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Censura na educação: Professor é demitido em escola particular após ter aula filmada

Na última semana ocorreu na unidade de São José dos Campos do Colégio e Cursinho Poliedro um explícito caso de censura em sala de aula.

segunda-feira 22 de abril| Edição do dia

Tudo começou, de acordo com estudantes presentes na situação, quando certos alunos começaram a questionar um professor durante a aula sobre suas posições acerca do governo de Jair Bolsonaro, e persistindo, contra a vontade do professor, com insinuações sobre sua orientação política. Com o fim de esclarecer as dúvidas da sala sobre o tema, o funcionário iniciou uma fala que criticava o presidente, deixando previamente claro que o que se sucederia se tratava de sua opinião e que, diante de posicionamentos que fossem contrários ao seu, estaria completamente aberto ao debate. Entretanto, durante a fala do profissional, alguns alunos filmaram trechos do discurso e divulgaram o vídeo na internet, completamente despido do contexto original. Não demorou até que páginas de movimentos reacionários, como a do Escola Sem Partido, passaram a divulgar o vídeo exigindo a imediata demissão do professor, atitude apoiada e reproduzida por diversos pais de alunos da escola. O que ocorreu depois disso não se trata de nenhuma surpresa: o desligamento imediato do profissional da instituição, e apenas uma advertência formal para os alunos que cometeram a atitude criminosa de filmar e expor na intenção arruinar a carreira do educador, tudo isso sendo comunicado por meio de uma postagem nas redes sociais do colégio, que afirmava que ambos, o aluno e o professor, sofreriam as devidas punições. Vale lembrar que a mesma instituição tem amplo histórico de impunidade para casos de homofobia, transfobia, assédio, racismo e outras formas de preconceito e violência, sendo um dos mais famosos o caso da suástica desenhada na parede de uma sala de aula na segunda metade de 2018, no qual o autor recebeu apenas um dia de suspensão.

Rapidamente a notícia da demissão do professor por críticas ao presidente Jair Bolsonaro ganhou imensa divulgação no país, sendo comemorada pelos setores alinhados ao governo, explicitando os termos do projeto bonapartista de educação censurada, alienada e precarizada, proposta pelo atual Ministério da Educação. No caso do Colégio Poliedro, tal projeto se mostra no âmbito privado, com o ensino cada vez mais refém dos interesses burgueses de produzir mão-de-obra qualificada e totalmente alienada. Por outro lado, uma imensa quantidade de estudantes e ex-estudantes se manifestaram contra a lamentável atitude da escola, exigindo a readmissão do profissional. Frente a tal cenário, é de suma importância que nós do Esquerda Diário nos posicionemos a favor do professor, que significa tambem se posicionar contra o projeto de país defendido pela perversidade dos interesses burgueses, representados pela figura do presidente Bolsonaro, que entendem como empecilhos os educadores que prezam pela formação de seres críticos e não alienados.




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