Gênero e sexualidade

OPINIÃO

Caso de homofobia contra jovens dentro de uma escola em São José do Rio Preto

Publicamos relato de Paulo, mestrando do programa de Pós-Graduação em Letras da UNESP-IBILCE, em São José do Rio Preto sobre mais um caso de homofobia contra jovens dentro de uma escola.

quarta-feira 8 de abril de 2015| Edição do dia

Mais uma vez salta aos olhos o quanto os vetos feitos pelo governo Dilma aos Kits-educativos de combate à homofobia aprofundam a criminalização da homossexualidade, enquanto na Câmara, o Presidente Eduardo Cunha e seus parceiros postergam a aprovação da lei que criminaliza a homofobia enquanto desenterram cadáveres putrefados de projetos como Cura-gay e Dia do orgulho hétero de suas escrivaninhas direto da idade Média.

Dois garotos, um pedido de namoro e um beijo, às escondidas, no banheiro, para selar este momento. Mas eis que o amor reinante é surpreendido e esbarra em impedimentos que busca impossibilitá-lo. Não. Não iniciarei aqui um conto de fadas, com a exaltação do amor romântico em suas últimas consequências, mas sim falarei de um fato.

Dois estudantes, do sexo masculino, da EE Monsenhor Gonçalves, escola tradicional da cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, levaram uma suspensão e foram convidados a se retirarem daquela unidade escolar após serem vistos, pela Direção da escola, se beijando no banheiro masculino, em decorrência do pedido aceito de namoro. A Direção chamou os pais dos alunos, mesmo depois de pedirem para que não tomasse essa atitude, porque seus pais não sabiam de sua orientação sexual, o que resultou que um deles fosse imediatamente transferido de escola, enquanto o outro, cuja mãe é pastora evangélica, foi humilhado e expulso de casa. Vale ressaltar que os alunos desta mesma escola confirmam que casais heterossexuais podem manifestar afeto tranquilamente pelos corredores da escola, o que aponta para a desigualdade marcante no tratamento entre casais homossexuais e heterossexuais no ambiente escolar.

Alunos da escola, indignados com a postura da Direção, afinal, não é a primeira atitude autoritária e altamente questionável que a diretora toma, juntamente com movimentos sociais, como Movimento Mulheres em Luta, Coletivo LGBT de São Paulo, Coletivo Feminista Ana Montenegro e GADA, além do Conselho dos Direitos da População LGBT do Estado de São Paulo e outros membros da sociedade, realizaram hoje, pela manhã, um ato em repúdio a homofobia em frente à escola Monsenhor Gonçalves.

Quantos de nós já ouvimos sobre o poder transformador da educação, que quanto mais estudamos, mais críticos e capaz estamos para atuar politicamente na sociedade, porém, a questão que se coloca é: toda e qualquer educação é transformadora por si só? Acredito que fatos como este ocorrido nesta escola de São José do Rio Preto nos ajudam a repensarmos nossa concepção de educação, porque a postura assumida pela Direção, marcada por reacionários, autoritarismo e preconceitos, com certeza não contribui para criar um ambiente saudável em que os alunos possam duvidar, questionar e reivindicar transformações. Estamos em um momento de luta pela educação, expressa, principalmente, pela greve dos professores da rede estadual, o qual mobiliza discussões essenciais sobre nosso sistema educacional, o que, entre outros aspectos, perpassa pela questão do não preparo das escolas para lidar com a sexualidade, principalmente, em se tratando dos LGBT’s.




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