Sociedade

DESASTRE

Casa desmorona após forte temporal em Mauá

Mais uma família perde o imóvel na cidade de Mauá, moradores da região estão aflitos com a possibilidade de novos desmoronamentos decorrente das fortes chuvas.

Thiagão Barros

morador de Mauá, no ABC paulista

sexta-feira 23 de março| Edição do dia

Madrugada do dia 22/03, às 04h30 da manhã foi quando a casa do casal Vanda Selma dos Santos e Raimundo Rodrigues desmoronou, já se contava quase 30 anos que os dois moravam na residência que ficava na Viela São João Del Rei no bairro Vila Assis Brasil, em Mauá. A estrutura da casa estava fragilizada, com a água do rio, não resistiu à tempestade e cedeu. Embora ninguém tenha fica ferido e todos os móveis tenham sido retirados antes do desmoronamento, a família perdeu o imóvel onde morava e agora tenta sobreviver com um auxílio-aluguel de R$400,00, que não dá para alugar uma casa onde caiba nem os móveis que foram retirados da casa anterior.

O drama dos moradores da Viela São João Del Rei começou a cerca de 3 anos quando um rio foi desviado por causa da construção de uma via de acesso ao rodoanel e começou a passar atrás das casas da viela. O novo rio trouxe consigo o mal cheiro e roedores e o solo aos poucos foi ficando úmido e erosões começaram a aparecer enfraquecendo as estruturas das casas.

A cidade de Mauá como o restante do país sofre com as chuvas no início do ano. No primeiro dia do ano uma criança morreu soterrada após a casa onde morava deslizar morro abaixo e em 2011 outra criança morreu pelo mesmo motivo. Segundo os dados da Pesquisa feita pela UFABC (Universidade Federal do ABC) em parceria com o Consórcio Intermunicipal, realizado entre maio de 2015 a julho de 2016, Mauá tem um déficit habitacional de 39.367 famílias e existem cerca de 27 mil moradias precisando de regularização fundiária e grande parte é desprovida de infraestrutura urbana. Neste cenário onde quase um quarto da população tem problemas com moradia o prefeito Átila Jacomussi (PSB) nada faz.

A professora Maíra Machado, ex-candidata a vereadora pelo PSOL que conquistou 1500 votos na última eleição, e que tem denunciado vários casos de injustiça na região do grande ABC comentou: “Este é um desastre tipicamente capitalista, que existe devido a sede de lucro do setor imobiliário, hoje o déficit habitacional na região do grande abc é de 230 mil famílias e se seguir o ritmo de construção de moradias populares proposto pelas gestões atuais o problema vai ser resolvido apenas em 73 anos. Os trabalhadores precisam de moradia digna e de qualidade. É um absurdo que o déficit habitacional nacional seja 5,6 milhões e que contraditoriamente existam mais de 6 milhões de imóveis vazios no país. Pessoas estão perdendo seus lares construídos a muito custo e em muitos casos morrendo, a responsabilidade é dos empresários e desse governo que a cada dia ataca mais as nossas condições de vida."




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