Gênero e sexualidade

MASSACRE EM ORLANDO

Centenas de pessoas fecham Av. Paulista pelas vítimas de Orlando

Nesta quarta-feira centenas de pessoas se reuniram em SP para repudiar o massacre homofóbico de Orlando e prestar solidariedade às 49 vitimas.

quinta-feira 16 de junho de 2016| Edição do dia

Nesta quarta-feira, dia 15, centenas de pessoas voltaram a se reunir em São Paulo, no vão do MASP, para repudiar o massacre homofóbico de Orlando e prestar solidariedade às 49 vitimas do ocorrido na última semana. Com velas e cartazes, os manifestantes também denunciavam a LGBTfóbia no Brasil, que é reconhecido como um dos países mais homofóbicos do mundo.

O ato iniciou com diversas falas dentro do vão do MASP. Depois caminhou pela Av. Paulista levando a faixa "49 de Orlando Não esqueceremos!" em silêncio. Seguido de cartazes, a manifestação contou com o uso de rojões que coloriram o céu com as cores do arco-iris. Ao chegar na Praça do Ciclista foi lida a lista dos nomes das vítimas, onde acabou a passeata. Ao final alguns manifestantes cantavam "Fora Temer".

A Juventude Faísca esteve presente com cartazes denunciando Trump e as tentativas de esconder a LGBTFobia para aumentar ainda mais a xenofobia nos EUA. Uma delegação de trabalhadores da Universidade de São Paulo em greve participou da manifestação com uma faixa "Toda Solidariedade as vítimas de Orlando! Basta de LGBTFOBIA! Trabalhadores da USP" aprovada em assembléia.

Veja as fotos da manifestação e declaração da Juventude Faísca abaixo:

Declaração da Faísca AntiCapitalista e Revolucionária sobre 49 assassinatos de LGBT na boate Pulse em Orlando

O mundo inteiro ficou horrorizado com a barbárie homofóbica em Orlando, no Estado da Flórida nos EUA. A comunidade LGBT internacionalmente organizou prontamente dezenas de atos em diversos países para demonstrar seu repúdio a tamanho massacre. Reconhecido como o maior atentado desde o emblemático 11 de Setembro, nenhuma referência a LGBTfobia foi feita pelos grandes lideres mundiais que diziam-se inconformados com o atentado, mas vem querendo apagar a profunda e naturalizada LGBTfobia existente dentro dos EUA, que inclusive proíbe os LGBT a doarem sangue, pois ainda somos vistos como "o câncer gay".

Frente a uma grande polarização das eleições norte-americanos como estamos acompanhando, o candidato reacionário Trump faz questão de esconder a LGBTFobia para ressuscitar o fantasma do terror dos atentados terroristas e sua política xenofóbica para se promover eleitoralmente, inclusive pedindo a renuncia de Obama para tomar medidas ainda mais reacionárias contra o Oriente Médio, aumentando as fronteiras contra a população mexicana e os imigrantes. Se aproveita de 49 LGBT assassinados e outros 53 feridos em estado grave para fortalecer sua linha direitista nas eleições presidenciais. Com o Estado Islâmico assumindo o atentado, já que vem perdendo importantes posições na Líbia e na Síria, buscam se relocalizar e ter uma "demonstração de forças", ainda que o próprio FBI teve de reconhecer que o assassino homofóbico era americano e não tinha qualquer ligação com os extremistas. Hillary Clinton não muito diferente também mascara a homofobia e faz demagogia com o atentado, sem poder de maneira alguma propor alguma ação contundente contra a repressão sexual ou identitária naturalizada pelo Estado norte-americano.

No país de STONEWALL, nem nos bares estamos seguras!

Nos EUA onde temos a principal referencia do surgimento do movimento LGBT com travestis negras e mulheres lésbicas se levantando contra o braço armado do Estado e dizendo ao mundo todo para ter orgulho de ser quem se é. 47 anos depois de mais de três dias de barricadas e enfrentamentos, do surgimento da Parada LGBT e de organizações próprias pela liberação sexual e a livre construção da identidade de gênero ainda não estamos seguras.
Mesmo sem as leis reacionárias que proibiram homens e mulheres trans de usarem roupas correspondentes às suas identidades de gênero, mesmo sem a proibição de vender bebidas alcoólicas para LGBT ainda vemos que nem toda forma de amor é permitida no capitalismo.

Mesmo após diversos países adicionarem em suas agendas as pautas LGBT, incorporando direitos civis fundamentais como o casamento igualitário, a igualdade na lei não significa igualdade na vida e seguimos marginalizados, preso dentro dos próprios guetos LGBT e diversos "castigos secretos" que são cotidianamente sustentados pelas instituições como a Igreja, a Justiça, os Congressos Nacionais com destaque a polícia LGBTfóbica que assassina e reprime toda a forma não hetero e cisnormativa. Só chegamos a assistir massacres como este de Orlando porque são o último elo de uma cadeia de violências e direitos negados que são naturalizados cotidianamente que parte da expulsão de casa, a evasão escolar, os assédios morais e sexuais nos locais de trabalho e estudo, o desemprego estrutural e a prostituição compulsória as identidades trans, a patologização, as péssimas condições de (sobre)vida que somos submetidas. Isto é, mesmo que estejamos nas capas das revistas, nas novelas, nos clipes musicais, que tenha se aumentado a visibilidade da comunidade LGBT a partir da suas lutas históricas, o apoio de artistas e intelectuais e toda a demagogia das "democracias burguesas" não deixamos de morrer. Pelo mundo, a igualdade na lei ainda segue não sendo igualdade na vida.

