Política

GREVE NACIONAL

Centrais negociam adiar a reforma da previdência: tomemos a greve em nossas mãos para derrubar a reforma!

O governo Temer e a Câmara dos Deputados, comandada pelo reacionário Rodrigo Maia (DEM-RJ) colocaram uma arma na têmpora da classe trabalhadora: a reforma da previdência violará os direitos de milhões de trabalhadores que ainda buscam o benefício.

Pablito Santos

Trabalhador do bandejão da USP e membro da Secretaria de Negras, Negros e Combate ao Racismo, do Sintusp

sexta-feira 1º de dezembro| Edição do dia

Como defendemos neste Esquerda Diário, a atividade das centrais sindicais, que deixaram de presente a infernal reforma trabalhista nas mãos dos empresários, devia girar em torno de organizar imediatamente assembleias em fábricas, reuniões de base nas unidades e em cada local de trabalho, para que os trabalhadores definissem os seus métodos de luta contra esta nova ofensiva, que significará que milhões morrerão antes de se aposentar. Um triunfo aqui seria a base para retomar a luta para abolir a reforma trabalhista.

As centrais como a Força Sindical, a UGT, a CUT e a CTB convocaram uma greve nacional em defesa da previdência e dos direitos para este dia 5/12. Sem dúvida os trabalhadores de todo o país devem tomar este chamado, com uma pauta progressista, em suas mãos para que ela realmente aconteça.

As próprias centrais, entretanto, em seu encontro com Rodrigo Maia nesta quarta-feira (29/11), estiveram mais preocupadas em chegar num “entendimento” sobre a reforma da previdência, do que organizar o combate nas bases.

A Força Sindical e a UGT reduziram seu papel a conselheiros dos golpistas ao lado dos quais se puseram ininterruptamente durante este ano. O presidente da UGT, Ricardo Patah, disse a Maia que as centrais terão “condições efetivas de mobilização, mas queremos dialogar”: concluiu que foi consensual entre as centrais a proposta de adiamento da reforma da previdência. Esta posição foi ratificada pela Força Sindical, cujo presidente, o deputado federal Paulinho da Força, foi ao Palácio dos Bandeirantes discutir com ninguém menos que Geraldo Alckmin do PSDB (defensor férreo da reforma da previdência) “saídas possíveis para o país”.

Ou seja, a Força Sindical e a UGT estão pendentes dos lábios de Rodrigo Maia, preparando um recuo imediato caso o presidente da Câmara anuncie outro melhor momento para destruir as aposentadorias.

A CUT e a CTB, por sua vez, colocando-se na “oposição”, apostam todas as suas fichas no número insuficiente de votos que o governo ora apresenta para poder aprovar a reforma da previdência na Câmara. “A posição do presidente da Câmara nos deu um fôlego, mas não avançamos muito. Cada semana temos o desafio de adiar essa votação ou derrubar a PEC da Previdência”, diz a nota da CTB, ligada ao PCdoB, partido que recebeu em seu Congresso ninguém menos que o próprio Rodrigo Maia.

A CUT (ligada ao PT), também apostando na tática do adiamento, diz através de seu presidente, Vagner Freitas, que pediu ao governo que “retire da pauta do dia 6 de dezembro a votação da Previdência”.

A conivência da CUT e da CTB com os movimentos da Força Sindical e da UGT para recuar aparece na absoluta ausência de assembleias de base, nas categorias que dirigem, para que a demonstração de forças da classe trabalhadora seja contundente no dia 5, não para “adiar”, mas derrubar a reforma da previdência e impor um plano de luta sério para abolir a reforma trabalhista.

A CSP-Conlutas, central independente do governo e do PT, tem a tarefa de explicar a falsidade do pedido de “adiamento” de uma reforma que queremos abolir, alertar claramente aos trabalhadores os riscos que advém das negociações dessas centrais burocráticas, e a necessidade de que os trabalhadores tomem o dia 5 em suas mãos, construindo assembleias de base ali onde a CUT e a CTB (nem dizer a Força e a UGT) se negam a fazê-lo.

Entretanto, em sua declaração após a reunião, diz que “as entidades avisaram que está marcada uma Greve Nacional no dia 5 de dezembro, se o governo não recuar e tirar de votação a reforma”. A mobilização dos trabalhadores não pode depender das decisões que tome o governo golpista, deve se antecipar a eles e dar a marca da luta de classes contra a ofensiva dos capitalistas. Não há uma linha de alerta contra a eventual traição das centrais burocráticas que boicotaram o 30 de junho, eximindo-se de se dirigir às bases das outras centrais majoritárias para que tomem a greve nacional em suas mãos.

Desde o MRT e o Esquerda Diário dizemos novamente: as centrais sindicais devem se mobilizar e organizarem a greve nacional que convocaram a contragosto pela base, organizando assembleias nos locais de trabalho e não depender das decisões de Temer e Maia para lutar; é preciso que os trabalhadores da base sejam os grandes sujeitos políticos deste momento, surpreendam as próprias direções burocráticas e paralisem todo o país neste dia 5.

Chamamos todos a organizar em cada local de trabalho reuniões, comitês e assembleias de base, assim como toda a esquerda, como o PSOL, a CSP-Conlutas e a Intersindical, a colocar seu peso para exigir que as grandes centrais não se limitem a paralisar algumas categorias somente, mas que organizem efetivamente esse dia como uma grande greve que pare todo o país, que tenha continuidade num plano sério de lutas, e incorpore também como pauta a anulação imediata da reforma trabalhista, apontando para um programa operário de resposta à crise: com a anulação da dívida pública, impostos às grandes fortunas e redução da jornada de trabalho até garantir empregos para todos, sem redução salarial.

foto MIGUEL SCHINCARIOL AFP




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