Mundo Operário

CORONAVÍRUS: USP

Carta aberta dos representantes dos funcionários no Conselho Universitário (CO) da USP

Os representantes dos funcionários no Conselho Universitário da USP, órgão máximo de deliberação da universidade, Adriano Favarin, Babi Della Torre e Reinaldo Souza, publicaram através do Sintusp - Sindicato dos Trabalhadores da USP, uma carta aberta dirigida ao reitor e aos conselheiros denunciando a situação dramática do Hospital Universitário. Reproduzimos a carta publicada hoje, 10 de maio.

domingo 10 de maio| Edição do dia

Imagem: Sintusp

O REITOR E O CONSELHO UNIVERSITÁRIO ESTÃO DE COSTAS PARA OS TRABALHADORES DO HU

Carta aberta dos representantes dos funcionários no Conselho Universitário (CO)

Nos dirigimos com esta carta ao Reitor da USP, Prof. Dr. Vahan Agopiyan, e ao conjunto do Conselho Universitário, para externar nossa preocupação com o silêncio deste Conselho diante da situação à qual as trabalhadoras e trabalhadores do Hospital Universitário vêm sendo submetidos nestes dois meses de pandemia do coronavírus.

O Hospital, que vem sendo erroneamente intitulado como “livre-COVID” já registra mais de 50 trabalhadoras contaminadas. Durante dois meses a Superintendência do Hospital segue expondo os trabalhadores do Hospital Universitário ao risco de contaminação, seja por se negar a distribuir máscaras para os trabalhadores da nutrição, seja por regular a cota do administrativo. E, para piorar, há duas semanas a Superintendência baixou uma norma restringindo inclusive para a enfermagem o uso de máscaras cirúrgicas, que possui validade máxima de duas horas, a uma por plantão de até doze horas!

Além disso, a Superintendência segue se negando a liberar os trezentos profissionais que estão no grupo de risco, sendo parte delas lactantes. Isso quando na USP já somam dois trabalhadores da empresa terceirizada Albatroz com mais de 60 anos, que seguiram trabalhando, adoeceram e morreram, sem que a Reitoria garantisse sequer uma nota de pesar, quanto mais a liberação imediata dos trabalhadores em grupo de risco! A Reitoria segue se negando a utilizar da reserva da Universidade, e sequer os 20 milhões conquistados pelo movimento popular na ALESP final do ano passado, para a contratação emergencial de profissionais da saúde para o HU!

Os trabalhadores do HU, através do SINTUSP, e apoiados por funcionários e estudantes de outras unidades, realizaram essa semana uma segunda manifestação por essas demandas. Manifestação essa que inclusive saiu na Rede Globo, no SPTV 1ªedição, com os jornalistas questionando se a Reitoria não iria se pronunciar. E a Reitoria segue em silêncio, a tal ponto que o HU sequer foi citado na reunião do reitor com os dirigentes. E este Conselho Universitário omisso quanto às questões dos trabalhadores do Hospital Universitário, pois não tomou nenhuma iniciativa, segue não fazendo nada! Essa situação não pode acontecer.

Por isso, nós, que somos representantes dos trabalhadores nesse Conselho, exigimos um posicionamento da Reitoria, e inclusive dos demais membros deste Conselho Universitário para resolver os problemas do HU. Os Diretores das Unidades de Ensino também precisam se posicionar quanto à situação dos trabalhadores do hospital, que por estarem na linha de frente colocam sua vida em risco. É necessário garantirmos todas as condições para que os trabalhadores do HU, que estão na linha de frente do combate a essa pandemia, possam continuar salvando vida e atendendo a população.

Reivindicamos a garantia de Equipamentos de Proteção Individual para todos os trabalhadores do HU, com quantidade suficiente para que a máscara possa ser trocada durante a jornada de trabalho. A liberação imediata de todos os trabalhadores que compõe o grupo de risco. Testes para todos que atuam no Hospital. A contratação emergencial de trabalhadores pro Hospital Universitário.

Barbara Della Torre (Babi) - trabalhadora do HU

Reinaldo Santos de Souza - trabalhador da FEUSP

Adriano Brant Favarin - trabalhador da FOUSP




Tópicos relacionados

Coronavírus   /    Hospital Univeristário da USP   /    SINTUSP   /    USP   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar