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Carta da Faísca ao Estudantes da UFRN rumo ao CONEUF

Carta da Faísca aos estudantes da UFRN: massificar o movimento estudantil para derrotar Bolsonaro! Por uma campanha antiburocrática e anticapitalista rumo ao CONEUF

sexta-feira 13 de setembro| Edição do dia

O futuro que Bolsonaro e os capitalistas desenham como solução para a crise capitalista internacional é: adoecer de trabalhar até morrer para até 3 patrões por semana em empregos intermitentes, nos telemarketings, Rappi e Uber, e sem nem ter a possibilidade de vender docinhos nas universidades, já que as jurou de morte. A Amazônia e o Pantanal queimam pela ganância do agronegócio, do imperialismo europeu e americano. Uma coisa é evidente: precisamos da maior unidade possível entre estudantes e trabalhadores para que sejam os capitalistas, e não nós, os que paguem a conta desta crise.

Vivemos a raiva, o ódio e desmoralização, sentindo nosso sangue ferver sem rumo ao ver que a direita está disposta a destruir toda perspetiva de futuro que possamos ter. Somos mulheres, LGBTs, negrxs e sentimos o alvo da direita na nossa existência, seja com a legitimação dos feminicídios com seus discursos, com as censuras ou obrigados a engolir em seco o genocídio juventude negra que carrega chuteira e guarda-chuva. Assim, batalhar pela organização deste ódio é um desafio posto em cada universidade, que possa se juntar aos trabalhadores dos Correios que iniciaram ontem sua greve contra a privatização, e os estudantes da UFSC com seu chamado a uma greve nacional.

O Future-Se veio para acabar com as universidades públicas via financeirização e OSs, eliminando as já precárias e escassas bolsas de pesquisa e permanência estudantil. Sob mando de Trump e interessado e disposto a entregar o que o imperialismo estadounidense não quiser à União Europeia, Bolsonaro nutre nosso profundo desprezo mas que não nos pode envenenar, mas sim servir de catalisador da nossa organização para os dias 2 e 3 de Outubro, dia para qual está convocada a Greve Geral da Pós-Graduação e da Ciência e Tecnologia.

A primeira tarefa do CONEUF é portanto preparar esta batalha, como pontapé da unificação nacional entre pós-graduandos, graduandos, funcionários e professores. Infelizmente o CONEUF foi convocado há apenas dois dias pelo DCE da UFRN para dar a largada a 17 dias que incluirão as eleições de delegados por curso, toda a construção e o próprio Congresso. Nossa disposição de luta não pode seguir refém dos interesses da burocracia estudantil e sindical.

É preciso retomar a potencialidade demonstrada em maio deste ano, onde apenas em Natal fomos 70 mil nas ruas no #15M, desta vez se unificando seriamente com a classe trabalhadora, levantando ofensivamente a luta contra a Reforma da Previdência e as privatizações. Fomos 1,5 milhão em todo o país pelos espaços de autoorganização impulsionados que prepararam este dia. No dia 20 de Setembro ocorrerá em todo o mundo uma Greve pelo Clima, é preciso retomar as assembleias para que tenhamos o direitos de nos organizarmos para lutarmos.

A unidade se dá desde as bases! Basta de negociarem nossos direitos!

Nosso combate contra a extrema-direita e seus ataques é urgente e precisa da mais ampla e forte unidade que se dê desde as bases. Por isso, precisamos discutir qual papel cumprido pelas atuais direções do movimento estudantil e operário nesse processo. A estratégia da UNE hoje se resume a desgastar o governo Bolsonaro, não travar as batalhas decisivas contra seus ataques e dizer que a saída está nas eleições de 2022, enquanto os governadores do Nordeste, liderados pelos do PT e do PCdoB, escrevem cartas e promovem reuniões para negociar uma reforma que valha também para os estados e municípios. Já trilhamos o caminho da conciliação de classes e hoje vivemos suas péssimas consequências.

O DCE da UFRN é controlado pela direção majoritária da UNE, através do Paratodxs, Kizomba, Levante e UJS e nós da Faísca não nos contentamos com “explicações” que se limitam a culpar os próprios estudantes “que não quiseram lutar”. Pois queremos! Na verdade esse é um discurso de quem não quis organizar nossa luta, para que seus representantes a nível estadual pudessem negociar nosso futuro.

É hora de utilizar o espaço do CONEUF para batalhar em novas dimensões para que possamos tomar o rumo das mobilizações nas nossas próprias mãos, por isso queremos chamar todxs a construírem chapas por um movimento estudantil antiburocrático a serviço de canalizar o ódio contra o Bolsonaro na aliança na luta dos explorados e oprimidos contra a extrema-direita e o imperialismo junto à Faísca, na defesa de um programa para que os capitalistas paguem pela crise.

