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UNICAMP

Centenas de estudantes da Unicamp votam indicativo de paralisação e comitês de base contra Bolsonaro

A assembleia geral dos estudantes da Unicamp, organizando a revolta contra Bolsonaro, a extrema direita, o golpismo e as reformas, contou com cerca de 550 estudantes e deliberou indicativo de paralisação para semana que vem.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

sábado 13 de outubro| Edição do dia

Organizando a revolta contra o avanço de Bolsonaro e a extrema direita que quer esmagar os trabalhadores e a juventude e em memória a Mestre Moa do Katendê, capoeirista assassinado por um bolsonarista na Bahia, os estudantes votaram indicativos de paralisação e comitês de base para as assembleias de curso. Com diferença de apenas um voto entre paralisação na quinta feira (18) e paralisação de terça (16) a sexta (19), o indicativo aprovado para as assembleias de curso foi o de paralisar as atividades na quinta. O chamado votado foi "#EleNão Ditadura nunca mais! Unicamp vota Haddad 13! Mestre Moa e Marielle presentes!”.

Nós da Faísca defendemos que os estudantes da Unicamp devem estar na linha de frente do combate à extrema direita, que está sendo respaldada por manipulação das eleições feita pelo Judiciário, crescente politização das Forças Armadas e mais de 50 ataques brutais acontecendo contra quem se coloca contra Bolsonaro, como a suástica marcada nas costelas de uma garota lésbica em Porto Alegre. Nesse sentido, acompanhamos todos aqueles que querem expressar seu rechaço a Bolsonaro nas urnas, votando criticamente em Haddad, sem significar nenhum apoio político a esse partido, e denunciamos sua impotente estratégia eleitoral, que paralisa nossas entidades estudantis e as centrais sindicais. Por isso defendemos, junto a outros estudantes, o indicativo de paralisação de terça a sexta, uma vez que apenas a organização dos estudantes, incendiando os trabalhadores com seus métodos na luta de classes, que são os únicos que podem travar esse combate, podemos derrotar Bolsonaro e a extrema direita.

Estudantes da Economia da Unicamp levaram uma proposta de exigência à União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigida pela UJS de Manuela D’Ávila e à qual o DCE da Unicamp é filiado, para que organize os milhares de estudantes dos DCEs e Centros Acadêmicos do qual estão à frente para esse combate.

A tarefa da juventude que já provou sua força quando tomou as ruas do país em Junho, ocupou centenas de escolhas e protagonizou a Primavera Feminista, é construção de centenas de comitês de base pelas universidades do país, para impulsionar a luta e a defesa dos ataques da extrema direita em cada local de trabalho e estudo contra Bolsonaro. Os comitês devem ser nossa ferramenta para massificar nossa luta e nos aliar aos trabalhadores, muitos dos quais hoje depositam confiança em Bolsonaro que quer, pela força, avançar e aprofundar os ataques à classe trabalhadora dos quais Temer não foi capaz.

Nós da Faísca reafirmamos a exigência aprovada à UNE para que organize pela base, com comitês e espaços de auto-organização, esse enfrentamento, o que essa entidade não fez frente ao golpe institucional, à Reforma Trabalhista e ao ataque ao direito do povo decidir em quem votar. Não há tempo a perder. Por isso também chamamos às correntes de esquerda, como PSOL e PCB, que, nesta assembléia, defenderam e votaram contra a paralisação de três dias, a não caírem na impotência da estratégia eleitoral que constrói a passividade e fortalece a extrema direita.




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