De 2001 até hoje, em 14 anos, apenas 21 países no mundo (5 na América do Sul, 14 na Europa, 1 na Oceania e 1 na África) reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo com os mesmo direitos e benefícios. Em contraposição, 86 países possuem algum grau de restrição legal à liberdade de expressão homossexual, dos quais 38 com prisão (de 10 anos a perpétua) e 27 com pena de morte. Inclusive a própria resolução de 2011 sobre os direitos LGBT – limitadíssima – apresentada pelo Conselho de Diretos Humanos na Assembleia Geral da ONU (que congrega 194 países) foi assinada por apenas 93 membros, enquanto outros 54 assinaram uma declaração de 2008 contra os direitos LGBT e 46 sequer se manifestaram.

No Brasil e em toda a América Latina gritamos: A luta LGBT é mundial contra o sistema capitalista

No Brasil, depois do golpe institucional, os homofóbicos estão livres para cuspir seu ódio contra os LGBT. Não faltaram declarações provocativas e odiosas de Marco Feliciano, da familia Bolsonaro e de outros fundamentalistas religiosos, que ainda que não comemorassem o atentado abertamente, como disse Feliciano, "era apenas uma tentativa dos LGBT se autopromoverem". É desse ódio propagado desde o parlamento, desde os cultos religiosos e desde a Igreja Católica que disse que as pessoas trans são como "Bombas nucleares" que se utilizam da fé de milhares de trabalhadores para perpetuar o controle dos corpos e das identidades e desejos, assim fortalece a LGBTfobia. Com um golpista como Temer a frente do país, os ministérios que tratavam do tema das opressões já foram excluídos, se aniquilou a presença de mulheres, negros e LGBT destes cargos, tentou-se caçar o direito ao nome social e em alguns encontros como o do novo Ministro da Saúde com Marisa Lobo recebendo seu livro sobre "Ideologia de Gênero" ou a visita de Frota no Ministério da Educação são auto-explicativas da triste realidade dos LGBT no Brasil.

Todavia as demagogicas declarações da presidente afastada, Dilma Rouselff, que apesar de lamentar o ocorrido, nem chegou a citar a palavra homofobia, não deveria espantar ninguém, já que durante todo o seu governo muito além de não reconhecer a existência da opressão LGBTfóbica, se aliou e abriu espaços para os golpistas, com dias emblemáticos como a chegada do Pastor Marco Feliciano (PSC) à comissão de Direitos Humanos (!!!) em 2013 onde se reabriu a tentativa reacionária de retomar o projeto de "Cura Gay", que em palavras simples significa tortura e opressão à milhares de LGBT com autorização do Estado e legitimidade da medicina capitalista, que até hoje trata das identidades trans como doenças mentais. Se sobre os homossexuais Dilma não moveu um dedo sequer para criminalizar a homofobia como foi defendida na sua campanha eleitoral de 2014, sobre as travestis, homens e mulheres trans sequer chegou a reconhecer o altíssimo e gravissímo número de assassinatos que chegou em janeiro deste ano à dois por dia, levando a mais de 60 pessoas trans assassinadas.Além disso foi em seu mandato que se iniciou uma ofensiva de impedir debater as identidades trans dentro da escolas, demonstrando claramente como querem perpetuar o transfeminicidio.

Por isso, aqui no Brasil, nós da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária nos solidarizamos com os familiares e as vítimas do massacre de Orlando, porque nos doi como sentimos profundamente com os assassinatos de Kaique Augusto, Laura Vermont e todos os outras vidas que são ceifadas por essa sociedade que não tolera que sejamos donos dos nossos corpos e das nossas identidades e desejos. Que quer reprimir o conjunto da sexualidade para normatizar e domesticar nossa forma de ser e viver. Não aceitam que saímos na rua, que nos assumamos nos locais de trabalho e de estudo, que tenhamos orgulho de sermos o que somos e que possamos nos divertir e lutar pelos nossos direitos.

Por isso viemos ao ato hoje para dizer que em todo o mundo, nossa luta é a mesma! Nós LGBT junto com os imigrantes, as mulheres, negros e negras e o conjunto da classe trabalhadora não podemos permitir que usem deste massacre e de toda cadeia de opressões naturalizada por este sistema para ainda mais nos dividir e aumentar a força do Estado do maior país imperialista contra os trabalhadores e LGBT de outros países. É preciso enfrentar este ódio e tentativa de controle sobre nossos corpos e mentes de maneira independente.

ORLANDO NÃO É SOBRE TERRORISMO! É SOBRE A LGBTFOBIA!
NENHUM LGBT A MENOS! A VIDA DOS LGBT IMPORTAM
#LUTANDOPORORLANDO #CONTRAALGBTFOBIA #CONTRACAPITALISMO




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