Educação

RACISMO INSTITUCIONAL

"Casa Grande" é nova disciplina racista da Escola de Arquitetura e Design da UFMG

O professor Otávio Curtiss está ofertando a disciplina de projetos flexibilizados (Pflex) “Casa Grande” na Escola de Arquitetura e Design da UFMG. O nome da disciplina não é uma infeliz coincidência e sim uma proposta declaradamente racista também em seu conteúdo.

Pammella Teixeira

Belo Horizonte

quinta-feira 27 de julho| Edição do dia

A UFMG mais uma vez é palco do racismo institucional, agora de forma oficial em sua grade curricular. Não bastasse a universidade reproduzir diariamente em sua estrutura o racismo fortemente presente na sociedade, para esse segundo semestre de 2017 o professor Otávio Curtiss, da Escola de Arquitetura e Design da UFMG, decidiu ofertar uma disciplina que declara abertamente a intenção de não apenas seguir reproduzindo o racismo na sociedade, como pretende formar profissionais que trabalhem para manter essa reprodução.

"Casa Grande" é a nova disciplina que irá ensinar jovens futuros arquitetos a montar projetos de casas baseados em um condomínio de luxo, no qual as residências possuem a nítida divisão entre uma "zona íntima" – a Casa Grande – e uma "zona de serviços", a Senzala.

A universidade já possui em toda sua estrutura um forte racismo institucional. As negras e negros ainda são minoria nas salas de aula e ampla maioria ocupando os postos de trabalho mais precários, como os terceirizados que prestam serviço na limpeza e jardinagem. Professores negros também são minoria, como mostramos aqui nessa entrevista. Agora, o racismo também é declarado oficial e oferecido como parte do conhecimento ali produzido.

A disciplina, que mais parece uma provocação frente ao recém ingresso – ainda pequeno – de mais negras e negros na UFMG, com a implementação total da lei federal das cotas e a recém aprovação de cotas da pós-graduação, não passou despercebida e foi repudiada pelos estudantes de Arquitetura.

Se por um lado se vê o avanço de conquistas como as cotas, chegando agora até mesmo na USP e Unicamp, as universidades mais elitizadas do país, por outro essa absurda disciplina mostra que cotas é apenas o começo. É preciso lutar para subverter toda a lógica da universidade, acabar com o filtro social e racial do SISU e derrubar a estrutura de poder antidemocrática, que permite que alguns professores decidam sozinhos pelos seus interesses, como por exemplo a oferta de uma disciplina racista, e assim colocar o conhecimento produzido na universidade à serviço dos trabalhadores e da população.

Veja abaixo a "Nota coletiva de repúdio à disciplina ’Casa Grande’", do Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura e Design da UFMG:




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