No Rio Grande do Norte, a Oposição de Esquerda venceu as eleições para o DCE da UERN, uma posição que pode servir como ponto de apoio para fazer frente à separação que a majoritária está impondo, conformando um setor do movimento estudantil estadual fortemente antiburocrático, batalhando por assembleias em cada curso de cada universidade. Na UFRN, o Centro Acadêmico de Serviço Social também é dirigido por setores da Oposição de Esquerda, como o PCB, mas segue uma atuação adaptada ao rotineirismo e à burocracia. Reiteramos nosso chamado à conformação de um polo anti-burocrático.

Por uma campanha antiburocrática e anticapitalista

Um espaço como o CONEUF deveria ser fundamental para que o conjunto dos estudantes possa romper com o isolamento e debater entre si como se organizar e quais devem ser os objetivos da luta estudantil nacional, que para nós passa por batalhar por uma saída dos estudantes e dos trabalhadores para a crise, obrigando os capitalistas a pagarem por ela.

Por isso defendemos a democratização das entidades de luta dos estudantes, que batalhe por espaços de autoorganização regulares e realmente construídos na base, mas também para que a gestão do DCE passe a ser composta proporcionalmente por cada chapa que concorra nas eleições, para que as diferenças que existem no movimento estudantil da UFRN estejam representadas na gestão a partir da porcentagem de votos que receberem e assim possibilitar a experiência com cada uma delas.

Para que o movimento estudantil possa responder à crise que está colocada é necessária a total independência política da juventude e dos trabalhadores das reitorias, dos governos e dos patrões, pois podemos confiar somente na força da aliança operário-estudantil se quisermos transformar a realidade, derrotando os ataques e batalhar por uma sociedade livre de opressão e exploração.

Agora, para onde vai o nosso dinheiro? Já sabemos das emendas parlamentares e dos auxílios exorbitantes que incluem o “auxílio moradia” para membros do Judiciário possuidores de dezenas de imóveis alugados. A maior sanguessuga ainda assim é a política de “responsabilidade fiscal” que norteia toda a economia e foi levada adiante também nos anos de governo do PT (defendida por Fátima), que prioriza o pagamento da dívida com os capitalistas em vez atender às necessidades dos trabalhadores, como o salário dos servidores da saúde.

Por isso, exigimos a imediata restituição das verbas cortadas, e a inversão das prioridades. Basta de dinheiro para os grandes banqueiros através da dívida pública, queremos garantir recursos para a educação, saúde, moradia. Defendemos também a estatização das vagas de universidades privadas sob controle de estudantes e funcionários, contra o avanço dos tubarões do ensino privado, como Kroton, Estácio, Laureate, fortalecido já nos anos de governo do PT. Uma defesa para que a juventude do país tenha direito de fato ao ensino superior público, de qualidade, aprofundando a política de cotas raciais com objetivo de pôr um fim ao ENEM e toda forma de filtro social e racial às universidades, ou seja, o fim de todo vestibular.

Não queremos apenas para defender as universidades federais tal como elas foram concebidas no Reuni, uma expansão precária das universidades, baseada em trabalho terceirizado semi escravo majoritariamente de mulheres negras e sem uma permanência real, que humilha os estudantes filhos da classe trabalhadora e negrxs. Defendemos um restaurante universitário que atenda a todos os estudantes e funcionários sem restrições, uma habitação digna aos residentes, creches de acordo com a demanda e a efetivação dxs terceirizadxs, sem necessidade de concurso público. Estas defesas passam por batalhar pela transformação da estrutura de poder universitária.

A reitoria cumpre o papel de aliar os interesses capitalistas aos da universidade, independentemente do governo, atrelando a maioria das pesquisas à produção de patentes e tecnologia para aumentar os lucros privados. Isso só é possível graças a uma estrutura de poder profundamente antidemocrática, que exclui o poder de decisão daqueles que ocupam a maior parte do corpo universitário, os estudantes e funcionários, para dar as cadeiras do Consuni a entidades empresariais e industriais, a figuras do governo do estado, avessos ao princípio da autonomia universitária.

Defendemos uma estatuinte livre e soberana para a universidade, que discuta a formação de um governo tripartite, com peso de decisão proporcional ao tamanho real de cada setor da universidade, pois assim é que será possível uma ciência e arte verdadeiramente livres na universidade, contra o obscurantismo bolsonarista, e a serviço das reais necessidades dos trabalhadores e do povo pobre.

Convidamos todes a conhecer, debater e difundir estas ideias, assim como se somar à reunião de formação de chapas que faremos nesta segunda-feira, as 13h00, no fim do corredor do setor 2.

Datas do Congresso:

O Congresso acontecerá nos dias 25, 26 e 27 de setembro. Será composto por eventos, mesas, grupos de trabalho e de uma plenária final, onde delegados nos cursos terão direito a voto.

No curso de Ciências Sociais, o calendário eleitoral definido pela Comissão Eleitoral:

- Divulgação de eleição de degelados quinta e sexta (12 e 13)
- Inscrição de chapas até segunda feira (13 a 16) a noite
- Terça a quinta (17, 18, 19): período de campanha
- Quinta (19): debates pela manhã e a noite
- Quinta e sexta (19 e 20): votação online
- Sexta (20): a noite encerramento da eleição
- Sábado (21): envio das atas de eleição




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