Mundo Operário

GREVE DOS CORREIOS

Carta à população de Campinas e Região

Trabalhadora do Correio em greve se dirige à população da região

quinta-feira 24 de setembro de 2015| Edição do dia

Na foto: ato dos trabalhadores dos Correios em greve recebe apoio de estudantes da Unicamp e do Centro Acadêmico de Ciências Humanas, além de solidariedade de outras categorias como professores da região

Estamos em greve. “Mais uma vez”, alguns dizem. Todos os anos, viemos recorrendo a este método diante da intransigência da direção da nossa empresa. Empresa que é pública e deveria servir para atender, com qualidade, as necessidades de toda a população.

Alguns questionam se com a greve não estamos apenas prejudicando a população. Não. O que estamos fazendo é mostrar que somos nós, atendentes, carteiros e otts, com um esforço desmedido, que fazemos os Correios funcionar, a duras penas.
Durante o ano todo são muitos os bairros de Campinas e região em que as entregas estão suspensas, pelo alto índice de assaltos. Ou então que recebem esporadicamente suas cartas, já que os carteiros se revezam com as "dobras" (quando o carteiro trabalha para além da sua região) pra cobrir, devido ao enorme déficit de funcionários. Também é comum o “cliente” se perguntar por que o sedex que ele mandou ficou tanto tempo parado do Centro de Triagem em Valinhos. De novo, falta de funcionários. O atendimento nas agências constantemente é lento, com sistema inoperante, falta embalagens, conforto, e em algumas agências é comum a existência de filas longas e guichês vazios. Sem mencionar os assaltos devido ao movimento de banco presente hoje nas agencias, sem a devida segurança.

Por outro lado, tudo que a empresa tem nos oferecido são metas, cobranças, controle de “produção” acelerando o ritmo de trabalho.

Não queremos trabalhar nessas condições. Queremos oferecer um serviço e garantir que será entregue ao final, dentro do prazo, e a um preço justo. Isso é possível. E para ser possível, não se trata de precarizar cada vez mais nossas condições de vida como alguns políticos fazem crer ao defender as privatizações, por exemplo. Privatizar significa que o lucro da empresa ao invés de ser público, deve ir direto para os bolsos de meia dúzia de empresários. As operações financeiras continuariam sendo duvidosas, a qualidade do serviço continuaria não sendo garantida, e os trabalhadores perderiam seus parcos direitos e benefícios, como se fosse isso que prejudicasse os lucros da empresa.

Este cenário de privatização sempre foi defendido durante o governo do PSDB, e supostamente combatido pelo PT, que tem tido uma prática semelhante a da oposição tucana. Há uma reestruturação em curso que não pretende solucionar nenhum desses problemas listados, e sim fatiar setores da empresa que podem ser vendidos, a princípio através de subsidiárias e mão de obra temporária.

Defendemos uma investigação, sim, das contas da ECT (Correios). Achamos, sim, que existe corrupção, desvios, má administração, cargos que nada mais são do que moedas de trocas entre os políticos. E é por ai que se esvai todo o lucro gerado. Os altos cargos da empresa, que correspondem à bem menos de 10% do efetivo, recebem salários altíssimos, enquanto que a base que corresponde a mais de 90% recebe pouco mais do que o salário mínimo, e alguns benefícios que acabam sendo a garantia mínima de alguma qualidade de vida apesar de toda a exploração. Há diversos patrocínios a megaeventos, prédios como o do centro de logística de Indaiatuba, desativado, com um aluguel de 2 milhões só do terreno, gastaram 40 milhões em uma logomarca que se alega ser plagiada. Não é nossa culpa, e não será privatizando que os problemas serão resolvidos.

É preciso investigar, é preciso que os trabalhadores e a população controlem dos rumos da empresa. Que o trabalho seja garantido com qualidade, ou seja, com a quantidade necessária de funcionários, salário e benefícios que garantam a qualidade de vida e o bem-estar do trabalhador, condições materiais de trabalho. Lutar pra que nosso salário não diminua ainda mais, com a inflação, e nossas condições de saúde não piorem, e ainda para que haja contratação de funcionário, condições de segurança, é isso que estamos fazendo.

Pode causar um pouco de transtorno agora, mas queremos resolver os problemas e não empurrá-los como tem sido feito. Precisamos fortalecer essa luta, e precisamos do apoio de todos os demais trabalhadores, usuários dos serviços, movimentos sociais e de juventudes, todos que possam se solidarizar e somar nessa luta. Por uma ECT realmente estatal, de qualidade, controlada pelos trabalhadores e pela população, e que ofereça a seus funcionários condições decentes de vida e trabalho.




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