Juventude

JUVENTUDE FAÍSCA

Carta da Faísca ao Ceupes, CAPPF e todos os centros acadêmicos da Oposição de Esquerda na USP

Mais do que nunca, precisamos enfrentar Bolsonaro, que vocifera contra a juventude, o povo pobre, os trabalhadores e as minorias sociais e que junto a sua banca reacionária usa seu autoritarismo a serviço das empresas e governos imperialistas, como marca registrada do projeto do golpe institucional. Queremos debater com os setores da oposição uma estratégia pra vencer frente ao cenário escandaloso que se reserva à juventude, no 11º ano da crise econômica internacional, com a Reforma da Previdência, um índice de 30% de desemprego e trabalhos precários em empresas como a Rappi, em que Thiago Dias morreu de tanto trabalhar.

quinta-feira 8 de agosto| Edição do dia

Mais do que nunca, precisamos enfrentar Bolsonaro, que vocifera contra a juventude, o povo pobre, os trabalhadores e as minorias sociais e que junto a sua banca reacionária usa seu autoritarismo a serviço das empresas e governos imperialistas, como marca registrada do projeto do golpe institucional. Queremos debater com os setores da Oposição de Esquerda a necessidade de uma plenária unificada para exigir um plano de lutas frente ao cenário escandaloso que se reserva à juventude, no 11º ano da crise econômica internacional, com a Reforma da Previdência, um índice de 30% de desemprego e trabalhos precários em empresas como a Rappi, em que Thiago Dias morreu de tanto trabalhar.

O autoritarismo e a barbárie social se aprofundam com a portaria 666 de Sergio Moro, que permite expulsão de estrangeiros, o pedido de prisão de Glenn Greenwald pelos deputados do PSL, a declaração de Bolsonaro sobre Fernando Santa Cruz (pai do presidente da OAB, torturado e assassinado pela ditadura militar), com o assassinato do líder indígena Wajãpi pelas mãos de garimpeiros, a continuidade da prisão arbitrária de Lula e o massacre no presídio no Pará. Bolsonaro se fortalece para destilar reacionarismo com a aprovação da Reforma da Previdência do governo, Maia, Alcolumbre e STF na Câmara dos Deputados, e assim pavimenta o caminho para ataques mais privatizantes.

Para a juventude universitária que protagonizou atos massivos nos dias 15 e 30M na luta em defesa da educação o cenário também é de aprofundamento dos ataques. Uma semana após a aprovação da reforma em primeiro turno na câmara o governo anunciou o projeto “Future-se”. Esse projeto significa uma escalada na privatização do ensino superior e da entrega das universidades pras mãos dos capitalistas em uma escala muito maior! As ditas “organizações sociais” - Que nada mais são do que empresas - poderão ter um orçamento próprio dentro das universidades e decidir pra onde vão os investimentos da educação. Isso na prática significará que os investimentos nas pesquisas irão pra áreas que favoreçam os lucros deles, muito provavelmente setores ligados ao agronegócio, enquanto o desenvolvimento tecnológico e das áreas sociais será cada vez mais inexistente, o que aumenta a subordinação do nosso país aos interesses do imperialismo.

Nesse contexto precisamos mais do que nunca entender como chegamos até aqui. A divisão de tarefas, com uma atuação das direções burocráticas de trabalhadores e de juventude, CUT, CTB e UNE, está a serviço da política dos governadores do PT e do PCdoB no nordeste, partidos que dirigem essas entidades e estão dizendo que devemos abaixar a guarda do enfrentamento a Bolsonaro e batalhando pela inclusão dos estados e municípios no texto final da Reforma, à qual já declararam apoio. No 57° Congresso da UNE, em Brasília, com a direção majoritária encabeçada pela UJS (juventude do PCdoB), acontecia ao mesmo tempo da abertura do Congresso a aprovação em primeiro turno da Reforma. A majoritária fechou os olhos e chamou um ato dois dias depois, negando-se a mobilizar a força dos estudantes, que se expressou nos dias 15 e 30 de maio, assim como, com CUT e CTB, vieram separando a juventude da classe trabalhadora e não construíram nenhum plano de lutas sério contra a Reforma, o que enfraqueceu em muito a própria luta em defesa da educação que agora se depara com anúncio do “Future-se” e de cortes de mais de 348 milhões na educação.

Com o retorno das aulas, achamos que a partir da USP, levando em conta que nosso DCE é dirigido pelas mesmas forças políticas da majoritária da UNE, poderíamos dar um exemplo anti-burocrático muito importante, se todas as organizações da oposição de esquerda, do PSOL, PCB e PCR, juntamente com os estudantes independentes levassem adiante nas assembleias de curso e pelas entidades que dirigem, como o Ceupes, o CAPPF, entre outras a construção de um polo antiburocrático com uma politica de auto-organização do movimento estudantil e de trabalhadores, não permitindo que PT e PCdoB continuem entregando nosso futuro. Chamamos desde agora à preparação de um 13 de Agosto que se enfrente com os ataques e não faça coro à intenção da UNE em nos dividir em nome de seus interesses eleitorais, denunciando esse papel. Para isso, é preciso unificar a batalha contra os avanços autoritários que Bolsonaro e Moro sinalizam com os ataques econômicos, contra o discurso de “cortina de fumaça” que abre espaço à extrema direita.

Não podemos deixar que nossos direitos sejam rifados pela estratégia e pela política desses partidos, PT e PCdoB, que visam uma relocalização eleitoral e seguem entregando nosso futuro sem organizar de fato a resistência. Com a aprovação da reforma da previdência em segundo turno a tendência é que o cenário de ataques se aprofunde ainda mais, mas a juventude mostrou que pode ser uma força de oposição capaz de contagiar a classe trabalhadora e se enfrentar com cada um desses ataques. Contra a precarização do ensino na USP e no conjunto das universidades do país, contra a reforma da previdência, contra a CPI das estaduais paulistas e esse "Future-se" de miséria que nos reservam os capitalistas, fazemos esse chamado pra que a partir desses centros acadêmicos possamos organizar uma plenária na USP reunindo estudantes e a Oposição de Esquerda que se contraponham a essa política das direções da UNE e das burocracias sindicais, como CUT e CTB, debatendo um programa e uma estratégia que possa ser de fato uma resposta para a juventude, os trabalhadores, as mulheres, os negros, indígenas e LGBTs frente a crise capitalista.




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