição, greve geral já

Os trabalhadores não foram derrotados, há insatisfação e raiva contra os ataques: com assembleias e comitês de base é possível organizar a força dos trabalhadores e enterrar a reforma a previdência.

quinta-feira 7 de dezembro| Edição do dia

Seu direito a se aposentar está em jogo. Graças às centrais sindicais esse absurdo deve ir à votação semana que vem. As centrais impediram a luta contra a reforma trabalhista em junho e agora, nessa terça, desmarcaram a “greve nacional” contra a Reforma da Previdência para dar tempo para Temer. Algumas delas fizeram mais que isso, foram lá no Palácio do Planalto registrar em fotos sorridentes seu servilismo, como fizeram dirigentes da Força e da UGT tirando fotos com Temer, sorridentes porque embolsarão R$ 500 milhões, enquanto ele anunciava que vai votar esse ataque “faça chuva ou faça sol”.

Outras centrais, como a CUT e CTB, estão também perdoando os golpistas ao não organizarem a greve geral e um plano de luta em tempo hábil, submetendo a vontade de luta dos trabalhadores aos ritmos da contagem de votos na Câmara. Assim como no 30 de junho, apesar do discurso a CUT e a CTB mantém sua relação de convivência pacífica com as centrais aliadas ao governo, sendo parte ativa da traição.


Temer paga R$500 milhões a centrais sindicais para permitir a reforma da Previdência, veja aqui.

É incerta qualquer definição de data para a votação dessa reforma infernal, numa conjuntura em que vários partidos burgueses vacilam em colocar seus nomes em risco, às vésperas da eleição, para votar uma reforma da previdência que sempre quiseram aplicar contra os trabalhadores; e com o PSDB dividido e acatando a política de Rodrigo Maia de só fechar questão pela reforma se houver o número suficiente de deputados para votá-la. A tarefa das centrais sindicais deveria ser organizar urgentemente a paralisação de todo o país para impor a abolição dessa votação e da reforma trabalhista pela força. Ao contrário disso, a ladainha de "paramos tudo, caso seja colocado em votação" é parte da estratégia falida de pressão parlamentar, que passa por fora da força dos trabalhadores em greve.

Se Temer está conseguindo pautar e passar as reformas é por cumplicidade das centrais

Se dependermos de Temer e dos deputados cada brasileiro entregará mais do seu suor, da sua falta de tempo para estar com a família, estudando, ou em lazer para que os bilionários fiquem vivendo sua boa vida de propriedades e das centenas de bilhões de reais que recebem cada ano com a dívida pública.

Se dependermos somente da vontade das centrais sindicais será aprovado mais um ataque. Ao desmarcarem a “greve nacional” desta terça diziam que se a reforma fosse pautada iriam parar o país. A CUT estampou isso em discursos, vídeos, matérias nos sites dos sindicatos. Mas foram parte da traição junto à Força e UGT e não promoveram nenhuma organização desde então para algo que não seja a caravana de Lula pelos estados que visa perdoar os golpistas, recompor alianças com os empresários e com as oligarquias como foi a caravana no Nordeste e em Minas Gerais. A CTB, ligada ao PCdoB, aliado histórico do PT emitiu nota criticando o cancelamento de terça, mas também não está organizando os trabalhadores para resistir. É urgente passar das palavras à ação. É necessário exigir que se organize urgentemente assembleias em cada local de trabalho para que esse plano efetivamente aconteça. Não adianta nada falar que vão parar o país e nada fazer.

Assim como o PT, as centrais ligadas a ele (CUT e CTB) estão perdoando os golpistas ao não organizarem a greve geral e um plano de luta em tempo hábil, submetendo a vontade de luta dos trabalhadores aos ritmos da contagem de votos na Câmara. Com tanto dinheiro de cada trabalhador, se Temer está conseguindo passar as reformas é por cumplicidade das centrais

O déficit da previdência é uma mentira contada dia e noite pelo governo, pelos empresários e pela mídia para fazer que os brasileiros trabalhem até morrer. Enquanto falam que os trabalhadores tem que pagar essas contas, são os primeiros a apoiar isenção de 1trilhão de reais para empresas petroleiras estrangeiras, que gigantes empresariais do país devam ao INSS mais do que o suposto e fraudulento déficit. O que querem é aumentar os lucros dos empresários às custas dos trabalhadores.

Em alguns estados do Nordeste a maioria da população vive somente até os 65 anos de idade que seria o mínimo nessa reforma. Até mesmo na mais rica capital do país, São Paulo, em quase metade dos bairros as pessoas vivem menos do que essa idade. Se o trabalhador viver para se aposentar o valor de sua aposentadoria será afetado, todos aqueles que receberiam um pouco mais que um salário mínimo sofrerão importantes descontos.

É um roubo que precisa ser combatido. Precisamos organizar uma greve geral já. Todos aqueles que não compactuaram com a traição à “greve nacional” devem se colocar na linha de frente de organizar essa resistência e exigência aos sindicatos e centrais para que tenhamos uma verdadeira greve geral. Centrais sindicais como CSP-Conlutas e as Intersindicais, movimentos sociais como o MTST e partidos políticos de esquerda independentes do petismo como o PSOL, precisam colocar seus esforços por essa organização pela base para que tenhamos um efetivo combate contra Temer e essa reforma. Os trabalhadores ainda não foram derrotados, há insatisfação e raiva contra os ataques, com a organização pela base, com assembleias verdadeiras é possível organizar a força dos trabalhadores e assim derrubar a reforma da previdência e com essa força avançar à anulação da escravista reforma trabalhista.




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