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Catarata de denúncias contra Trump por abuso e assédio sexual

O jornal New York Times publicou nesta quinta denúncias de duas mulheres que relatam abusos da parte de Trump. A publicação Slate contou com ao menos 8 denúncias contra o magnata.

sexta-feira 14 de outubro| Edição do dia

As acusações contra Trump por diferentes tipos de abuso começaram a sair à luz no debate de domingo, em que o candidato republicano negou que alguma vez tenha praticado abusos contra mulheres que haviam sido revelados em um áudio na semana passada.

O jornal New York Times publicou nesta quinta ao menos 2 deles, enquanto que a publicação Slate elevou esse número a 8. As mulheres que denunciaram os abusos ocorridos nos últimos 30 anos foram desqualificadas pela campanha de Trump, que classificou ou casos como “fictícios”.

O New York Times recolheu o testemunho de Jessica Leeds e Rachel Crooks, que denunciaram os abusos do atual candidato à presidência republicano.

Leeds, que agora tem 74 anos, explicou ao jornal nova iorquino que há 3 décadas o magnata se esfregou “como um polvo” sobre ela nos assentos de primeira classe de um avião, que ele lhe tocou os seios e tentou meter a mão por baixo da sua saia.

Crooks, por sua vez, relatou que em 2005, quando ela tinha 22 anos e trabalhava na Trump Tower de Nova York, coincidiu com o magnata num elevador do edifício e que este, que não a conhecia, a beijou na boca.

Os relatos de Leeds e Crooks coincidem com os comentários realizados por Trump na gravação que desatou o escândalo, que também data de 2005 e na qual o magnata alardeava de tocar e beijar as partes íntimas das mulheres sem seu consentimento.

“As mulheres bonitas me atraem automaticamente. Começo a beijá-las, é como um imã, não posso nem esperar (...). E quando você é uma celebridade deixam você fazer o que quer, pode fazer o que quer (...). Agarrá-las na vagina. Pode fazer tudo”, disse Trump em uma conversa privada com o apresentador Billy Bush.

Porém, Trump negou neste domingo, durante o segundo debate presidencial com a democrata Hillary Clinton, ter feito os comentários, que qualificou como “somente palavras” e de “linguagem de vestiário”. Essa negação de Trump foi a que incendiou a ira de Leeds e Crooks, que decidiram publicar seus casos em um dos jornais mais importantes do país.

O artigo do New York Times foi seguido de um do The Palm Beach Post com o testemunho de Mindly McGillivray, a assistente de um fotógrafo que trabalhava no hotel Mar-a-Lago, pertencente ao magnata.

McGillivray denunciou que durante um concerto de Ray Charles no hotel, em 2003, Trump, que estava com sua atual esposa, Melania, a acariciou nos bastidores.

A quarta mulher a oferecer seu testemunho foi a jornalista da revista People, Natasha Stoynoff, que acusou o candidato de abusá-la em 2005, durante uma entrevista que fez com o magnata e Melania, com quem já teria casado e que estava grávida.

De acordo com o relato de Stoynof publicado na People, o magnata a levou a uma casa de Mar-a-Lago, trancou-a e a beijou sem seu consentimento. “Ele me empurrou contra a parede e meteu sua língua até a minha garganta”, disse.

Antes de se reencontrar com Melania e voltar ao “modo marido carinhoso, como se nada tivesse acontecido”, Trump no entanto teve tempo de continuar assediando a jornalista: “Você sabe que vamos ter uma aventura, não é? (...) Vamos ter uma aventura, estou te dizendo”.

Em um primeiro momento, a campanha de Trump classificou o artigo do New York TImes de “ficção” e disse que as denúncias eram uma “difamação coordenada e completamente falsa” contra o candidato republicano.

Mais tarde, os advogados do magnata, do bufet Kasowitz, Benson, Torres e Friedman, convidaram o jornal nova iorquino a retirar o artigo, retificar e pedir perdão, do contrário ameaçaram processá-lo.

“É evidente que, entre muitas outras coisas, pelo tom do artigo, não há nada mais que um esforço politicamente forçado de derrotar a candidatura de Trump”, apontaram os advogados, ao classificar os testemunhos de “falsos” e “maliciosos”.

Apesar dos argumentos da campanha de Trump, é de se esperar que novas acusações por abuso continuem saindo à luz nos próximos dias, já que a publicação Slate conta com ao menos 4 relatos mais, além dos que já são públicos.

As acusações chegam há uma semana do terceiro e último debate presidencial, e no momento mais crítico da campanha de Trump, que tem perdido o apoio da maioria do establishment do partido republicano e de seus principais patrocinadores, que exigem a devolução de seu dinheiro diante da publicação do áudio da semana passada.




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