Educação

Censura nas escolas: Governo de RO manda recolher obras literárias e recua logo depois

Tendo em vista que diversas dessas obras trazem uma análise crítica sobre a realidade, o recolhimento delas poderia ser considerado uma censura, uma vez que impediria que os alunos pudessem, por meio do estudo delas, adquirir ferramentas para leitura da sociedade.

sexta-feira 7 de fevereiro| Edição do dia

Nesta quinta-feira (6) a Secretaria de Educação de Rondônia enviou, junto a um
memorando, uma lista de livros a serem recolhidos nas escolas. Tal determinação,
incluía obras de autores como Kafka, Mário de Andrade e todas produzidas por
Rubem Alves. O que fica claro frente a isso, é que essa ação estaria em diálogo
com o projeto reacionário que Bolsonaro reserva à educação.

A consonância entre essa ação e o projeto de educação bolsonarista se confirma ao
relembrarmos que o atual presidente sempre afirmou que as escolas seriam
responsáveis por promover a doutrinação comunista aos seus estudantes. Além
dessa afirmação, feita pelo presidente desde o período pré-eleitoral, ele também já
pontuou que os livros utilizados pelas escolas, sobretudo os didáticos, possuem
muitas coisas escritas, o que tornava necessário a suavização disso.

O secretário da Educação de RO, primeiramente buscou descredibilizar a mídia,
afirmando que a determinação para recolher os livros era fake news. No entanto, ele foi confrontado com imagens que confirmam veracidade de que essa ação seria
promovidas nas escolas. O governo do estado de Rondônia, Coronel Marcos
Rocha, filiado ao PSL e que provavelmente irá para o Aliança, é aliado de
Bolsonaro, o que reforça ainda mais o caráter ideológico por trás dessa
determinação.

Tendo em vista que diversas dessas obras trazem uma análise crítica sobre a
realidade, o recolhimento delas poderia ser considerado uma censura, uma vez que
impediria que os alunos pudessem, por meio do estudo delas, adquirir ferramentas
para leitura da sociedade. Para além disso, a determinação está inserida em um
pacote de precarização das escolas que, como próprio Bolsonaro afirma, deve se
limitar a ensinar o mínimo aos estudantes.




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