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Catástrofe capitalista: 111 milhões de infectados e mais de 2 milhões de óbitos pela Covid-19 no mundo

Com mais de 2 milhões de óbitos pela pandemia de Covid-19, a classe trabalhadora tem sido sacrificada para garantir a manutenção dos lucros da burguesia.

Kleiton Nogueira

Doutorando em Ciências Sociais (PPGCS-UFCG)

sábado 20 de fevereiro| Edição do dia

De acordo com as estatísticas disponibilizadas pelo worldometers há um total de 111.333.925 pessoas infectadas por Covid e 2.465.548 de óbitos. por Covid-19 no mundo [Dados de 20/02/2021]. Conforme o gráfico 1 demonstra, os dez países com mais número de óbitos estão sob a “liderança” dos Estados Unidos, seguido do Brasil e México:

Gráfico 1 – Países com mais óbitos por Covid no mundo

Fonte: https://www.worldometers.info/coronavirus/ [Elaboração própria]

Estatisticamente esse quantitativo implica que do total de casos de mortes por Covid-19 no mundo [2.465.548 de óbitos] tais países juntos representam cerca de 65%. Os Estados Unidos implicam num total de 21% e o Brasil 10%.

Destacamos que o impacto da Covid-19 no mundo é fruto de um intenso ataque da burguesia contra a classe trabalhadora que durante os últimos quarenta anos, através da hegemonia do capital financeiro, sob a égide do neoliberalismo, tem realizado contrarreformas nas políticas sociais, que nos países centrais receberam a alcunha de “Estado de bem-estar social”, mas que em formações econômico-sociais de corte semicolonial, a exemplo do Brasil, nunca foi uma realidade.

O neoliberalismo se instala nesses países sem ter havido um nível de participação estatal que provesse a sociedade de uma qualidade de vida satisfatória, países como Brasil, Argentina e Chile, apenas para citarmos um exemplo, vivenciaram regimes ditatoriais, que oprimiram a classe trabalhadora e comprimiram os ganhos reais de salário.

Todavia, a questão da pandemia de Covid-19 vai além de um mero arcabouço de estatística descritiva, implica na própria reflexão de como vivemos e a forma como o capitalismo, a partir de cada país foi se materializando. Contrária a uma visão linear, etapista e anti-dialética, própria do stalinismo, o Capitalismo não pode ser caracterizado de forma homogênea, uma vez que o próprio processo de expansão desse modo de produção aglutinou tendências endógenas e exógenas das relações sociais de produção num marco internacional.

A pandemia é o retrato disso, ela não se materializa da mesma forma em todos os países, e isso não tem a ver apenas com o aspecto da gestão, mas também dos elementos históricos e concretos de cada um dos países que formam o globo. Além disso, é claro que sob o capitalismo a classe trabalhadora tem sido sacrificada em detrimento do lucro, são parcelas e mais parcelas de trabalhadores e trabalhadoras, subalternos, povos indígenas, negros, quilombolas, refugiados, precarizados e comunidade LGBTQI que tem sofrido na pele as mortes por Covid-19.

Ao mesmo tempo em que o capitalismo procura tirar proveito da situação, forçando em cada país mais ataques aos trabalhadores, assistimos a uma verdadeira irracionalidade na condução da pandemia. São laboratórios disputando entre si para quem produz a vacina mais eficaz e com isso, ter uma lucratividade sem igual, tendo em vista que a demanda é mais que certa num período pandêmico.

Veja mais em: Guerra pelas vacinas": frente à irracionalidade capitalista, anulação das patentes e vacinas para todo mundo

Numa geopolítica da imunização contra a Covid-19 é latente o nível de disparidade entre os países imperialistas e aqueles semicoloniais conforme podemos observar na figura a seguir:

Figura 1 – Imunização contra a Covid-19 no mundo [19.02.2021]

Fonte: ourworldindata.org

É nítido a discrepância entre países do norte e do Sul. O continente africano por exemplo, tem sido um dos mais afetados pela ânsia do lucro capitalista em torno da Covid-19.

Veja mais em: Países mais pobres são afetados pela distribuição da vacina e nova variante do coronavírus

Além desse fato, passados mais de um ano do início da Pandemia o que temos presenciado é uma escolha nítida pela manutenção dos lucros capitalistas. Indústrias e variadas empresas priorizaram a manutenção da produção não essenciais ao invés de reconverter a malha produtiva para ajudar inteiramente no combate à pandemia, o que apenas demonstra os interesses irreconciliáveis entre classe trabalhadora e a burguesia.

