Cultura

CRÔNICA

Carta para Amaranta entregar para os mortos

sábado 31 de março| Edição do dia

Eu ainda to querendo falar sobre tudo, to com vontade de ficar mais calada. Não sei se idade, ou apenas questão passageira, ah! Comecei com a neurose de que estou fumando muito, ai esqueço-me de me acalmar e fumo mais. É engraçado como de algum jeito me sinto irresponsável, insalubre, mas um tantico feliz. É uma sensibilidade sem tamanho essa onde de está vivo, ou ser artista, ou de olhar para o tempo, não sei, não sei, não sei. Gostaria de pichar uma parede imensa com 345 “não sei”s. Parece que tudo implica em justificativas e razões racionais pontudas, temos até que já ter sonhado, ou então desejado desde pequeno. E sinto tudo pelo contrario, então eu realmente to realizando sonho de infância, e o que identifico nos meus sonhos, essas possíveis mensagens do inconsciente, é que estou construindo o meu caminho e irei ter vários dejavus, mesmo que no fim, não eram dejavus, eram apenas sensações de coincidências no espaço. E realmente o acaso nem existe tudo ta enroscado na grande teia da aranha - estou chamando o cosmo/energia/mundo/mistério assim, pois sou dramático, e gosto.

Justificar, dar explicação. Somos todos responsáveis um pelos outros, e somos pais ausentes de nós mesmo e mãe perdidas e coagidas dessa sociedade, estamos impondo castigos e não nos ajudamos, nem escutamos o que nossas filhas dizem, somos todos responsáveis por nós. E mora no pequeno sinal o perigo, sim! No miudinho é que começa a doença. Paramos de conversar. Ta tudo meio caótico, todas estamos vivendo os mesmo dramas, com elencos diferentes. Espere, calma, eu esqueci de ver as minhas plantas. E agora o sol bate nelas e queima as folhas, elas precisam de sombra, uma salada de fruta, um descarrego, foco no trabalho. É tudo escolha que temos que fazer. É escolher não é meu forte, ou melhor, eu faço muitas escolhas e me entrego um pouco ao orgulho e o desespero. Tanta coisa, tanta coisa, e muita distancia entre eu e você, necessária, mas não compreendida, necessária, mas não decanta. Talvez você seja apenas a figura do meu desabafar, o símbolo. Ou seja, amor e uma paixão desonesta. Me perdoa os fracassos, entenda as minhas duvidas, molha o meu erro para que ele se desfaça, peço a amizade. Alias algumas vespas e abelhas eu reservo a você, nada muito serio ou fora da colmeia habitual, mas (eu tenho medo do exagero e sou um exagerado.) dessa vez é muito por como já disse outra vez, não querer tua orientação, somos todos responsáveis por nós mesmos, somos todos responsáveis pelos outros, somos organismo vivo, e também cretinos demais para não assumimos nossos egoísmos. Eu posso esta sendo egoísta, mas é isso: Não quero tua orientação, oh mainha, mas sim que me escute, diga algo genérico, ou despreocupado, talvez encoraje o erro, ou fale com uma sinceridade descomprometida. Eu tentarei fazer o mesmo, mas estou tentando parar de fumar e fracassando, então é bom não esperar mudanças em velocidade máxima, e vamos respeitar os limites da estrada.

Que tu esteja saudável e firme no pensamento. Me diga das suas revoltas qualquer dia.

Vida longa e gozosa, para nós.




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