Educação

CAMPINAS

Casos em escolas do Ouro Verde escancaram o risco do retorno às aulas presenciais

Alertamos aqui para a delicada situação das escolas da região do Ouro Verde em Campinas. Cinco delas já apresentam ao menos um caso de contaminação: Eliseu Narciso, Eduardo Barnabé, Cecília de Godoy, Orlando Signorelli e Newton Pimenta. Muitos professores, alunos e funcionários estão com suspeitas. Os testes só ocorrem devido ao esforço individual de quem possui sintomas. Entre os casos encontram-se, funcionários administrativos, terceirizados, gestão, professores e alunos. Um professor precisou ser internado. A comunidade teme que escolas da região tenham surtos de contaminação.

quinta-feira 25 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Arthur Menicucci/G1

Desde o início do retorno inseguro das escolas de São Paulo imposto por Doria e Rossieli, até hoje, já foram registrados mais de 1045 casos de contaminação por Covid-19 em pelo menos 500 escolas do estado. Só nesta semana tivemos a triste notícia da morte da professora Deolinda Scott de Bragança Paulista, do professor Antônio César Pereira de Carapicuíba e da professora Maria Tereza Miguel Couto de Caçapava. Rossieli de forma hipócrita ainda quis utilizar deste falecimento, do qual sua política é responsável, para atacar professores que denunciam que a reabertura insegura custará ainda mais vidas. Como se não fosse o bastante, em Campinas, nesta quarta feira, recebemos a lamentável notícia da morte de uma aluna de 13 anos na Escola Estadual.

As cidades do interior do estado apresentam quadros catastróficos de UTIs lotadas, ascenso desenfreado de novos casos e evidências de contaminação comunitária com novas cepas. A cidade de Araraquara precisou declarar lockdown e já registra um número de mortos por Covid-19 maior do que ano passado. Muitas outras cidades do interior alertam sobre perigo de falta de oxigênio em hospitais. É neste contexto, de evidente descontrole sanitário, que Doria, Rossieli e prefeitos como Dário Saadi querem manter o retorno presencial das escolas.

Na região metropolitana de Campinas o número de casos de Covid-19 estão a aumentar. Os leitos de UTIs do SUS atingiram lotação máxima e existe suspeita de contaminação comunitária por novas cepas. Cresce também o número de jovens e menores de 60 anos internados em condições graves. Desde o início do mês várias escolas particulares suspenderam o retorno presencial devido a surtos. Esta semana a Escola Estadual Jardim Mariza suspendeu as aulas presenciais devido a evidência de que não existe estrutura e condições para garantir que não exista aumento de contaminações na Escola.

Aqui, neste texto buscamos alertar para a delicada situação das escolas da região do Ouro Verde em Campinas. Até agora cinco delas apresentaram ao menos um caso de contaminação: Eliseu Narciso, Eduardo Barnabé, Cecília de Godoy, Orlando Signorelli e Newton Pimenta. Muitos estão com suspeita. Entre os casos encontram-se, funcionários da secretaria e da gestão, professores e alunos. Sendo que um professor precisou ser internado. A Escola Eduardo Barnabé teve casos confirmados ainda durante o planejamento e o retorno foi mantido. Nas semanas que seguiram, dia a dia, circulam notícias de casos suspeitos. Professores, funcionários e pais temem que escolas da região tenham surtos de contaminação.

Secretaria e Diretoria de Ensino ocultam gravidade

A reação da Secretaria de Educação e da Diretoria de Ensino evidencia uma postura oposta aquela imagem de cuidado sanitário e de mapeamento de casos que Rossieli insiste em pintar na televisão e em suas aparições demagógicas no Centro de Mídias. Quando existe um caso suspeito, ou mesmo confirmado, não acontece nenhuma política de testagem ampla, nem ao menos se avisa publicamente a comunidade escolar e o corpo de funcionários. As direções se limitam a notificar aqueles que teriam tido contato direto com a pessoa contaminada e ao sistema de monitoramento.

As escolas que apresentaram recados aos pais ou comunicados oficiais fizeram devido à pressão de professores e pais responsáveis que sabem que se não for ação da comunidade a SEDUC deixará professores, funcionários, pais e estudantes inflarem os macabros números da pandemia no Estado.

A ausência de uma comunicação pública para o corpo de funcionários e para as famílias retira o direito de a população ter amplo conhecimento que a presença na escola não é segura.

A definição de quais são os contatos diretos não é simples em um ambiente escolar. Diferente do que nos querem fazer acreditar, a escola é um espaço de alta circulação com muita dificuldade de controle da movimentação. Os espaços são compartilhados e geralmente com pouquíssima ventilação: sala dos professores, salas de aulas, banheiros, pátio e refeitórios.

Vulnerabilidade das escolas

Parte das escolas como o Newton Pimenta e o Orlando Signorelli estão com reformas em andamentos. Algumas escolas não possuem todos os banheiros em uso, devido essas reformas. Soma-se a falta de trabalhadoras da limpeza. Muito meios de comunicação já denunciaram que as escolas estaduais não possuem um quadro de trabalhadoras suficiente para realizar a higienização necessária. Ao longo do ano de 2020, uma grande parte de trabalhadores e trabalhadoras da limpeza escolar foram demitidos pelas empresas terceirizadas com as quais a Secretaria da Educação tem contrato. E mesmo anunciando, no fim do ano de 2020, o retorno da volta às aulas programado para fevereiro desse ano a Secretaria da Educação não providenciou contratação de mais funcionários para garantir a limpeza das escolas. Algumas escolas, como Eliseu Narciso, chegaram, em certas ocasiões, a ficar sem trabalhadores da limpeza. Ali, foi noticiado que uma única funcionária precisou se afastar por motivos de saúde.

As outras escolas da região seguem funcionando, recebendo alunos, professores e pais, em condições precárias. Por vezes acontecem aglomerações e filas para retirar material didático. Isso ocorre devido ao quadro de trabalhadores administrativos ser muito baixo.

Para a Secretaria da Educação o objetivo é manter as escolas abertas com o custo das vidas de educadores, alunos e familiares. A região traz ainda uma questão que chama a atenção, são inúmeros os professores que ministram aulas em mais de uma dessas escolas, sendo assim é possível estabelecer uma relação de contato em praticamente todas as cinco escolas.

Mobilizar a comunidade contra a abertura insegura das escolas!

Campinas é um exemplo claro de que aquilo que Rossieli diz, que escolas não são ambientes de propagação do vírus, é uma grande mentira. O retorno forçado as aulas só agravou a circulação do vírus e contribuiu para a superlotação dos hospitais.

A administração de várias cidades da região reconhecem a gravidade uma vez que foram obrigadas a suspender o retorno das redes municipais. Dário Saadi, de forma cínica, passou a cidade para a faixa vermelha, apenas na madrugada. Medida que foi seguida pelo governador Doria em todo o estado. Em Campinas, Dário quis manter o retorno presencial das escolas, mas hoje foi obrigado a voltar atrás e adiar para abril.

Não há motivos que justifiquem essa enorme exposição de pessoas à contaminação nas escolas. Os governos seguirão fazendo escolhas mortíferas. A forma de nos protegermos é a nossa mobilização. Por isso é importante organizarmos professores, trabalhadores, pais e alunos e exigirmos o fechamento das escolas até que a comunidade escolar e os trabalhadores da saúde decidam que é seguro voltar.




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