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Carta da Faísca aos estudantes da FSA e da região do ABC: Parar tudo dia 05 em defesa de uma educação para os trabalhadores!

Carta da Faísca aos estudantes da FSA e da região do ABC: Parar tudo dia 05 em defesa de uma educação para os trabalhadores!

quinta-feira 30 de novembro| Edição do dia

Nós da Faísca - Anticapitalista e Revolucionária fomos parte dos 12 dias de ocupação da FSA contra o fechamento da universidade, defendendo sempre que a crise não deveria ser paga pelo alunos e professores. Colocamos algumas lições desse processo aqui. Com uma greve nacional sendo convocada pelas centrais sindicais no próximo dia 05, queremos recuperar algumas das tarefas que apontávamos no pós 28A, pois o movimento estudantil precisa emergir como uma voz independente na luta contra as reformas e os ataques a educação.

Em Maio, os jornais noticiavam o impacto da crise nas universidades do ABC, em especial a Federal do ABC. Mas sabemos que a própria FSA arrasta uma crise histórica, e só não aparece assim tão claramente as demais universidades privadas, pois estas recebem enormes quantias do governo Federal a partir de programas como FIES e Prouni que são vendidos como a "grande democratização do ensino", mas significam dividas bilionárias para os estudantes que conseguem se formar.

Com os cortes de 13,4 bilhões da pasta de educação só neste ano e com uma perspectiva ainda pior para o ano que vem, com a implementação de fato da PEC 55 do teto dos gastos para a educação, o que chamamos de fim do ciclo lulista nas universidade exige uma resposta a altura do movimento estudantil.

A FAPSS em São Caetano também foi um dos pontos de apoio do movimento estudantil que organizou estudantes junto a outras universidades da cidade para lutar contra o corte de bolsas do prefeito Auricchio Júnior (PSDB).

Recentemente, duas noticias foram bastante chocantes. A primeira foi a declaração do Banco Mundial de querer descarregar a crise sobre o ensino público pedindo a cobrança de mensalidades, para impor mais um filtro social além do vestibular. Depois, uma avaliação que o ensino privado no Brasil é o pior de toda América Latina. Esse é o projeto dos capitalistas para a educação: menos qualidade e inacessível para a classe trabalhadora e seus filhos.

O movimento estudantil já deu inúmeros exemplos no Brasil e no mundo que pode lutar por um outro projeto de educação. Na Africa do Sul, os estudantes conseguiram numa universidade garantir a efetivação dos trabalhadores terceirizados, dando passos na aliança operário estudantil. É assim também em diversas universidades onde se lutam contra a estrutura de poder, para que a maioria da universidade, os estudantes, possam decidir sobre tudo. Há 10 anos atrás, ocorria uma onda de ocupações em todas as universidades, e aqui no ABC, a Fundação Santo André mostrou que é possível tirar reitores e reduzir as mensalidades, assim como a Anhanguera em São Bernardo anos atrás, mas os desafios do país exigem que vamos por mais.

Agora os estudantes da FAPSS - Faculdade Paulista de Serviço Social descobriram que a universidade mudou seu nome para FAPS - Faculdade Paulista de São Caetano do Sul ameaçando fechar os cursos ou torná-los a distância e expandir a universidade com outros cursos à serviço do mercado. Não podemos mais aceitar que roubem nosso direito a educação e ainda nos abriguem a pagar altas mensalidades! No próximo dia 05, é preciso organizar pela base para impor paralisações e atos nas universidades de todo ABC. A UNE, que não jogou seu peso para fazer a luta da FSA triunfar, e recentemente fechou negócio com empresas de convênio médico, precisa romper seu atrelamento ao PT e se colocar na luta em defesa da educação pública, gratuita, de qualidade para atender aos trabalhadores.

Por esses motivos, nós da Faísca escrevemos aos estudantes que conosco partilharam a luta da FSA, que apesar de nossas pequenas forças, colocamos o Esquerda Diário com mais de 10 matérias a serviço de propagandear a luta e incendiar novos corações com a energia que saia das mulheres linha de frente da ocupação. Acreditamos da Fundação pode surgir um chamado a uma grande reorganização do movimento estudantil da região, junto as estudantes da FAPSS, FAMA, Direito São Bernardo, UFABC e tantas outras que vem pouco a pouco, a partir de coletivos de combate a opressão, pequenos centros acadêmicos, organizando estudantes em defesa da educação.

Mas também queremos dizer pelo o que nós da Faísca lutamos. Nós acreditamos que as universidades vem de duas crises estruturais: do projeto de universidade burguês que já não mais satisfaz o mercado mundial, e do problema do acesso para a maioria da classe trabalhadora. É frente essa enorme crise internacional, que vemos claramente o anseio dos capitalistas, que a partir dos seus partidos políticos querem impor o seu projeto de educação e de país. Dos contratos escravistas da Reforma trabalhista, o fim da aposentadoria, o desemprego que atinge 30% da juventude nacional e a censura aos debates de gênero, LGBT e ao combate ao racismo, sabemos claramente que querem impedir nosso direito a construir o futuro. Para enfrentar estes governos, seus partidos, e as entidades que tem suas direções determinadas a salvar o capitalismo, nós chamamos os estudantes a se manter organizados após as lutas espontâneas, pois é fundamental que tenhamos consciência que da nossa organização e estratégia depende o futuro. Queremos uma sociedade livre de toda a forma de opressão e exploração. Que a educação seja de acesso irrestrito, que o conhecimento produzido seja um ponto de apoio para a luta de um governo dos trabalhadores em ruptura com o capitalismo. É sob essa perspectiva que nós da Faísca militamos e queremos poder contribuir ao movimento, com ideias e reflexões, para alcançarmos a vitória em defesa da educação, mas também contra o capitalismo.

Conheça o Manifesto da Faísca




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