No caso brasileiro essa realidade toma contornos mais obscuros, tendo em vista que o negacionismo bolsonarista é reafirmado pelas atitudes do presidente Jair Bolsonaro, que durante toda a pandemia fez pouco caso da situação, além de agir proativamente numa lógica de imunidade de rebanho, forçando a classe trabalhadora a trabalhar, colocando o dilema vida versus economia.

Essa mesma forma de encarar a pandemia também não se diferenciou de como governadores e prefeitos trataram do tema, apesar de aparentemente existir certa discordância entre presidência da república e esses atores, o que se materializa na prática é a ausência de testes massivos, cuidados efetivos aos trabalhadores; ausência de equipamentos de proteção individual para os trabalhadores da saúde.

E nesse sentido, o Brasil vai acumulando óbitos e mais óbitos, penalizando as trabalhadores e os trabalhadores numa clara divisão de classe. São mais de 244 mil óbitos, do quais em sua maioria é concentrado na população negra do país. Os óbitos apenas aumentam numa média móvel diária que ultrapassa a faixa de mil mortes por Covid-19.

Figura 02 – Distribuição dos óbitos no Brasil por semana epidemiológica

Fonte: https://www.conass.org.br/painelconasscovid19/

Esse dados apenas demonstram que sob o capitalismo, a pandemia tende apenas a se alongar causando mais mortes. Enquanto isso, a burguesia continua lucrando e fazendo a manutenção dos ataques aos trabalhadores, como no regime golpista que temos vivenciado no Brasil, com o mutualismo entre presidência, STF e câmara dos Deputados. A materialização desse descaso é evidenciado por nós com o descaso no nortes do país, no qual as pessoas morrem por falta de insumos como oxigênio.

Veja mais em: Tragédia anunciada: Por que Manaus é um exemplo do que o regime do golpe quer para o Brasil

Como devemos encarar à saída para a crise sanitária ?

Muito se fala sobre a pandemia de Covid-19, mas pouco se comenta sobre propostas concretas e de corte transicional, que tenha por lógica uma tática anticapitalista. Diante desse fato, é necessário termos em consideração que a relação entre saúde humana e capitalismo é vascularizada por interesses burgueses através de uma medicina do capital que busca desde um aspecto formativo, realizar a manutenção de um saber médico em prol da lucratividade.

Veja mais em: Comentário sobre o livro “A medicina dos sintomas”

Dessa forma, só existe um caminho para a classe trabalhadora diante da atual crise sanitária: é a união dos trabalhadores e trabalhadores sem nenhum ilusão quanto a conciliação de classes. Essa força proletária já é executada na prática, tendo em vista que tudo o que tem funcionado e meio à pandemia é feito pelas mãos dessa classe.

As novas variantes do Sars-Cov-2, além das taxas de desemprego e ataques aos trabalhadores pelas reformas sociais, a exemplo da Emenda Constitucional número 29 que congela os gastos públicos por vinte anos não trazem nenhum tipo de alento para os subalternos.

Diante desses elementos, é imprescindível a luta dos trabalhadores para a promoção de vacinas para todos, pela quebra de patentes e nacionalização das empresas farmacêuticas e dos laboratórios a serem geridos pelos próprios trabalhadores, no sentido de superar o reino da carência, para de fato alcançarmos uma lógica racional de enfrentamento à pandemia. Partimos do pressuposto que essa crise não atinge todos da mesma forma, e intrinsecamente apresenta o caráter de classes, no qual os mais pobres são os mais afetados.

No capitalismo a única coisa que tem sido feita é a administração da crise através de medidas do isolamento social, um paliativo que apesar de diminuir a taxa de contágio, não consegue trazer efeitos efetivos, uma vez que, sob a pressão do capital, logo que o isolamento é desfeito os casos de Covid-19 aumentam, como tem ocorrido no Brasil, com a total ingerência política que temos presenciado. Muitos governantes falam de ausência de recursos, mas agem de forma demagógica ao alimentarem os sistemas das dívidas públicas do variados países, dando mais força à fração financeira da burguesia.

Elementos como a luta da ampla vacinação, liberação de patentes; nacionalização de empresas e laboratórios farmacêuticos, aumento do orçamento para a saúde e recondução da indústria para o enfrentamento da pandemia sob direção proletária se faz urgente diante do cenário de morte que temos vivenciado. Como reafirmamos através da Declaração da Frente de Trabalhadores (FT) é mais que urgente para aqueles que estão do lado dos trabalhadores realizarmos uma luta anticapitalista no sentido de impulsionar as reinvindicações para o real enfrentamento da pandemia, que passa pela extinção de patentes e garantia de condições mínimas aos trabalhadores e trabalhadoras para se recuperaram da pandemia, no sentido de atestar que nossas vidas valem mais que os lucros dos capitalistas.




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